


O Internacionalista n° 20 / NACIONAL / outubro de 2024
Governo Lula regulamenta as “BETS”:
quais interesses estão por trás do mercado de apostas?
O governo de Lula vem caminhando na regulamentação da atividade das apostas, as assim chamadas “bets” (chamadas pela imprensa burguesa de “bets”, um estrangeirismo que serve para encobrir o nome “aposta”). Trata-se da legalização das casas de apostas, que até 2023 eram proibidas no Brasil, assim como todos os jogos de azar. Na verdade, mesmo antes de qualquer regulamentação, casas de apostas estrangeiras vêm atuando no Brasil, valendo-se de sites hospedados no exterior. Trata-se do capital na sua forma mais degradante, que expõe a face predatória da burguesia, que atua verdadeiramente como um parasita, que suga as economias dos assalariados.
O problema para o governo era, então, regulamentar para arrecadar com a atividade, já que o governo do Brasil é simplesmente incapaz de controlar os sites de apostas no estrangeiro, pois isso implicaria em controlar a própria internet do país. Como se sabe, o Brasil não possui o mínimo de soberania na área de informática e tecnologia, e utiliza o aparato dos Estados Unidos para se conectar. Ou seja, o governo Lula, por seus compromissos com o imperialismo, é incapaz de conter a sanha da burguesia por lucros com seu capital acumulado. Então, vem trabalhando para regulamentar a atividade e obter impostos com isso. Fernando Haddad, ministro do governo burguês do PT, acaba de anunciar que será antecipado para outubro o prazo para que somente as casas de apostas regulamentadas possam funcionar, na prática legalizando a atividade das apostas.
As casas de apostas funcionam assim: como elas detêm um grande capital, podem dar-se ao luxo de perder nas primeiras rodadas. O operário começa apostando pouco, e ao ver os ganhos, duzentos, quinhentos, mil reais, logo fica viciado. E, quando ele perde, perde tudo. Do ponto de vista do capital investido pela casa de apostas, as primeiras perdas não significam nada. Assim como aquele ganho tirado do indivíduo, por mais que seja catastrófico para o orçamento familiar, é nada diante do montante acumulado diariamente. Isso porque a casa de apostas atinge milhares de pessoas todos os dias, e assim, somados as perdas e os ganhos, a casa de apostas sempre acumula. É questão de probabilidade. Todas as perdas da casa funcionam na verdade como gatilhos para os novos ganhos, muito maiores, que provavelmente virão.
É um negócio que não tem como dar errado, desde que seja possível fazer uma propaganda em larga escala. Essa propaganda já era veiculada muito antes do governo regulamentar a coisa. Era veiculada nas mídias sociais do imperialismo, através dos “influenciadores digitais”, e pela internet em geral. Outra parte do negócio, portanto, é a propaganda.
O negócio das apostas funciona criando um mecanismo de vício, e a classe operária é alvo fácil para esse tipo de diversão, assim como para o vício com álcool e outras drogas ilícitas. Uma classe depauperada, que não tem como acessar teatros, cinemas, museus, comprar livros, fazer exercícios, que é explorada 44 horas na semana, para receber um salário de R$ 1.400,00, e que busca no lazer decadente um alento para sua condição cada vez mais miserável.
O álcool é para o corpo o que a aposta é para a mente da classe operária, uma distração dos sofrimentos físicos e mentais da opressão capitalista. Uma distração para a fome, para as contendas geradas pelas necessidades materiais. O vício em apostas já está tirando tanto do orçamento dos explorados, que até mesmo a federação dos bancos se mostrou preocupada, defendendo a proibição do uso de cartão de crédito para o pagamento das bets. É claro que a preocupação deles não é com a saúde mental e financeira do operariado, mas sim com seus próprios lucros. No dia 23 de setembro, o vice-presidente Geraldo Alckmin se reuniu com capitalistas do varejo nacional, que também pediram a mesma proibição defendida pelos bancos.
O negócio já movimenta cerca de R$ 130 bilhões por ano, de acordo com dados divulgados pela imprensa burguesa. Recente estudo publicado pelo Banco Central aponta uma situação alarmante. Através do cruzamento de dados pessoais dos cadastrados com as movimentações via PIX, em transferências realizadas para as bancas e cassinos online, apurou-se que cerca de 8,9 milhões de pessoas cadastradas no Bolsa Família transferiram cerca de 10 bilhões de reais . A maior parte dos apostadores são jovens, de 20 a 30 anos, iludidos com a propaganda burguesa de enriquecimento rápido e ilimitado. O endividamento cresce, sendo que 70% dessas pessoas são chefes de família.
O governo Bolsonaro deu início à regulamentação da atividade, e o governo petista a está completando. Em 2023, Haddad abriu um prazo para cadastro das bancas, e até outubro deve-se conceder a legalidade para a atividade. O governo espera arrecadar 12 bilhões de reais por ano com a regulamentação do negócio. Apesar de em seu discurso Lula dizer que está com medo do endividamento das famílias, ele é incapaz de abrir mão do dinheiro que virá com a regulamentação, já que qualquer aumento da arrecadação servirá para dar fôlego ao Arcabouço Fiscal, ou seja, à proteção do parasitismo financeiro.
Como se pode ver, o governo burguês petista só tem a oferecer derrotas e submissão aos interesses da burguesia imperialista no país. Abandonou há muito tempo as bases em que se apoiou no passado. Distanciou-se cada vez mais das bandeiras próprias e imediatas da classe operária: salário mínimo vital, emprego para todos, reforma agrária. Por trás do seu discurso de “defesa da democracia”, esconde a defesa dos interesses da classe capitalista, em suas diversas frações. Vem reprimindo toda tentativa de erguimento de greves e movimentos organizados dos trabalhadores. Diante dessa situação, é dever de todos os revolucionários do país trabalhar pela organização própria dos trabalhadores, em seus sindicatos, e fazer acontecer uma forte resistência aos avanços da burguesia, que representam a decadência moral e econômica da classe operária.
O PPRI defende a classe operária do vício destrutivo que a propaganda da burguesia espalha, denunciando seu caráter fraudulento e explorador. Denuncia os lucros da burguesia e o sistema capitalista, que cretiniza a classe operária, deixando-a doente e viciada. Rechaça as bets, com ou sem regulamentação. Conclamamos a vanguarda com consciência de classe a engrossar as fileiras do Partido Revolucionário, a fim de combater de forma organizada a sanha da burguesia nacional e imperialista, e construir a revolução, que levará a classe operária ao poder.