
O Internacionalista n° 20/ NOTAS OPERÁRIAS / outubro de 2024
Aeronaúticos
Operários do setor aeronáutico rejeitam proposta patronal, mas a CSP-Conlutas não organiza a luta coletiva para impor as reivindicações, e divide a categoria
Os operários da Embraer da unidade Faria Lima (São José dos Campos – SJC) rejeitaram a proposta da Fiesp para a Campanha Salarial 2024. Os operários da Sonoca e Latecoere de SJC e Jacareí respectivamente, fornecedoras da Embraer, também a rejeitaram. Exigem que se apresente uma nova proposta, e aprovam o “aviso de greve” para dia 14, e paralisação se não houver resposta.
O reajuste salarial da Fiesp era de 5%: 1,29% de aumento real e 3,71% de reposição da inflação pelo INPC, além de R$ 50 no vale-alimentação, que passaria para R$ 400 (os operários exigem R$ 800). Os operários exigem também que não se altere a cláusula que garante a estabilidade aos operários com doença ocupacional ou vítimas de acidentes de trabalho – a Embraer ofereceu 21 meses de estabilidade para aqueles, e 60 meses, respectivamente. Apenas os operários da Magnaghi (SJC), também fornecedora da Embraer, aprovaram o índice de 5%, com a inclusão da “renovação” dos direitos até 2026. Ou seja, aceitaram a proposta rebaixada em troca da promessa da empresa de manter os direitos por dois anos.
Os patrões querem aumentar os lucros, reduzindo as condições de vida dos operários. A alteração da estabilidade tem o mesmo objetivo, além de acabar com a responsabilidade dos capitalistas de manter os operários que sofrem com as consequências da super-exploração. Por sua vez, o governo continua em seu objetivo de entregar a Embraer aos capitalistas imperialistas. Dar “aviso” antecipado da greve favorece o patronato, que pode negociar ou reprimir cada setor em separado, dividindo e enfraquecendo os operários. A aprovação da proposta na Magnaghi o demonstra claramente. E demonstra o quanto a Conlutas se adaptou aos métodos corporativistas e democratizantes das burocracias reformistas e direitistas, que levam aos retrocessos nas condições de vida e às privatizações.
Paira sobre a Avibrás (fábrica de equipamento militar), a ameaça de sua fusão com a Akaer, concentrando um setor industrial estratégico para a soberania nacional nas mãos privadas. A fusão procura “sanar” as dívidas da Avibrás, para preparar posterior “joint-venture” com capitais estrangeiros. Essa prática é muito comum entre os capitalistas, e os operários devem organizar a luta desde já!
Cada ataque dos patrões contra uma categoria inteira deve ser respondida com a greve geral e ação coletiva dos operários do setor, ocupando e paralisando imediatamente as fábricas, para ir à negociação com maior força, e impor ao patronato as reivindicações da classe. É organizando a luta coletiva pelas reivindicações e avançando no controle operário coletivo sobre as empresas do setor aeronáutico que se poderão impor as reivindicações operárias, e se impedirá a entrega da Embraer ao capital imperialista!
