O Internacionalista n° 26 / NACIONAL / abril de 2025


Os capitalistas destroem continuamente o meio ambiente. Ao mesmo tempo, financiam eventos sobre mudanças climáticas para ocultar as reais condições e relações de produção e propriedade que levam à destruição do meio ambiente e, assim, criam a ilusão de que é possível superar os problemas ambientais por meio de políticas de redução da exploração ambiental sob o capitalismo.
A COP é uma edição da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. É um evento que está mobilizando ativistas, movimentos e entidades de defesa do meio ambiente para a edição brasileira, COP 30, que acontecerá na cidade de Belém/PA, em novembro.
Nesse contexto, os povos indígenas, movimentos e ativistas são submetidos à ideia de adaptação e amenização das mudanças climáticas, que estão cada vez mais aceleradas, e cientistas preveem um cenário drástico para a humanidade, especialmente para os povos e nações mais pobres.
Não é possível existir capitalismo “verde” ou capitalismo “sustentável”, ou mesmo a amenização dos problemas ambientais, quando a lógica da produção social é direcionada ao lucro, quando reina anarquia da produção, sob o capitalismo. O Acordo de Paris, da COP21, que tem como principal objetivo reduzir a emissão de gases de efeito estufa dentro de um desenvolvimento sustentável, e manter o aumento da temperatura média global em 1,5ºC, se mostrou um fiasco.
Ano passado, 2024, a média da temperatura global subiu para 1,6ºC, ano mais quente já registrado, segundo a Organização Metereológica Mundial (OMM). O aumento da temperatura global não está retrocedendo, mas aumentando, e se aproximando cada vez mais do ponto de não retorno, segundo cientistas, no qual mudanças climáticas podem levar à situação de tornar a manutenção e recuperação da biosfera insustentável. Ainda conforme a OMM, a última década foi a mais quente registrada.
Nem o Protocolo de Kyoto (1997), nem o Acordo de Paris (2016), e nenhum outro acordo ou convenção sobre o meio ambiente terá efeito, porque são convenções e tratados dos próprios capitalistas, os mesmos que degradam o meio ambiente com a exploração predatória de seus recursos. Os problemas ambientais são produzidos, principalmente, pela indústria e exploração capitalista de recursos naturais, seja para o garimpo, para a comercialização de madeira, latifúndio, extração dos recursos minerais e naturais que visam a fornecer matéria prima para os países industrializados, com baixos investimentos de capitais e taxas de lucro elevadas. A degradação ambiental não pode ser freada, quando o problema é confiado ao sistema que é responsável por isso. A COP30 nada mais é do que a convenção da burguesia sobre o meio ambiente, e os objetivos desta conferência são ludibriar aos explorados e oprimidos que são os que mais sofrem dos efeitos e consequências da destruição do meio natural à existência humana, uma vez que suas propostas são completamente inviáveis dentro de um contexto de manutenção do sistema capitalista.
As mudanças climáticas e demais problemas ambientais só poderão ser resolvidos dentro do campo da luta de classes, como parte da luta pelo programa e estratégias revolucionárias, em que os mais afetados pelos problemas ambientais, trabalhadores e povos oprimidos, utilizem seus próprios métodos de luta contra o sistema capitalista que destrói a natureza, modifica o funcionamento da natureza e torna ainda mais oprimida a vida dos povos tradicionais, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, trabalhadores do campo. É preciso superar as duas posições burguesas e imperialistas atualmente em choque no mundo, tanto a posição obscurantista que nega as mudanças climáticas (extrema-direita), quanto a posição que diz ser possível o capitalismo “sustentável” (social-democratas, Partido Democrata, reformistas de toda espécie, etc.). Somente com a revolução proletária e a planificação racional da economia, será possível superar a anarquia da produção e aplicar os métodos científicos mais elevados e a tecnologia para extrair da natureza somente o necessário para a produção e reprodução da vida humana, garantindo a reprodução do meio natural e estabelecendo uma relação mais harmônica entre o homem e a natureza.
Não subordinar as lutas pelo meio ambiente às ilusões propagandeadas pelas convenções burguesas do meio ambiente! As demais COPs demonstraram a inviabilidade e a farsa do “capitalismo sustentável”! O meio ambiente só pode ser preservado e protegido com a superação do sistema capitalista! É por isso que as lutas devem ser classe e independentes das políticas e acordos burgueses! Em defesa do socialismo e da planificação da economia!