


O Internacionalista n° 22 / NOTAS INTERNACIONAIS / dezembro de 2024
Coreia do Sul
Fracassa tentativa de Golpe na Coreia do Sul
A nota abaixo foi redigida e publicada no jornal O Internacionalista n°22, no dia na que tentativa de golpe fracassava sob pressão das massas, dos sindicatos e centrais e da oposição. Os eventos posteriores à sua publicação, mostraram que o golpe não progrediu pelo fato dos EUA não conseguir o impor porque agravaria a crise política ainda maior e entraria em choque contra a população.
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No dia 03/11, o presidente Yoon Suk Yeol decretou estado de sítio na Coreia do Sul, com apoio de um setor das Forças Armadas. Yeol impôs a lei marcial, suspendeu as garantias e liberdades constitucionais e fechou o Congresso, para proteger o país das “forças comunistas” e da desestabilização. O certo é que pretendia abortar uma nova possibilidade de impeachment contra o governo, e romper o impasse entre o Gabinete de Governo e a oposição (que controla o Congresso) ao redor do orçamento. Horas depois, apoiada por uma mobilização popular, a oposição e outros partidos furaram o bloqueio militar e, ocupando o Congresso, aprovaram o fim da lei marcial e a abertura de um novo processo de impeachment contra Yoon Suk Yeol. Ministros apoiaram a decisão. Rejeitado por mais de 80% da população e sem condições de continuar a aventura golpista, Yeol retirou a lei marcial e seus ministros renunciaram. Manifestações nas ruas pedem a renúncia do presidente. Os EUA mantiveram silêncio durante todo esse dia.
A tentativa de golpe pretendeu impor a centralização ditatorial das instituições em meio à grave crise política e econômica, marcada pela ascensão e massificação das greves operárias deste ano. A decomposição da democracia formal sul-coreana é parte da desagregação das instituições burguesas pelo mundo afora. Desde a criação da República, na década de 1960, a Coreia do Sul foi marcada por diversos golpes e ditaduras. Entretanto, nas condições em que Coreia do Norte fechou um acordo de “defesa mútua” com a Rússia contra quaisquer ameaças, a ênfase sobre a “ameaça comunista” indica que o golpe é condicionado também pelo agravamento das contradições mundiais e das tendências bélicas, como mostramos no Editorial Internacional publicado neste jornal.
A Coreia do Sul é subserviente às imposições norte-americanas. A Coreia do Sul tem 20 mil soldados estadunidenses alojados em bases militares no país. Muitos protestos de massas têm denunciado essa condição subalterna do país aos EUA. O governo burguês pró-imperialista é uma peça importante para os EUA em seu cerco contra a Coreia do Norte e a China. Em caso de um choque com a China, e que arraste a Coreia do Norte, é provável que se retomem as tendências de centralização ditatorial e militarização do país, como já aconteceu por diversas vezes, desde a Guerra da Coreia. Nesse sentido, o golpe expressa as contradições internas do país, e as tendências desagregadoras impulsionadas pelo imperialismo por toda a Ásia.
As lutas dos explorados e da juventude sul coreanas deve se orientar contra sua burguesia subserviente e ao imperialismo, e sempre na trincheira oposta ao imperialismo em toda parte.