O Internacionalista n° 24 / MOVIMENTOS / fevereiro de 2025


Desde que começaram este ano os atos contra os aumentos das passagens convocados pelo MPL e as direções do movimento estudantil (UNE, UBES e UPES), em 9 de janeiro, ficou claro que estão há anos separados das bases assalariadas e da juventude oprimida que irromperam nas ruas em 2013. No dia 9/01, conseguiram reunir milhares de manifestantes, fundamentalmente militantes de organizações e partidos políticos. Mas, nos atos seguintes (14, 16 e 22 de janeiro) apenas uma centena compareceu.
Os atos se caracterizaram pela ausência de bandeiras e reivindicações unitárias, por terem seus percursos delimitados pela PM e por ruas e locais que não afetaram a economia capitalista. Ordeiros e submetidos ao severo controle policial, sem um programa capaz de ampliar e incorporar, ativa e massivamente, os trabalhadores e a juventude oprimida, os atos que se seguiram ao do dia 09/01 se esvaziaram. As direções corporativistas e pequeno-burguesas não têm como se apoiar nas massas contra os ataques dos governos e dos capitalistas. Há muito abandonaram a luta pela defesa das bandeiras que reivindicavam no passado, e que de fato podem projetar a luta de classes (como aconteceu em 2013): Passe Livre para toda a juventude os desempregados e a expropriação e estatização (sem indenização) das empresas, sob controle dos trabalhadores e usuários. Sobretudo, estavam impossibilitados de unificar a vanguarda e os partidos que constroem as lutas e movimentos contra os governos, porque impuseram o centralismo burocrático, onde a direção decide tudo, rasgando em pedaços a história de assembleias e plenárias frentistas e democráticas que lhe outorgaram grande força e capacidade de mobilização há uma década atrás. Negam-se a convocar plenárias e assembleias de base, para que as massas e a vanguarda classista decidam sobre o programa, o caráter dos atos, seu percurso e com que métodos impor suas reivindicações. As falas ocorrem apenas por meio de jograis, que impõem o monolitismo da política da direção. Em 2013, os governos tiveram de enfrentar a força coletiva das massas e sua radicalização, quando impuseram sua soberania nas ruas, obrigando os governos a congelar naquele momento as passagens, mas que agora têm mãos livres para aprová-los, sem ter de enfrentar a resistência nas ruas. Direções burocratizadas e desligadas das bases se adaptaram aos calendários eleitorais e parlamentares, levando às derrotas.
Com o fracasso dos atos esvaziados e a incapacidade das direções reformistas e estalinistas ganharem força social, foi convocada, no dia 28 de janeiro, uma plenária nacional do MPL, a que foram convidados dirigentes sindicais (metroviários), partidos de esquerda e o Bloco Classista e Combativo. No seu começo, ficou claro que o objetivo dessa plenária era: 1) disciplinar e centralizar as forças e partidos que se colocam pela luta a se subordinarem a medidas para fortalecer as iniciativas parlamentares de deputados do PSOL e do PT; 2) impedir a formação de plenárias regionais de base que possam vir a servir de base para a iniciativa das massas sob um programa de luta real contra os governos e, nesse sentido, de organização de uma vanguarda classista e revolucionária; portanto, 3) fazer uma paródia de democracia para impor o que já estava decidido nas reuniões da direção pequeno-burguesa do MPL.
Uma menção à parte merecem as direções sindicais e os burocratas de esquerda da Conlutas. Ainda que a luta contra o aumento das passagens tenha uma real chance de vencer, se os trabalhadores dos transportes se inserem na luta paralisando as linhas, a exemplo do metrô, os diretores dos metroviários da Conlutas não convocaram assembleias de base para debater como garantir a unidade de ação, nem de reivindicações, junto aos atos contra o aumento das passagens. Pelo contrário, preferem enviar “delegações” ou dirigentes aos atos, contribuindo assim com o esvaziamento do movimento. Obstaculizam a construção da unidade frentista baseada na ação direta e na democracia operária. Portanto, contribuem passivamente para a derrota do movimento perante os governos.
Somente na luta travada coletivamente entre os assalariados e a juventude oprimida reside a força coletiva que pode derrotar os capitalistas e os governos. E isso exige a intervenção coletiva na tomada de decisões do programa, dos métodos, do caráter dos atos e da direção política dos protestos. A política revolucionária baseada na defesa do salário mínimo vital e móvel, ajustando os salários imediatamente à elevação dos preços (ali incluído o dos transportes); no passe livre à juventude oprimida, aos estudantes e desempregados; na imediata extensão dos benefícios e direitos conquistados pelos usuários, a exemplo da integração, para todos os assalariados e estudantes; a luta pela expropriação e estatização – sem indenização – das empresas privadas, sob controle coletivo dos trabalhadores e usuários, etc. É essa política proletária, e não a política pequeno-burguesa democratizante, que favorecerá a luta de classes e a derrota dos empresários e governos de turno.
O PPRI interveio em todos os atos organizados junto ao Bloco Classista e Combativo com faixas e distribuição de manifestos. O primeiro deles publicamos no OI n° 23 de janeiro, o segundo publicamos em anexo desta nota, no presente jornal. Interviemos ainda nos atos no ABC, junto do Comitê por Tarifa Zero, com falas e os manifestos. Em todos os atos, por meio de falas e boletins, exigimos a convocatória de plenárias e assembleias para organizar os atos e aprovar um plano unitário de reivindicações.