
O Internacionalista n° 21 / NACIONAL / novembro de 2024
As mudanças climáticas devem ser combatidas com a luta de classes
As mudanças climáticas se tornam cada vez mais evidentes, e atingem cada vez mais as populações vulneráveis em diversos países do mundo. A sociedade capitalista tem modificado o funcionamento normal do meio ambiente, já que a classe exploradora utiliza os recursos naturais indiscriminadamente para contrair lucros gigantescos, especialmente nessa fase imperialista. O Brasil tem sofrido com cheias e secas extremas, queimadas e alagamentos, calor acima do normal. No país, esses eventos têm acontecido com frequência, e o que vemos é uma grande parcela da população afetada. Em maio, vimos a população gaúcha em desespero, após chuvas em quantidade inesperadas atingirem o estado. As chuvas, que começaram no final do mês de abril, e duraram 10 dias, causaram o transbordamento dos rios Taquari, Caí, Pardo, Jacuí, Sinos e Gravataí. Esse alagamento atingiu 471 cidades, matou 170 pessoas e desabrigou mais de 600 mil pessoas.
O governo de Eduardo Leite (PSDB) não tomou nenhuma medida preventiva para evitar os desastres, que já haviam sido previstos por estudos científicos, e ainda não fez nada concreto para salvar as pessoas, e para que elas pudessem reconstruir suas vidas. Além disso, ainda chegou a pedir que parassem de fazer doações, porque prejudicava o comércio local. O governo federal apenas adiantou um valor para o RS. Sequer esse valor foi utilizado para amparar concretamente a população. Os governos estadual e municipais deixaram evidentes que os discursos não passam de discursos para comover o restante do país e a população. As pessoas atingidas que sobreviveram foram parar em abrigos, que registraram até denúncias de abuso sexual contra mulheres. A população do Rio Grande do Sul é obrigada a se organizar em movimentos de solidariedade para sobreviver, especialmente as mulheres e as crianças.
Vale lembrar também a tragédia da cidade de Petrópolis (RJ), que ocorreu em 2022, e causou a morte de mais de 240 pessoas; as imagens de pessoas sendo arrastadas pelas águas torrenciais foram terríveis. Essas pessoas, que estavam já lutando pela sua sobrevivência diária, foram dizimadas por uma tragédia anunciada. Mesmo após Petrópolis e Rio Grande do Sul, nenhuma ação concreta foi tomada para proteger os trabalhadores. Ao contrário, a barbárie continua.
Mais recentemente, vemos a situação de extremos na região norte do país. O Amazonas, por exemplo, é um dos estados que mais sofre com as mudanças climáticas, com cheias, secas e calor extremos, até queimadas de grande proporção que, na maioria das vezes, têm a ver com as grandes plantações de monocultura ou pastagem para gado. Neste ano, a seca dos rios no Amazonas atingiu o pior patamar da história. Os diversos rios que abrangem o território do estado nunca estiveram tão secos, atingindo diretamente a vida das populações tradicionais, os ribeirinhos, os indígenas e trabalhadores do campo em geral. No estado, a maioria dos municípios depende do transporte fluvial como principal meio de acesso a outras regiões; com a seca, os barcos suspenderam as navegações, e os produtos das cidades ficaram mais caros. A população das beiras de rio, isoladas, tiveram sua situação de vida, já terrível, pioradas. A fome, a falta de acesso à saúde e a dificuldade do trabalho na agricultura, nas roças e nas matas, causados ora pela seca, ora pela cheia, colocam a vida da população amazonense, nortista, em situação de barbárie.
O agronegócio avança vorazmente sobre as terras do Amazonas e do restante do Brasil, devorando terras, madeiras, minerais. Toda essa ação dos garimpos, das madeireiras, dos fazendeiros e grileiros destrói ostensivamente o meio ambiente, causando grandes desequilíbrios ambientais, secas, cheias, calor extremo. De forma direta ou indireta, é a burguesia, com todas as suas frações, a do agro ou da indústria, a responsável pelas mudanças climáticas e pelas condições terríveis de vida dos ribeirinhos, indígenas e trabalhadores do campo, bem como pelas vítimas de chuvas acima do normal, alagamentos e deslizamento de terras nas periferias das cidades.
Segundo dados do governo federal, publicados pela Agência Pública, 73% da população brasileira vive em municípios que podem ser afetados por alagamentos, deslizamentos de terra, enxurradas, etc. Os municípios que apresentam esses riscos iminentes representam mais de 33% dos municípios brasileiros. É um dado extremamente alarmante, dado que os governos dos estados e prefeituras não apresentam planos de prevenção a desastres climáticos. Os recursos destinados a isso não são utilizados para tal.
As ações dos governos, de um lado, são evidentemente ações que protegem uma classe, a do capital. Após discursos “bonitos” para a mídia, abandonam as pessoas atingidas à própria sorte. De outro lado, os sindicatos e movimentos abandonam a luta de classes para negociar migalhas com os governos, e entregam de bandeja os direitos dos trabalhadores de viverem uma vida digna. Grande parte da população do RS foi demitida, ou colocada em férias coletivas, para que as empresas não tivessem de pagar os salários aos trabalhadores atingidos, pelas cheias. Essa é realidade para a população oprimida, ser cada vez mais oprimida, ser enterrada na lama da conciliação de classes e das eleições. Cabe aos trabalhadores e oprimidos de todas as partes do país, organizar as lutas contra o agronegócio, o garimpo dos rios, das terras, e as políticas de classe burguesa, aplicadas através dos partidos e agentes políticos locais.
O resultado das eleições e dos próximos quatro anos continuarão mostrando que a única esperança da população oprimida é se levantar contra a burguesia e seu Estado, por meio da luta de classes. A crise climática é parte da crise capitalista de exploração da força viva de trabalho e dos recursos naturais. Combatê-la é parte da luta revolucionária contra o sistema capitalista e toda a barbárie que oferece à maioria nacional explorada e oprimida.
