
O Internacionalista n° 20/ NOTAS OPERÁRIAS / outubro de 2024
Greve dos estivadores da Costa Leste dos EUA
A classe operária dos EUA avança na luta de classes por suas reivindicações
A unidade e a ação direta levarão a que se imponham as reivindicações contra a intransigência dos patrões!
Os estivadores da Costa Leste norte-americana (do Maine até a Geórgia) e do Golfo (da Flórida até o Texas) entraram em greve no dia 01/10. A Associação Internacional de Estivadores (ILA, na sigla em inglês) decidiu pela medida de força, após rejeitar a proposta dos empregadores (Aliança Marítima dos Estados Unidos, USMX na sigla em inglês) para 45 mil trabalhadores, que não atendia às exigências de aumento salarial, e visa a implantar as contratações por seis anos e a automação no serviço de carga. Depois, um pré-acordo com a direção da ILA, no dia 04/10, encerrou a greve.
Foi a primeira greve geral de estivadores em 50 anos. Paralisaram-se 36 portos, que concentram 68% das exportações e 56% das importações. Somente em Nova York, 100 mil contêineres foram impedidos de serem descarregados de 35 navios. Avalia-se em US$ 3,78 bilhões por semana, as perdas pela paralisação. A indústria do transporte marítimo arrecadou ao redor de US$ 400 bilhões entre 2020 e 2023, enquanto a média salarial dos estivadores é de US$ 39/hora, bem abaixo, por exemplo, dos US$ 54,85 dos estivadores da Costa Oeste, da União Internacional de Transporte e Armazém (ILWU), que passarão ganhar US$ 60,85 em 2027 (32%). As empresas propuseram mudanças nos contratos e automatização de guindastes e portões, em troca de 50% de aumento, triplicar as contribuições do empregador para os “planos de reforma dos trabalhadores” (semi-automatização de serviços ligada aos contratos temporários por 6 anos) e “reforçar” os planos de saúde. O sindicato rejeita reduzir o número da força de trabalho e aumentar a produtividade como aconteceu na Costa Oeste, e que levou a milhares de demissões.
O governo Biden ainda não intercedeu para a solução do conflito, mas chamou o sindicato a dissolver a greve. Estava em jogo o apoio de grandes capitalistas à candidatura de Harris, e que se refletiu em uma exigência da USMX para a ILA, para levantar a greve e aceitar um novo acordo. As eleições estão chegando, e os democratas não queriam suportar a revolta de cerca de 200 câmaras empresariais, incluindo a Federação Nacional de Varejo e a Câmara de Comércio dos EUA – apoiadores dos republicanos – que ameaçavam aumentar os preços, se justificando pela “escassez” de produtos. A permanência do conflito atingiria a campanha de Harris e ajudaria Trump. Os patrões exigiam ainda a aplicação da Lei Taft-Hartley (1947), que permite ao governo declarar a greve ilegal. A ameaça de serem afetadas as exportações de armamentos e equipamentos para Ucrânia e Israel pairavam sobre o governo. Assim, após conversações entre governo e a ILA, a direção sindical decidiu aceitar um pré-acordo, e retomar as negociações.
A greve dos estivadores dos EUA soma-se à greve, no ano passado, da United Automotive Workers (UAW) e, neste ano, à ocupação de Universidades contra o genocídio na Palestina. A greve geral da UAW por tempo indeterminado e sua unidade mostrou que é possível derrotar o patronato e arrancar as reivindicações. A subordinação da direção sindical ao governo Biden e à campanha democrata impediu os assalariados de utilizarem sua força coletiva e sua capacidade para paralisar a economia para impor todas as suas reivindicações. O que demonstrou que falta a direção revolucionária à classe operária que se põe de pé e luta, capaz de tomar a frente dessa luta e unificar e consolidar uma greve geral de diversos setores. A tarefa de avançar na formação da vanguarda ao redor do programa da revolução e ditadura proletárias e que ajude o proletariado norte-americano a romper com os partidos e governos burgueses, avançando na sua independência e na luta de classes, vai mostrando-se cada vez mais como uma tarefa urgente nos EUA.
