
O Internacionalista n° 25 / NACIONAL / março de 2025
O governo do PT está revertendo a desindustrialização?
A produção industrial brasileira fechou o ano de 2024 com um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior. É o terceiro resultado anual mais expressivo da indústria nos últimos 15 anos, ficando atrás apenas de 2010, quando cresceu 10,2%, e 2021, quando cresceu 3,9%.
Os setores que puxaram o crescimento para cima foram o de veículos automotores, reboques e carrocerias (12,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (14,7%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,2%).
Com o resultado, a produção da indústria nacional se encontra agora 1,3% acima do quadro que se encontrava antes da pandemia.
Os reformistas logo saíram anunciando que o Brasil está revertendo a desindustrialização. O presidente da
A produção industrial brasileira fechou o ano de 2024 com um crescimento de 3,1%, em relação ao ano anterior. É o terceiro resultado anual mais expressivo da indústria, nos últimos 15 anos, ficando atrás apenas de 2010, quando cresceu 10,2%, e 2021, quando cresceu 3,9%.
Os setores que puxaram o crescimento para cima foram o de veículos automotores, reboques e carrocerias (12,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (14,7%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,2%).
Com o resultado, a produção da indústria nacional se encontra agora 1,3% acima do quadro que se encontrava antes da Pandemia.
Os reformistas logo saíram anunciando que o Brasil está revertendo a desindustrialização. O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, em entrevista ao Agência Brasil, disse que “A partir do lançamento do programa Nova Indústria Brasil, pelo presidente Lula e pelo vice-presidente, ministro Geraldo Alckmin, a gente começou a ter, e a gente tem inúmeros números que comprovam isso, uma reversão nesse processo [de desindustrialização], com o anúncio, inclusive, de investimentos históricos liderados pela indústria brasileira”.
O que os defensores do governo não dizem é que a produção industrial no Brasil ainda está 15,6% abaixo do recorde alcançado em 2011. O nível atual é igual ao da indústria em 2004, ou, em outras palavras, foram duas décadas perdidas para a indústria nacional!
Desconsideram também o pífio investimento nacional em ciência e tecnologia, estrangulados pelas políticas de austeridade fiscal, como o Arcabouço Fiscal. Dados de 2021 evidenciam que, enquanto o Brasil investiu em média 1% do PIB em P&D nos anos anteriores, a média global foi de 2,5% do PIB, dos Estados Unidos foi 3,5% e na China 2,4%. E isso sem considerar que o volume de valores que compõem o PIB da China ou dos EUA é muito superior ao do Brasil, o que significa uma diferença de dezenas e dezenas de bilhões, compreendidas na diferença dos percentuais.
Outro indicador que mostra o baixo investimento em ciência e tecnologia é o de registro de patentes. Enquanto, entre 1985 e 2021, o Brasil manteve-se com um valor praticamente igual de pedidos de patentes, uma média de 22 por ano (a maior parte da Petrobrás), o número de patentes chinesas, por exemplo, aumentou 250 vezes. Demonstrando que o número de patentes tem relação direta ao desenvolvimento maior ou menor das forças produtivas, fundamentalmente, a seu componente tecnológico mais elevado.
As consequências da desindustrialização podem ser medidas pelos salários. Os dados da Relação Anual e Informações Sociais RAIS (2023), que só inclui os dados dos trabalhadores formais (celetistas e servidores públicos), mostram que a média salarial no Brasil é de R$ 3.383,36. Quando se analisa por setor, no entanto, percebe-se uma grande variação, sendo, no geral, os salários nos setores industriais mais altos do que nos demais setores. Na indústria extrativista (petroleira, mineração, etc.) a média salarial é de R$ 8.426,47. Na manufatura sofisticada (aeroespacial, eletrônica, etc.) a média é de R$ 6.000,00. O setor agrícola, por outro lado, tem a média mais baixa, R$ 2.375,81.
A análise dos dados em seu conjunto evidencia que o crescimento industrial de 3,1% da indústria em 2024 não expressa a reversão da desindustrialização ou o avanço das forças produtivas nacionais, mas uma recomposição parcial em relação a perdas anteriores. Outro elemento não avaliado é a base técnica e capacidade instaladas. O desenvolvimento chinês se realiza sobre uma reprodução ampliada das forças produtivas e uma crescente composição orgânica do capital constante (maquinaria, tecnologia aplicada, IA, etc.). Em parte, a recuperação no Brasil se realiza sobre uma base produtiva mais atrasada e sobre capacidades industriais subutilizadas. Isso explica ainda porque o Brasil produz mais que nos anos anteriores de profunda crise e retração, mas em volumes comparáveis aos de 20 anos atrás. Ocorreu o que os economistas chamam de “crescimento de base fraca”, que é quando há crescimento econômico após uma queda expressiva (crise de 2014/15 e Pandemia), ou seja, recuperação, não sobre a base de novas forças produtivas agregadas às anteriores, mas sobre a base da reconstrução das capacidades que foram destruídas parcialmente. É por isso que os períodos de crescimento são como voos de galinha, que não sobem alto, para logo na sequência caírem muito mais do que subiram, como já indicam os dados industriais dos meses de dezembro de 2024 e janeiro de 2025, que apontam para uma desaceleração da indústria.
