
O Internacionalista n° 24 / NOTAS INTERNACIONAIS / fevereiro de 2025
Eslováquia
O imperialismo europeu se movimenta para manter a guerra na Ucrânia contra a oposição de governos
Na Eslováquia, depois da tentativa de assassinato do primeiro-ministro Robert Fico, em 15 de maio de 2024, nas últimas semanas, foram organizadas manifestações que exigiam sua renúncia, após anunciar que não apoiaria enviar novas armas para Ucrânia ou sua integração à OTAN, se Zelensky continuasse cortando o transporte de gás russo para Eslováquia. O governo denunciou a preparação de um golpe ao estilo do realizado na Ucrânia, em 2014. Os manifestantes e a União Europeia (EU) acusam Fico de “ditador” e “amigo de Putin”. Trata-se da mesma cartilha apresentada nas manifestações na Geórgia, em finais do ano passado, após a vitória eleitoral de Sonho Georgiano, partido que ensaia uma limitada soberania nacional, e se nega a continuar com sanções e ataques à Rússia. Como na Eslováquia, a oposição georgiana acusa o governo de “pró-russo” e exige sua deposição, juntamente ao imperialismo. Na Geórgia e Eslováquia, o objetivo é abrir uma via ao golpe de estado que beneficie o imperialismo em sua estratégia de continuar a guerra contra Rússia, depondo os governos que possam entravar seus interesses, ou anulando eleições que não certificam a vitória de seus candidatos.
Na Romênia, Calin Georgescu, crítico da OTAN e que expressou em sua campanha a revolta de amplos setores da população contra o financiamento da guerra na Ucrânia, à custa da redução de orçamentos para serviços públicos, subsídios e direitos, venceu no primeiro turno as eleições presidenciais. Mas, sua vitória foi anulada pelo Tribunal Constitucional. Assim, garantiu-se a vitória da governista e pró-imperialista Elena Lasconi. O golpe institucional contra o candidato mais votado do país se realizou após a denúncia da UE de “interferência russa” nas eleições e do porta-voz do departamento de estado norte-americano, Matthew Miller, criticar Georgescu como um “perigo” à OTAN. O imperialismo não deixaria eleger um presidente que, junto dos governos húngaro, eslovaco e sérvio, bloqueassem uma ação comum da UE para continuar com a guerra contra Rússia, os cortes orçamentários em benefício da indústria, e o parasitismo financeiro com o armamentismo. Será formada uma coalizão de partidos pró-imperialistas para “administrar” o estado provisoriamente, até novas eleições serem convocadas. Assim, o imperialismo rasgou a decisão das massas e jogou no lixo seus métodos burgueses para evitar que se imponha um governo contrário a suas imposições na guerra na Ucrânia. O “Conselho” é formado em instâncias do Parlamento e constitui, formalmente, um organismo ditatorial preposto , apoiado no imperialismo, ao formar um governo preposto, contrariando a própria democracia burguesa.
Na Sérvia, o presidente Aleksandar Vucic resiste a romper relações com a Rússia ou estender as sanções contra ela. Durante três meses, o país serviu de palco a manifestações calcadas nos “modelos” ucraniano e georgiano. Há uns dias atrás, Milos Vucevic demitiu-se como primeiro-ministro. A renúncia de Vucevic, acusado de cúmplice de uma tragédia que matou dezenas de pessoas em uma estação de trem construída quando ainda era prefeito, foi uma manobra para desativar esses protestos, que poderiam vir a confluir com os protestos que estão sendo organizados pela oposição pró-imperialista contra Vucic, como já acontece na Eslováquia.
A maioria dos eslovacos e dos romenos são contrários a que se continue financiando a guerra destruindo direitos sociais, empregos e salários. Apenas uma minoria da pequena burguesia e a parte da burguesia intermediária e dependente dos investimentos estrangeiros, que veem na Europa uma via para seu enriquecimento como classe, apoiam as manifestações na Eslováquia e Romênia. São parte dessas manifestações, milhares de imigrantes ucranianos que fugiram de seu país, e hoje vivem de subsídios sociais europeus para refugiados. Não é por acaso que entre as bandeiras nacionais da Eslováquia, assim aconteceu na Geórgia, se viam bandeiras da UE, dos EUA e da Ucrânia.
A defesa da democracia e das liberdades individuais mostraram uma farsa na boca da burguesia imperialista que desconhece eleições ou bem preparar movimentos golpistas para impor governos contra a vontade de seus povos, ou bem para derrubar governos que entravam os objetivos mais estratégicos do imperialismo da destruição da propriedade nacionalizada e dos estados operários erguidos sobre essa base econômica revolucionária. A transformação da Geórgia, Sérvia, Romênia e Eslováquia em bases de manobras contra a Rússia serve à política contrarrevolucionária da burguesia.
As manifestações e as ações golpistas organizadas e ditadas pelo imperialismo expressam as tendências bélicas da burguesia e seu objetivo de transformar o continente europeu inteiro em base militar para atacar a Rússia. Não é por acaso que a UE afunda na retórica belicista e na militarização da sociedade. E tudo em proveito dos negócios dos monopólios e do capital financeiro que lucram bilhões na indústria da guerra, transformando os parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu em um decorado farsesco da ditadura dos ditames capitalistas contra as massas e nações oprimidas.
Em Belarus, Lukashenko venceu as eleições com 84% dos votos, para seu 7º mandato, contra candidatos que integram seu governo e uma candidata do empresariado local. Também ali, a UE e os EUA não reconhecem os resultados e caracterizam sua eleição como fraude. Em toda parte, basta que um candidato opositor ao imperialismo vença para que se declare fraude nas eleições e basta que um candidato apoiado por ele ganhe para ser resultado da democracia, independentemente dos métodos utilizados.
Os revolucionários denunciam as manifestações da oposição eslovaca e as manobras das instituições romenas como golpistas e serviçais do imperialismo e da OTAN. Mas, também não apoiamos os governos burgueses atacados que serviram de instrumentos do imperialismo para a destruição das conquistas revolucionárias da propriedade nacionalizada, do emprego a todos e garantia de saúde e educação pública etc., destruídas após a restauração capitalista nesses países. Defendemos o direito das massas nacionais exploradas e oprimidas a decidirem por si mesmas sobre os assuntos internos de seu país. Nesse sentido, defendemos a mobilização independente do proletariado e das massas nacionais oprimidas em defesa de suas reivindicações comuns que impulsionam a luta de classes, e abrem caminho para a derrota do imperialismo e da OTAN e, portanto, ajudam a preservar a conquista revolucionária da economia nacionalizada da Rússia de sua destruição pelo imperialismo. Sobretudo, porque assim se abre caminho à luta revolucionária contra o imperialismo e a burguesia.
