
O Internacionalista n° 21 / MOVIMENTOS / novembro de 2024
Ato da Frente Palestina – 20/10
A retórica hipócrita do governo contra o genocídio caiu por terra: Mauro Vieira disse que não haverá ruptura de relações com Israel
A submissão dos sindicatos e movimentos ao governo mantém as direções e militantes de sua base de apoio como subsidiários da política que financia o genocídio palestino
No dia 20/10, foi realizado mais um ato contra o genocídio palestino e libanês, organizado pela Frente Palestina São Paulo (FPSP). O holocausto palestino e libanês, a limpeza étnica, a destruição sistemática de toda infraestrutura necessária à vida dos povos oprimidos, enfim, a continuidade da barbárie assassina e criminosa do sionismo e do imperialismo, exigem a ação unitária e radicalizada das massas para impor a imediata e incondicional ruptura das relações com Israel ao governo burguês de Lula.
Foi com essa compreensão que, na reunião da FPSP que precedeu à convocatória do ato, várias organizações, entre as quais o PPRI, colocaram a necessidade de as direções sindicais e populares convocarem suas bases aos atos, e de organizarem medidas de ação direta contra empresas e interesses sionistas no Brasil, pressionando e impondo a ruptura das relações com Israel ao governo. Porém, militantes da base partidária do governo, assim como do Núcleo Palestina do PT, se justificaram afirmando que não havia como fazer isso porque as direções não estavam presentes, e o que se devia fazer era convocar “10 pessoas por cada organização”, para assim massificar o ato. Ou seja, os petistas se desresponsabilizam de organizar as bases dos sindicatos que dirigem para impor com a força coletiva dos explorados a ruptura das relações com Israel ao governo Lula. Isso explica porque apenas uma centena de militantes de partidos e correntes políticas da FPSP compareceram, enquanto as direções sindicais e populares se negam a organizar uma luta coletiva contra o genocídio.
A política de proteção e acobertamento do principal responsável das decisões de Estado, que é Lula, favorece os sionistas e direitistas que estão na primeira linha das funções do governo. Sem que greves, bloqueios, ocupações atinjam os interesses sionistas, estes acabam se impondo. Eis as pressões para retomar o contrato da Elbit, que não foi cancelado por Lula, e poderá voltar a vigorar sob pressão do exército e de supostos interesses nacionais das Forças Armadas. As toneladas de petróleo continuam fluindo do Brasil para Israel para a maquinaria bélica que trucida palestinos. Agora, Mauro Vieira disse, claramente, que não haverá ruptura de relações. Sustentar política e eleitoralmente um governo cúmplice de genocídio é ser cúmplice da hipocrisia e da farsa de Lula!
Enquanto o genocídio continuar, e o governo Lula/Alckmin seguir como seu cúmplice, os militantes dos partidos da base de apoio desse governo, os que defendem honesta e corajosamente os palestinos e libaneses, terão de refletir em seus discursos e posições políticas o oportunismo do governo pró-imperialista, e até mesmo acobertar com distorções e justificativas falaciosas medidas governistas favoráveis ao holocausto palestino, e que favorecem o avanço da direita e extrema direita. Um exemplo disso foi o apoio a Boulos que, de um lado, decidiu calar a boca, e assim trocou a defesa das vidas palestinas por votos da direita e pelo financiamento de setores sionistas à sua campanha. E de outro, adotou as políticas públicas de segurança e contra os movimentos, próprias da direita reacionária.
Quem pode derrotar o sionismo e pôr um freio ao genocídio, e assim ajudar à luta das massas e da resistência palestina a conquistar sua autodeterminação destruindo o estado de Israel, é o proletariado em cada país, atacando os interesses sionistas e suas empresas, ocupando as indústrias ligadas a Israel e paralisando o envio e importação de armas, petróleo e qualquer outro suprimento para Israel. Essa tarefa é imediata e urgente, e a responsabilidade de que as massas no país não se projetem, com o objetivo de estrangular e derrotar o sionismo e o imperialismo, é claramente das direções políticas governistas. O PPRI denunciou no seu manifesto ao ato, e defende publicamente quando usa da palavra, que esse é o caminho a ser seguido, ou não haverá como os atos serem uma expressão da luta de classes, e menos ainda uma forma de impor a ruptura das relações com Israel, coisa que o governo se nega a fazer.
