
O Internacionalista n° 26 / SINDICAL / abril de 2025
Trabalhadores da educação – Estado SP (Apeoesp)
A FALACIOSA “CONSTRUÇÃO DA GREVE” E A CONTENÇÃO DAS LUTAS IMOBILIZAM O MAGISTÉRIO PAULISTA, PERMITINDO QUE AS MEDIDAS DE ATAQUES DO GOVERNO TARCÍSIO/FEDER AVANCEM
Na reunião do Conselho Estadual que aconteceu no dia 21 de março, antes da assembleia, a direção traidora da Apeoesp apresentou uma manobra, dizendo “ser favorável à greve”, porém não imediatamente. Essa postura da direção visa a ocultar sua decisão de não impulsionar a greve e tentar não se desgastar ainda mais com as bases, mas sobretudo para impedir que a luta dos professores saiam de seu controle burocrático e de sua política de conciliação subordinada à frente ampla que sustenta o governo burguês Lula/Alckmin.
Uma greve na maior rede estadual do país possivelmente se projetaria nacionalmente. O que com certeza abriria caminho a outras greves que iriam se chocar com o governo Lula e sua política de arrocho salarial, junto ao funcionalismo público que, no ano passado, protagonizou greves contra o governo.
Na reunião, chamou a atenção a postura da Oposição Combativa/OC, onde a corrente Lute se aliou ao Fórum das Oposições (subordinada à Articulação Sindical/PT desde as últimas eleições sindicais), defendendo o calendário da burocracia contra a greve. Outras correntes da mesma OC também defenderam calendários e datas diferentes. Essa situação aponta para a dissolução da Oposição Combativa, que no ano passado colaborou com a traição da Articulação e Fórum de votar contra a greve já no dia 15 de março. Percebemos que nossa ruptura com este grupo foi acertada, porque teve por base o rechaço a essa traição – que foi preparada em uma plenária para votar contra a greve imediata um mês antes. É visível que a esmagadora maioria das correntes de esquerda que compõem a OC não conseguem se desvencilhar da órbita das correntes que compõem a direção burocrática Articulação Sindical/PT, PCdoB e PSOL. O elemento que as conectam e unificam na prática é o eleitoralismo, a subordinação à democracia burguesa ou ao governo burguês de Lula, e a ilusão que é possível obter vitórias no parlamento burguês ou na justiça patronal.
A Corrente Marxista Guillermo Lora/PPRI atuou na reunião de representantes juntamente com a LOI (Liga Operária Internacionalista), como UICC ( Unidade Independente Classista Combativa), denunciando a manobra da burocracia, defendendo a greve imediatamente, atrelada aos métodos da luta de classes, com as ações diretas de massas (greves, ocupações, piquetes, etc.), para enfrentar imediatamente os duros ataques do governo.
No início da votação das propostas, pedimos questão de ordem para apontar que o que deveria ser votado seria a posição favorável e a contrária à greve. Negaram-nos a questão de ordem e votaram pela greve, mas só para 25 de Abril. Ao término dos trabalhos, uma militante do PSOL pediu a palavra para defender a “estratégia” de aprovar ser favoráveis à greve, mas não agora, fosse repetida na assembleia. Nota-se que a dissolvida Oposição Combativa abriu espaço para que várias de suas correntes se tornassem aliados políticos da burocracia. Tomamos a palavra e nos posicionamos contrários a essa posição, apontando que se tratava de uma manobra para enganar a categoria e a desmobilizar. Outro militante, em seguida, disse que nossa posição estava vencida. Assim, deixamos claro que se tratava de uma manobra acordada pela direção com setores da OC para votar contra a greve.
A assembleia, assim, postergou a greve da categoria. Portanto, deu tempo ao governo reacionário de Tarcísio para continuar seus ataques sem a resistência coletiva. Marcada por manobras da direção majoritária da APEOESP, a assembleia iniciou com um filtro que impedia as correntes de oposição presentes no sindicato de realizarem suas defesas no caminhão, apenas um grupo restrito delas conseguiu subir e apresentar suas propostas. As falas da burocracia iniciaram colocando primeiramente em votação a aprovação da greve, que por unanimidade foi aceita. Mas, logo na sequência se põe em prática a traição contra a categoria no momento em que o calendário de lutas é apresentado para a votação, onde as correntes separadas por blocos expuseram suas propostas. Nós, da Corrente Sindical Marxista Guillermo Lora, propusemos greve imediata, com nova assembleia para a sexta-feira dia 28/03, esta data também foi defendida pela LOI, POR, UP e PSTU. Na sequência, o Nossa Classe (MRT) apresentou a data do dia 11/04, em proposta unificada com o Combate, Resistência e Luta, e o PCO. Por fim, as correntes que compõem a chapa 1, burocracia venal e os neopelegos do Fórum das Seis, retomaram a fala de abertura no caminhão defendendo o dia 25 de abril como melhor data para uma nova assembleia para votar a greve.
A dissolução da OCS serviu aos objetivos da burocracia petista, pecebista e psolista. Esfacelou a defesa de uma proposta unitária contrária à burocracia pela greve imediata, que poderia ter sido um guia para a categoria apoiar massivamente. A defesa de datas “intermediárias” pelo MRT, Combate, Resistência e Luta e PCO serviu contra a greve imediata, mas ajudou a burocracia a impor o discurso de “construir a greve”, ou seja, protelar e desmobilizar para que não haja greve. Mais uma vez, ainda que sob diferentes métodos e resultados, a OC serviu objetivamente aos interesses da burocracia.
O chamado para o dia 21/03 ocorreu tardiamente, uma vez que as atribuições de classes/aulas já se deram, e acompanhamos, até aqui, o aumento no desemprego e subemprego que assola a categoria, bem como as jornadas estafantes, o aumento dos estudantes nas salas de aula (devido ao fechamento de salas e turnos), bem como o assédio e controle através das plataformas digitais, que expressam o avanço da precarização, terceirização, controle autoritário sobre o processo de ensino e aprendizagem, bem como a privatização da educação paulista. De forma que empurrar a greve para daqui para mais mês, usando o discurso de que ela “deve ser construída” é uma falácia que serve aos objetivos dos burocratas traidores, além de que dá as costas à insatisfação da categoria e a suas necessidades de defender já seus empregos, direitos e salários. Essa política acaba desmotivando a categoria, e servindo para enfraquecer as próximas mobilizações, sempre colocando para um futuro distante a resposta para os problemas imediatos que enfrentamos. A não votação da greve imediata, nessas condições, é uma traição, porque desarma e desmobiliza a categoria, que está sendo duramente atacada pelo governo, e deu mostras de querer lutar.
QUEM OPRIME E AMEAÇA A CATEGORIA É O GOVERNO. O SINDICATO NÃO PODE REPRODUZIR O TERRORISMO ANTI-GREVE ENTRE OS PROFESSORES
Durante as falas no caminhão, membros do Fórum das Seis, sempre alinhados com a política da burocracia sindical e seus “leões de chácara”, novamente ameaçaram indiretamente os professores categoria O de demissão, ao pronunciarem que estes professores “não podem ter duas faltas mensais no trabalho, pois essas ausências são passíveis de demissão”. Que haverá feriado prolongado em abril, o que dificulta as ações dos grevistas. Essas defesas reforçam a opressão e o assédio colocado pelo governo de turno e suas correias transmissoras nas escolas, que ameaçam com a perda de direitos os que querem lutar, etc. Quem nos ameaça com fala de desemprego é a SEDUC, são os diretores de escola, com seus termos e pseudo orientações, ou seja, esse é sempre o papel dos organismos do governo. Diferentemente, o papel do sindicato deveria ser defender a categoria contra as ameaças, e fortalecer a categoria para a luta, encorajando-a e estendendo o direito de greve para todos os professores, independente da letra que o configura.
É bom observar que este caso não ocorreu de forma isolada, mas, já durante a assembleia do ano passado, o mesmo integrante do Fórum fez falas semelhantes para tentar conter os ânimos dos professores que ali se encontravam e estavam a favor da greve imediata. A covardia e peleguismo dos que reproduzem a fala da patronal no interior de nosso organismo de luta, agindo como polícia política do governo, como os de Serginho (scola na Luta), se multiplicaram e reverberam nas subsedes dirigidas pela burocracia sindical e seus satélites e seguidores, nos colocando a árdua tarefa de denunciar a repressão ideológica desses agentes do governo e defender e fundamentar o direito de greve da categoria para todos os professores, como um direito que se conquistou e se conquista na luta de classes. A burocracia venal e os traidores do Fórum das Seis estão cumprindo um desserviço para a categoria. Em troca do parasitismo sobre os recursos do sindicato que lhes são oferecidos com cargos, etc., a Articulação exige deles que sejam mais e mais pelegos. Por isso, enfrentar essas ameaças, que são mais um estratagema na contenção da luta, é parte de nossa tarefa, uma vez que dentre o professorado paulista os professores contratados somam mais de 100 mil.
APENAS A AÇÃO DIRETA ATRAVÉS DA GREVE PODERÁ BARRAR OS PROJETOS PRIVATISTAS EM CURSO
Ao postergar a greve, a burocracia sindical abre caminho e o pavimenta para o avanço das medidas de ataques impostas por Tarcísio/Feder para a educação no Estado de São Paulo. Seguindo uma medida geral, Tarcísio implementa no Estado o que o Governo Federal desenvolve em todo o País. Combater as políticas de Tarcísio/Feder é combater o governo de Frente Ampla de Lula/Alckmin e seu arcabouço fiscal. Eis o elemento que serve de trava para que a luta de classes não ganhe corpo e avance. Mais especificamente na APEOESP, no caso dos professores, combater de fato as medidas de ataques impostas por Tarcísio é combater diretamente as políticas aplicadas pelo Governo Federal, que atacam todos no Estado de São Paulo, e também os do Brasil inteiro. Por este motivo, a burocracia sindical permanece em suas falas, defendendo os arranjos parlamentares na ALESP, as ações jurídicas que são derrubadas rapidamente pelos governos, e a eterna construção da greve, conforme ocorreu em nossa última assembleia.
É necessário romper com a política de conciliação de classes da direção majoritária que compõe o sindicato dos professores e superá-la por meio da ação massiva da base. É necessário fazer uma ampla campanha agora pela aprovação, na próxima assembleia, da greve imediata, que permitirá que os comandos de greve percorrem as unidades escolares, e que estas paralisem suas atividades, passando por cima das traições e imobilismo da direção.
A greve é o instrumento de luta e defesa contra os ataques do governo, porque apenas o movimento da categoria organizada e em luta poderá barrar os projetos privatistas em curso, defender a escola pública e demais serviços públicos, que são cotidianamente atacados pelas privatizações.
