
O Internacionalista n° 26 / NOTAS INTERNACIONAIS / abril de 2025
Expulsões e Prisões de Estudantes pró-palestina nos EUA expressam o aumento das tendências repressivas:
Em defesa das liberdades democráticas e do direito de manifestação!
No dia 08 de março, agentes do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE na sigla em inglês) prenderam o líder estudantil Mahmoud Khalil, em frente à moradia estudantil. Khalil é palestino e tem residência permanente nos EUA (imigrante legal). A acusação é de ter de participado de movimentos pró-palestina, de antissemitismo e apoio ao terrorismo. Na prisão, o preso político escreveu uma carta, dizendo que: “Minha prisão foi consequência direta do exercício do meu direito à liberdade de expressão, pois defendi uma Palestina livre e o fim do genocídio em Gaza, que foi retomado com força total na noite de segunda [referindo-se ao recente descumprimento do cessar-fogo por parte de Israel]”.
Dias depois, no dia 13 de março, a Universidade de Columbia informou que aplicou uma série de punições (suspensões, revogações temporárias de diplomas e expulsões) a estudantes que participaram durante o ano anterior de manifestações em defesa dos palestinos e contra o genocídio realizado pelo Estado de Israel em Gaza. O anúncio ocorreu logo após o governo Trump ameaçar cancelar um repasse de US$ 400 milhões e alguns contratos com o governo federal. A instituição é privada e está sediada em Nova Iorque, local onde se iniciou a onda de mobilizações, com acampamentos, ocupações e manifestações que se projetaram por todo o país, no ano passado. No dia 21 de março, a Universidade informou que proibiria o uso de máscaras por manifestantes, que deu poder de polícia (para averiguar e prender) pessoas dentro do campus e a retirada do controle dos professores sobre o currículo ministrado nos cursos sobre o Oriente Médio.
Ainda no mês de março houve a demissão da professora de origem iraniana Helyeh Doutaghi, da Escola de Direito de Yale, que no ano passado organizou uma atividade política no campus intitulada “Uma Política Econômica do Genocídio e Imperialismo”, também sob a acusação de defesa do terrorismo e de antissemitismo.
As centenas de medidas repressivas contra os estudantes e docentes que ousaram exercer o direito à liberdade de expressão, manifestação e organização na “maior democracia do mundo” são um passo na escalada da política repressiva contra os movimentos e militantes nos EUA. Já havíamos denunciado [OI 16 de junho de 2024] o avanço do Projeto de Lei de Conscientização sobre Antissemitismo, proposto por parlamentares democratas e republicanos; bem como do marco legal aprovado pelo Departamento de Educação dos EUA (DOE), que prevê “a) proibição de acampamentos em instalações universitárias, b) limitação da duração dos protestos e c) delimitação dos espaços permitidos, e) solicitação antecipada da autorização para manifestações, f) impedimento de participação e entrada no campus aos que não têm identificação universitária, etc.” [OI 19 de setembro de 2024).
Os episódios – que lembram o macartismo, quando, no início da “guerra fria”, houve um processo de perseguição política contra os suspeitos de serem comunistas – expressam a democracia burguesa em decomposição, refletindo, por sua vez, a decomposição econômica e social do capitalismo.
Em nome da “segurança nacional” e do combate ao “terrorismo” e do “antissemitismo”, a burguesia norte-americana, seja sob a direção democrata ou republicana, avança o regime antidemocrático, que nega as liberdades democráticas (direito de organização, manifestação, expressão, etc.). Não irá demorar até essas medidas se deslocarem até os sindicatos. Existe uma lei da década de 1950 – ainda em vigência – que permite o governo intervir nos sindicatos por “ameaças à segurança nacional”, e que poderá ser utilizada contra greves e ocupações em defesa de direitos e salários, ou que atinjam a indústria e transporte de armas. Os traços fascistizantes do governo Trump correspondem a uma época de profunda reação burguesa e de necessidade de aumentar os lucros capitalistas à custa de afundar na miséria as massas nacionais, e de agravar as tendências bélicas, que abrem caminho para a maior militarização das relações econômicas, sociais, políticas e civis.
A classe operária e os demais oprimidos devem denunciar as perseguições aos estudantes e professores que se mobilizaram em defesa da Palestina e contra o genocídio do Estado de Israel, devem denunciar as medidas repressivas formuladas e aplicadas, seja por republicanos ou democratas, e levantar alto a defesa das liberdades democráticas para os movimentos sociais e sindicatos! A defesa dos métodos da ação direta, e do direito das massas em luta aplicarem sua soberania e democracia operária, é parte do programa revolucionário do proletariado para ajudar as massas a superarem suas ilusões na institucionalidade burguesa, e se aproximarem de sua estratégia revolucionária.
