
O Internacionalista n° 25 / NOTAS OPERÁRIAS / março de 2025
Reabertura da Fafen PR
Burocracia da FUP, que ajudou a fechar a produção e chutar para a rua os operários na Fafen, agora festeja sua reabertura como uma conquista do governo Lula
Cinco anos depois da assembleia que aprovou o fechamento da fábrica, a direção do Sindiquímica-RR, informou no dia 03/03 a reabertura da Fafen (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná).
No dia 03 de março de 2020, a direção sindical teve um papel traidor na assembleia, ao apresentar as duas alternativas apresentadas pela patronal (Petrobrás) e o TST (tribunal Superior do Trabalho) como únicas a serem votadas: com ou sem a quitação dos débitos de direitos previstos no contrato coletivo. Nem cogitaram defender os empregos e evitar o fechamento, votando a ocupação da fábrica e a luta em defesa dos empregos. Apenas submeteram à votação aceitar as demissões e o fechamento. Neste momento, não havia qualquer perspectiva de que poderia existir a reabertura da fábrica, como colocada anos depois. Assim, a direção pelega empurrava os operários ao desemprego e à barbárie, logo no começo da Pandemia.
O dirigente do setor jurídico do Sindiquímica-RR, Reginaldo Lopes, afirma no site da FUP, que “Não foi uma decisão que expressou a vontade da maioria da categoria. Viemos com proposta pronta do TST e não foi sob crivo da negociação: foi sob o crivo da ameaça”. Quer dizer que os dirigentes da FUP, ao invés de mobilizar a categoria em defesa dos empregos, trouxeram a ameaça encaminhada por escrito como “proposta”, e eles a defenderam. Para se acobertar dessa traição, os burocratas afirmam que a aceitação na assembleia do fechamento evitou processos contra os grevistas da greve de 2020. Mais uma vez, nada da luta coletiva e unitária da categoria para impedir esses ataques com a luta de classes.
Para os burocratas, a reabertura da Fafen é graças ao governo Lula, enquanto seu fechamento foi de responsabilidade do governo Bolsonaro. Essa declaração demonstra até que ponto chegou o peleguismo dessa burocracia encastelada por décadas no sindicato. Mas, não esconde o fato de que a principal responsabilidade recai na direção do Sindiquímica-RR, da FUP e da CUT: quem levou a proposta do fechamento foi a direção sindical, em nome da patronal e dos interesses eleitorais do PT. O mesmo fizeram quando das massivas manifestações de 2021, ao se negarem a radicalizar a luta pela derrubada do governo Bolsonaro, e encerraram o movimento em nome da aliança eleitoral do PT para 2022.
O que fez a burocracia vendida não deve ser esquecido pelos operários conscientes. Não desconhecemos que a reabertura é uma boa notícia para quem somente depende de vender sua força de trabalho por um salário rebaixado para levar comida à mesa (cada vez mais cara) e pagar moradia, serviços, etc. Os burocratas têm garantido seus ganhos e privilégios das cotizações dos trabalhadores, sem sofrer junto deles pelas desgraças do desemprego. Somente uma direção que não se venda ao patronato e que esteja disposta a fazer a luta de classes em defesa dos empregos é que travar a luta e abrir a possibilidade de não se perderem cinco anos de trabalho dos operários, na mais absoluta incerteza.
Fica evidente a urgência e necessidade de construir uma oposição revolucionária e as frações classistas e revolucionárias no interior da categoria dos operários petroleiros e petroquímicos. É assim que a categoria terá sua cabeça erguida, apesar das derrotas conjunturais.
Com uma direção que já traiu tanto, as próximas greves estarão outra vez sob ameaça de serem vendidas! Com uma direção classista, as ameaças serão efetivamente respondidas com a luta de classes, a ocupação das fábricas e as greves!
