O Internacionalista n° 20 / SINDICAL / outubro de 2024


Na última reunião do Conselho Estadual de Representantes – CER – (13 de setembro), a direção do sindicato informou que estava cancelando o ato contra a privatização, que ocorreria na Bolsa de Valores, no dia 25 de setembro, porque o governo decidiu fazer o leilão de gestão privada das escolas depois das eleições, e que o ato será convocado a partir do calendário do governo. De cara, isso prova que a direção está subordinada ao calendário imposto por Tarcísio.
A direção já havia cancelado a reunião do Conselho no dia 19 de agosto, ignorando os inúmeros ataques sofridos pela categoria, sendo os mais gritantes o desemprego, o arrocho salarial e a plataformização, que tem imposto um brutal controle ao trabalho docente e discente. Em agosto, a direção desarmou os professores, desmarcando a reunião do Conselho, e, em setembro, desarmou novamente a categoria, desmarcando o ato contra as privatizações.
No Conselho, denunciamos essa manobra da direção, que subordina as lutas em defesa dos professores ao calendário do governo, priorizando as campanhas de caráter eleitoreiro, como a pressão parlamentar, atrelada à ilusão na justiça burguesa, com as ações judiciais que, num primeiro momento, podem até suspender as investidas do governo, porém logo a seguir prevalecem os ataques. As ações na justiça e no parlamento têm servido apenas para negociar com o governo no campo dos próprios ataques que ele vem impondo. Por isso é que em nossa intervenção no Conselho, colocamos a necessidade da assembleia com urgência, para organizar a categoria para lutar com os métodos da ação direta, com as greves, ocupações e piquetes, contra as privatizações e terceirizações.
Nos últimos anos, as resoluções e as atribuições de aulas têm sido instrumentos de ataque aos professores. A direção faz de tudo para conter a revolta dos professores, com os seus “informes urgentes”, muitas vezes apenas repassando os “recados” da Secretaria e informando as novas ações na justiça burguesa contra o governo. Normalmente, as liminares concedidas duram alguns dias ou algumas horas apenas, e servem somente para tentar iludir uma parcela dos professores, e inculcar a ideia que não existem outras saídas, a não ser a submissão aos processos do judiciário. E, dessa forma, a direção burocrática enrola o quanto pode, para evitar as assembleias e atos de rua contra o governo. É obrigada a fazê-lo apenas quando há muita pressão das bases. Mas, desde março até aqui, a direção tem feito de tudo para impedir a revolta das bases, e traiu abertamente a defesa com greve da retomada dos contratos de 40 mil demitidos. Normalmente, esses atos e assembleias têm sido controlados de forma extremamente burocratizada, evitando qualquer possibilidade de o movimento sair de seu controle e de sua política.
Os cancelamentos das reuniões de representantes são também uma expressão do democratismo e eleitoralismo, que subordina as necessidades de luta da categoria às eleições. Maria Isabel foi candidata a prefeita em sua cidade, mas foi esmagadoramente rejeitada Em defesa dos interesses eleitorais dessa burocrata – e tantos outros candidatos – a categoria teve de arcar com ataques e destruição de direitos. Desde a direção burocrática até os setores da Oposição Combativa, que afundou também no eleitoralismo, viraram as costas aos problemas imediatos da categoria para se lançarem na defesa de seus candidatos. .
As eleições são o campo da burguesia, os explorados a cada dois anos são convocados a ir às urnas, para elegerem seus algozes. O PPRI ainda não tem como atuar com candidaturas nas eleições, para usá-la como tribuna revolucionária em defesa do programa proletário e da luta de classes, e mostrar que as eleições só servem para reafirmar a dominação do poder da burguesia sobre a maioria explorada. A luta pela independência política e organizativa dos sindicatos perante o estado e os partidos da ordem burguesa, aí incluídos o PT e aliados, é uma tarefa urgente para romper o imobilismo, impedir novas traições, e abrir caminho aos métodos de luta dos trabalhadores para avançarem na defesa de seus empregos, salários e direitos.