
O Internacionalista n° 21 / SINDICAL / novembro de 2024
Apeoesp / Tarcísio leiloa 33 escolas
Leilão de escolas estaduais acontece em meio ao imobilismo e traição das direções sindicais
No dia 29 de outubro, foi convocado um ato contra a privatização da gestão de 17 escolas a serem construídas pelo estado, organizado pela Apeoesp. No mesmo dia, uma hora antes, foi convocada a manifestação das organizações estudantis do estado, para denunciar a entrega das escolas estaduais à exploração dos capitalistas. Convocadas em separado, as duas manifestações foram reunidas em uma rua em frente ao leilão onde, com uma caixa de som e não mais de 120 professores, a burocracia orquestrava um circo de denúncia contra a privatização, após se negar a convocar assembleias para que a categoria pudesse decidir como enfrentar, e com que métodos, esse novo ataque de Tarcísio à Educação Pública. Com um ato esvaziado e uma burocracia disposta a não lutar, foi muito fácil para a PM cercar a Bovespa com grades e impedir os manifestantes de chegarem próximo ao prédio da Bovespa, onde ocorreu o leilão.
Tarcísio defendeu, em coletiva de imprensa após o Leilão do dia 29, que, junto aos empresários, estava “trabalhando na diminuição do tamanho do Estado”, e que para cumprir essa tarefa “acreditava “muito na participação do capital privado”. Coube ao consórcio Novas Escolas Oeste SP festejar o leilão, ao concluir como vencedor e responsável por construir as escolas e, em seguida, administrá-las por até 25 anos (a maior parte do financiamento virá do BNDES, graças à aprovação do governo Lula de garantir os repasses para esses projetos privatistas). Além disso, o “consórcio” será responsável pelos serviços de merenda, internet, segurança patrimonial e pessoal, limpeza e infraestrutura das escolas. Aguarda-se o leilão de outro “lote” (16 escolas a mais), que serão leiloadas em novembro. Assim, o projeto de Parceria Público-Privada do governo direitista será o marco para a construção de 33 escolas a serem privatizadas.
Durante o ato em frente ao Bovespa, a burocracia sindical blefava com chamar a assembleia e deflagrar uma greve contra a privatização das escolas. No dia seguinte, foi informado que a justiça aceitou uma liminar do sindicato, a qual suspendeu temporariamente o leilão. É um blefe porque o recurso judicial foi apresentado no mesmo dia em que a Bebel falava de greve, mentindo assim à categoria, porque sabia que, sendo imposta a liminar – que logo foi rejeitada por uma instância superior – não teria porque chamar a assembleia, nem defender uma greve. Articulação/PT e aliados do PSOL fizeram um grande teatro de radicalização nas falas, porque sabiam que se a justiça concedesse a liminar, não defenderia a bravata feita no ato.
O governador Tarcísio (RTepublicanos) está passando o rolo compressor das privatizações, e está muito seguro e convicto de que imporá sua política para “diminuir o tamanho do Estado”, ou seja, privatizar todos os serviços públicos, porque as direções sindicais pouco ou nada fazem para impedir o avanço da destruição de empregos e direitos, e muito menos para barrar a privatização total dos serviços públicos. A direção da Apeoesp – como fizeram as direções da Sabesp, Metrô e CPTM – ou traem as tendências de luta das bases dispostas a defender seus direitos e os serviços, ou alegam que a categoria não comparece, quando convocada para impedir a destruição da carreira, aumento do assédio, plataformas digitais e escolas cívico-militares, ocultando que a categoria comparece sim massivamente às assembleias (como ocorreu no dia 26/04 deste ano, aprovando greve, deliberação desconhecida pela direção), mas é traída por essa mesma direção, quando se nega a fazer greves e manifestações radicalizadas que possam, efetivamente, criar uma força coletiva capaz de barrar os ataques e derrotar o governo.
A direção sindical petista, psolista, estalinista e até morenista (PSTU) se afundaram na judicialização, debates parlamentares e eleições, métodos que favorecem os governos para avançar na destruição de direitos e empregos, assim como nas privatizações. Acabam traindo e obstaculizando qualquer avanço dos trabalhadores na luta por suas reivindicações e contra o privatismo. Até que os sindicatos contem com uma direção classista e revolucionária, apoiada na democracia operária e nas tendências de luta, não haverá como erguer a partir da Apeoesp uma poderosa força coletiva capaz de derrotar o governo e os empresários, e reconquistar todos os direitos e condições trabalhistas retirados.
