O Internacionalista n° 19 / SINDICAL / EDUCAÇÂO / setembro de 2024


A Reitoria da USP, por meio da Prip (Pró-reitoria de Inclusão e Pertencimento), tentou instalar grades e catraca da entrada do bloco F, mas a empresa contratada foi barrada naquele momento pela mobilização dos moradores. A instalação de grades e catracas é apresentada pela Reitoria como medida de “segurança” (já sabemos que “segurança” para a Reitoria e governo é igual a “repressão sobre os estudantes”). Mas o fato é que essa medida resultará no despejo de 300 moradores “irregulares”, estudantes da USP, e que dependem desse alojamento para permanecerem na universidade, e assim exercerem seu direito ao ensino público e gratuito. Não é à toa que a medida é acompanhada pela limitação de visitas a moradores, passando a apenas 30… POR ANO!!!! A Reitoria quer transformar a moradia em presídio… para depois virar HOTEL, porque seu objetivo é aplicar a proposta da Consultoria McKinsey, de cobrar aluguéis pelas moradias. A não devolução dos blocos K e L, prometidos há 15 anos, e o fechamento do bloco D para “reforma” (que não avança há 3 anos), são parte dessa estratégia.


Prip não negocia nada

Dois pequenos atos foram realizados em frente ao Bloco K, visando à abertura de negociações com a Prip. No primeiro, 27/08, os representantes da Amorcrusp nem mesmo foram recebidos pela superintendência. No segundo, 29/08, a Prip “informou” que existe agora uma disputa judicial entre a USP e a empresa contratada para erguer as grades, pois ela alega que foi “impedida” de realizar a obra, e pretende o pagamento sem a entrega do serviço. Da pare da Prip, nada foi concedido ou comprometido. Nem mesmo um plebiscito, proposto por uma plenária de moradores, para averiguar a vontade dos estudantes quanto às grades, foi aceito. A Prip se mostrou totalmente intransigente.


Assembleia de Moradores termina sem aprovar medidas de enfrentamento à instalação das grades

A assembleia de moradores (29/08) teve uma participação pequena, apesar de ter um problema tão importante em sua pauta. A avaliação da direção da Amorcrusp (Correnteza/UP) e de seus aliados (OCI e Rebeldia/PSTU) foi a de que, com a disputa judicial, ganhou-se tempo para fazer o plebiscito, consideraram uma “vitória parcial”, apesar de não existir nenhum compromisso ou concessão da Prip/Reitoria. A Frente de Luta contra as Grades propôs as seguintes medidas, todas elas rejeitadas pela direção da Amorcrusp:

•Que a direção cobre publicamente o DCE por uma assembleia geral de estudantes por meio de nota escrita por uma comissão formada em assembleia a ser publicada até 01/09.
•Que a próxima assembleia da Amorcrusp seja convocada para 11/09, quando os moradores já terão retornado do feriado da semana da pátria.
•Que a comissão eleita publique e envie aos CAs uma carta pedindo que façam campanha em defesa dos 300 irregulares e que levem essa defesa à congregação das respectivas unidades.
•Que a comissão convide Adusp e SINTUSP para se posicionarem, no CO (Conselho Universitário) e fora dele, contra as grades e em defesa dos irregulares.
•Que o ato-vigília seja mantido durante a semana da pátria.
A direção da Amocrusp deformou a assembleia geral de moradores, ao não a convocar com antecedência, fazer dela um encontro dos militantes que apoiam a gestão, e principalmente não permitir que a assembleia cumprisse seu papel de organizadora da mobilização. Sua atitude de se contrapor a toda e qualquer proposta de ação prática revelou sua política imobilista em relação ao grave problema da ameaça de grades e catracas nos blocos do Crusp. A atual direção tem negligenciado essa pauta desde maio, focam na campanha eleitoral de seus candidatos e confiam na conciliação com a Prip/Reitoria.


A possibilidade de instalação de grades ainda é IMINENTE!!!

Ao contrário do que avalia a direção da Amorcrusp, que confia no trâmite judicial moroso, a Reitoria tem influência considerável sobre os órgãos de Justiça, e pode obter, a qualquer momento, uma liminar que leve à retomada imediata da instalação das grades e catracas. O caminho de confiar nas decisões judiciais tomadas sem pressão do movimento de massa é de derrota da mobilização.
O meio para defender as 300 moradias de “irregulares”, para manter as demais 1.300 moradias regulares, para defender a moradia gratuita e adequada às necessidades dos estudantes, é o da MOBILIZAÇÃO, dos métodos da ação direta (protestos e bloqueios de rua, ocupações, greves, etc.). E esses métodos dependem da unidade da maioria estudantil contra a burocracia universitária e o governo.


A luta é do conjunto do movimento estudantil

A moradia é parte integrante da permanência estudantil, como o são a alimentação dos bandejões, circulares gratuitos, atendimento médico compatível no HU, bolsas de estudo suficientes para garantir a vida escolar, etc. Nas últimas décadas, as sucessivas reitorias agiram para aplicar o privatismo na USP, por meio da precarização, terceirização, sucateamento e elitização da USP. Planos de cortes de verbas, demissões em massa de professores e funcionários sem reposição, reformas curriculares de enxugamento dos cursos, sucateamento do HU, privatização e piora dos serviços de circulares, bandejões, segurança patrimonial, etc. foram impostos. Houve grandes mobilizações, mas algumas delas foram nitidamente sabotadas pelas direções, que conciliaram com a reitoria e os governos, com a conciliação dentro do campo dos ataques ao ensino público e gratuito.
Sem a pressão da mobilização, a Reitoria e a Prip têm mãos livres para agir, impondo medidas reacionárias, inclusive por meio de perseguição política. Sabemos de estudante que não teve sua bolsa renovada pela Prip apenas por sua posição de combater a instalação das grades e catracas. A perseguição política a qualquer estudante deve ser rechaçada por todos os que estudam e trabalham na USP.
A defesa da moradia tem de ser assumida pelo conjunto do movimento estudantil, pois é parte da luta em defesa da permanência, do ensino público e gratuito, e contra o privatismo. É uma obrigação do DCE e dos CAs convocarem imediatamente as assembleias em seus cursos e a ASSEMBLEIA GERAL DE ESTUDANTES DA USP, para discutir medidas, aprová-las e colocá-las em prática. Para defender estudantes da expulsão de suas moradias e, com isso, da própria USP. Por meio das assembleias, poderemos organizar a mobilização para derrotar a reitoria e seus planos de liquidação da moradia estudantil.


A defesa dos moradores se junta às reivindicações gerais dos estudantes

Neste momento, nossa tarefa mais imediata é garantir que não se instalem as grades e catracas nas entradas dos blocos de moradia. Mas essa luta deve se ligar à defesa da permanência estudantil mais geral, ao controle estudantil da moradia (claro, não apenas da entrada e saída de moradores), à defesa da USP pública e gratuita, com o fim de todo privatismo.
E tudo isso conquistaremos com a unidade na luta, com mobilização, com enfrentamento à reitoria, à sua burocracia universitária, e ao governo e à burguesia, que pretendem acabar com a USP pública e gratuita. Não nos vencerão, desde que estejamos unidos para enfrentá-los!