
O Internacionalista n° 26 / SINDICAL / abril de 2025
Privatização na CPTM
Burocracia do Sindicato dos Ferroviários de SP enterra greve aprovada em assembleia e favorece a privatização das linhas 11, 12 e 13 da CPTM
Mais uma privatização realizada por Tarcísio
O Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) já privatizou: 1) A linha 7-Rubi e Trem Intercidades São Paulo/Campinas, em fevereiro de 2024; 2) A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), em abril de 2024; 3) A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em julho de 2024; 4) Diversas concessões de rodovias por todo o Estado; 5) A construção e gestão de 33 escolas estaduais por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). Todas as privatizações contaram com o apoio do Governo Federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com os seus créditos fartos e subsidiados.
No dia 28 de março de 2025, foi a vez do lote “Alto Tietê” da CPTM, que inclui as linhas 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade). A concessão será de 25 anos para o grupo Comporte, que atualmente administra as concessões do metrô de Belo Horizonte e da linha 7 (Rubi), também da CPTM.
As próximas linhas privatizadas serão as 10 e 14, ambas também da CPTM.
Burocracia do Sindicato dos Ferroviários enterrou a greve aprovada em Assembleia, pavimentando o caminho “pacífico” para a privatização
No dia 20 de março, houve uma assembleia massiva dos trabalhadores ferroviários da CPTM que, diante da ameaça de uma nova privatização e de suas consequências – como perda do emprego (por demissão direta ou PDV), rebaixamento de salários e direitos, terceirização, etc. – aprovou, por ampla maioria, a greve por tempo indeterminado a partir do dia 26 (dois dias antes do leilão).
A aprovação da greve por tempo indeterminado expressou claramente a decisão de um setor das bases de enfrentar o privatismo com a ação direta. Mas, a a direção burocrática do Sindicato dos Ferroviários (filiado à UGT) negociou com a empresa por cima dos trabalhadores e transformou a assembleia de preparação da greve (organização dos comandos de greve, piquetes, etc.) do dia 25, em uma assembleia para justamente enterrar de maneira burocrática o movimento grevista. O Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM (CLCP) denunciou que a votação, ocorrida após a burocracia mobilizar os pelegos e chefes da CPTM, foi 23 a 20 pela não greve e aceitação de uma proposta de conciliação feita pelo TRT2, chamada de “cláusula de paz”, que autoriza o sindicatos a, em troca da greve, fazer reuniões nos locais de trabalho, e permitir aos ferroviários que trabalhem de roupa preta durante a semana, para demonstrar o luto. A proposta do TRT foi feita após a direção da empresa recusar a proposta feita pela direção sindical, de garantia dos empregos dos trabalhadores. Ou seja, deixou claro que o futuro após as privatizações serão as demissões e ataques aos salários e empregos.
Com o enterro da greve, a burocracia vendida e governista do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo pavimenta a estrada para que o processo de entrega das linhas 11, 12 e 13 ocorra dentro da completa normalidade, e cria melhores condições ao governo, apoiado na traição da direção, para depois continuar privatizando as linhas 10 e 14.
A greve no transporte ferroviário da maior cidade da América Latina tinha o potencial de rapidamente de atingir diretamente os interesses dos capitalistas e consolidar um processo de enfrentamento com o governo, por meio da luta de classes, de unificar a luta com trabalhadores dos demais setores e os usuários do transporte e de colocar em xeque a privatização das linhas do “Alto Tietê”, e também as próximas que estão na lista do governador. Inclusive, poderia abrir um caminho para a reorganização da luta contra as já privatizadas, sob a bandeira da reestatização sem indenização.
Entretanto, as tendências de luta, que também se expressaram na greve unificada dos trabalhadores da Sabesp, metrô e trens, em outubro de 2023, foram desmontadas e desviadas pelas direções da base do governo Lula, que se negaram a continuar a greve e, assim, favoreceram o governo e os capitalistas para impulsionarem as privatizações sem resistência.
Os episódios e traições impostas pelas direções burocratizadas, contra os interesses e necessidades das bases e dos assalariados que usufruem dos transportes, reforçam a importância dos trabalhadores organizarem as frações revolucionárias nos sindicatos, para defenderem as reivindicações e servirem de instrumento à luta de classes, conquistando a independência de classe dos sindicatos diante patrões e governos, e varrendo a burocracia vendida e governista, que rebaixa as reivindicações mais sentidas e o método da ação direta, para impedir que a luta se generalize e, portanto, se imponha com seus métodos e estratégia próprias.
