O Internacionalista n° 22 / MOVIMENTOS / dezembro de 2024


No dia 30/11, aconteceu o ato convocado pela Frente Palestina São Paulo (FPSP), no marco da convocatória mundial do Dia de Solidariedade com a Palestina. Em São Paulo, a mobilização reuniu ao redor de 800 pessoas, em sua maioria de partidos, organizações populares e estudantis. A comunidade palestina e libanesa não compareceu em peso, a não ser algumas famílias e referências.

Houve uma diferença quanto aos atos anteriores, no sentido de que as falas e palavras de ordem compareceram mais radicalizadas que nas manifestações anteriores. Denunciou-se a cumplicidade do governo Lula no genocídio, uma vez que não toma nenhuma decisão de interromper o envio de petróleo do Brasil para Israel, e que nada faz para romper todas as relações e acordos existentes com o sionismo. Agora, as correntes e partidos da base governista, e aqueles que chamaram a votar nele contra a extrema direita, podem usar uma retórica mais dura, porque isso não compromete suas estratégias e manobras democratizantes de defesa eleitoral do governo, e podem apresentar críticas mais duras e assertivas contra Lula, que antes ocultavam, porque não há risco de perder votos de setores da direita e do sionismo, os que tanto procuraram atrair para melhorar as possibilidades eleitorais de Boulos.

A retórica mais radicalizada dessas correntes e partidos expressam um profundo caráter oportunista e democratizante dos partidos e correntes que votaram em Lula contra Bolsonaro em 2022, e em Boulos contra Nunes, em 2024. Predomina o objetivo da governabilidade ou as eleições, por cima da vida e sangue palestino derramado, também garças à participação cúmplice no financiamento e ocultamento do governo e de candidatos que se omitem quanto ao genocídio e as relações com o sionismo. Essa subserviência ao governo cúmplice do genocídio, em nome dos perigos do “golpe” ou da extrema direita, é responsável pelo esvaziamento dos atos, que estão muito aquém da necessidade de atos massivos, radicalizados e de combate, que a nova fase do holocausto palestino e limpeza étnica em Gaza exigem. E isso se deve à passividade cúmplice das direções sindicais e populares, que estão na base do governo burguês de frente ampla de Lula/Alckmin, que não convocam e não organizam suas bases para estrangular e atingir os interesses sionistas nosso país, e se negam a impor ao governo a ruptura dos acordos, erguendo a luta de classes.