
O Internacionalista n° 23 / NACIONAL / janeiro de 2025
Inflação elevada impacta sobre as condições de vida dos explorados, o reajuste do salário mínimo passa longe das necessidades das massas
Segundo dados do IBGE, a inflação ficou dentro da margem do esperado pela equipe econômica do governo. Porém, quando vamos ao supermercado, percebemos a alta dos preços nos alimentos mais essenciais dos brasileiros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 15 apresentou alta de 0,34% em dezembro, e fechou o ano de 2024 com variação acumulada de 4,71%. Em 2023, a previsão da inflação havia sido de 4,72%, sendo de 0,40% em dezembro. Já o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 1,51% para o período entre outubro e dezembro deste ano.
No grupo Alimentação e Bebidas, a alimentação no domicílio registrou variação de 1,56% em dezembro. Os aumentos do óleo de soja (9,21%), da alcatra (9,02%), do contrafilé (8,33%) e da carne de porco (8,14%) contribuíram para esse resultado.
A alimentação fora do domicílio, por sua vez, acelerou de 0,57% em novembro para 1,23% em dezembro. A refeição (1,34%) e o lanche (1,26%) tiveram variações superiores às observadas em novembro (0,38% e 0,78%, respectivamente).
Em Despesas Pessoais, a alta do cigarro (12,78%) foi determinante para o desempenho do segmento. Isso foi consequência do aumento da alíquota específica do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, incidente sobre cigarros, a partir de 1º de novembro. Também houve altas nos subitens cinema, teatro e concertos (2,58%) e cabeleireiro e barbeiro (1,37%).
No grupo Transportes, a passagem aérea subiu 4,43% em dezembro. Em combustíveis (0,09%), foram observados aumentos nos preços do etanol (0,80%) e do óleo diesel (0,41%), enquanto a gasolina (-0,01%) e o gás veicular (-0,12%) apresentaram variações negativas. Além disso, o subitem ônibus urbano subiu 1,20%, após gratuidades concedidas nas passagens no segundo turno das eleições municipais em diversas áreas contempladas pela pesquisa em outubro.
A alta do dólar no mês de dezembro tende a piorar esse cenário, isso ocorre porque os produtos do agronegócio (grãos, proteína animal, entre outros) e demais commodities nacionais seguem a preferência dos exportadores, que preferem vender para fora em dólares. Os produtos importados, como o trigo e seus derivados, por exemplo, tendem a ficar mais caros para os brasileiros. Os remédios, peças de automóveis e produtos eletrônicos também sofrem os impactos da alta da moeda americana.
O preço do dólar impacta também sobre o crescimento dos juros, o Banco Central tende a subir as taxas de juros, isso tende a impor pressão sobre as taxas de créditos e empréstimos, que ficam mais caros, afetando o consumo das famílias.
Como podemos ver, a alta da inflação retira e restringe da mesa dos trabalhadores os alimentos mais comuns da cultura de alimentação dos brasileiros. O governo burguês de frente ampla de Lula é incapaz de conter a alta dos preços. Ao contrário, conforme aplica as medidas de cortes do Arcabouço Fiscal, sobre o seguro defeso, sobre o abono salarial, auxílio Brasil, entre outros, só faz agravar as condições de existência dos explorados, retirando de grande parcela dos explorados partes de seus ganhos, que acabam reduzindo a capacidade de compra em face dos aumentos inflacionários. Conforme se consolidam as medidas da reforma trabalhista, com a ampliação das terceirizações, que priorizam cada vez mais as relações de trabalho, e se refletem também na redução dos salários pelo mesmo tempo e intensidade do trabalho, os trabalhadores assistem suas condições de sobrevivência minguarem, e seus salários serem reduzidos em “poder de compra” em relação ao passado imediato.
Anunciado via decreto, o reajuste do salário mínimo, determinado pelo governo Lula, fica bem distante das necessidades dos trabalhadores. Para 2025, o salário será de R$ 1.518, R$ 106 maior que no ano anterior. O índice de 7,5% não foi escolhido aleatoriamente, mas com base na lei de 2023, que trata da política de valorização do salário mínimo, atualizada por uma norma aprovada em dezembro de 2024 pelo Senado. Ao manter a correção anual pela inflação medida pelo INPC, a nova regra limitou o ganho real, que poderá variar de 0,6% a 2,5%. Com isso, houve uma perda de R$ 10 no reajuste.
Segundo dados do DIEESE, o valor do salário mínimo real, em novembro de 2024, deveria ser de R$ 6.959,31. Como podemos ver, o salário mínimo do governo federal passa longe das necessidades reais dos explorados. Essa miséria salarial, paga a 60,1% dos assalariados do país, mostra que o governo burguês pró-imperialista, está completamente a serviço do grande capital e contra os explorados. Se, de um lado, orienta crescentes recursos para pagar a dívida pública, de outro, retira dos assalariados esses recursos, retira do salário direto (salário mínimo rebaixado) e indireto (seguro defeso, bolsa família, redução das aposentadorias etc.), para enriquecer os capitalistas à custa de empobrecer progressivamente os trabalhadores. Dessa miséria salarial, decorrem inúmeros outros problemas, como uma alimentação rebaixada, tanto em qualidade dos produtos como na sua quantidade, reduzindo a variedade nutricional adequada para repor adequadamente o desgaste das capacidades físicas e intelectuais da força de trabalho, sofrido na exploração assalariada . Somam-se a isso ainda as doenças que matam milhares todos os dias; moradias inadequadas e localizadas em locais de risco que, com as chuvas, produzem um rastro de mortes; além das múltiplas violências sociais em decorrência da miséria cultural e intelectual, etc.
A defesa de um salário mínimo vital, suficiente para uma família de 4 pessoas, e reajustado automaticamente de acordo com a inflação medida pelos assalariados, é a medida que defende os explorados do arrocho que impõem os capitalistas e seus governos.
