
O Internacionalista n° 27 / SINDICAL / maio de 2025
Direção burocrática da Apeoesp cede às migalhas do governo e à pressão da justiça burguesa e se posiciona contra a greve.
Um dia antes da assembleia (24 de abril), a direção majoritária (articulação sindical/PT, PCdoB, Fórum/Psol) soltou um Informe Urgente dizendo que o governo respondeu parte da pauta de reivindicações (com relação às regras do estágio probatório dos professores ingressantes no último concurso, com a abertura da falaciosa mesa de negociação e reposição dos dois dias de assembleias com paralisação) e abandonando o chamado para a greve.
Na reunião do Conselho Estadual de Representantes (CER), a direção leu a resposta do governo que, dentre outras coisas, concedia 5% de reajuste para o conjunto do funcionalismo. Na mesma reunião, o DIEESE apontou que essa porcentagem já estava prevista na Lei Orçamentária votada no ano anterior. Segundo o expositor, desde a implantação dessa legislação (de 2009 até 2025) tivemos uma inflação de 151,2%. Contando com os reajustes anuais, ainda temos uma perda de 20,3%. Essas perdas referem-se somente aos reajustes da lei nacional.
Na reunião houve três propostas sobre a votação da greve e o calendário, são elas: 1) A da burocracia: que abraçou a proposta ultra rebaixada do governo, apresentada numa resposta enviada por escrito pelo governo. No documento, que parece mais uma carta de intenções, fala-se em 5% de reajuste e a possibilidade de se abrir a falaciosa mesa paritária para discutir outros pontos da lista de reivindicações. Assimilando a pressão do governo que obteve uma liminar na justiça impondo que se houver greve, será preciso manter 70% do funcionamento das escolas sob multas ao não cumprimento. Partindo dessa pressão, a direção se posicionou contra a greve. No entanto, fizeram mais uma vez a manobra de colocar todos para votar “em defesa” da greve para esconder sua posição contra essa; 2) As demais correntes, como Nossa Classe, MRT, Reviravolta, etc. defenderam a continuidade da greve com a unidade com a greve dos servidores municipais da capital; 3) Nossa proposta, defendida pela UICC, foi em defesa da deflagração da greve por tempo indeterminado, compreendemos que não era continuidade, pois o dia 25 foi de paralisação. A burocracia o chamou de “greve”, para escamotear sua postura traidora e mentirosa de “construção da greve” desde o ano passado, e dizer que fez a “greve”. Colocar que era a continuidade favorecia a burocracia que poderá sair fortalecida dizendo que “a greve do dia 25”, conquistou o reajuste para a categoria, que conseguiu abrir negociação com o governo. A direção atropelou nossa defesa e votou somente a primeira e segunda propostas.
Na assembleia, a direção impôs um controle rigoroso para impedir a subida ao caminhão de som. Além dos bate-paus, colou-se as mulheres na entrada e corredor do caminhão para impedir a subida dos militantes que queriam fazer falas. Como parte do controle, a direção limitou as defesas em apenas 10, 5 para defender seu calendário e 5 para defender “a continuidade da greve”.
Nós, da Corrente Sindical Marxista Guillermo Lora (CSM-GL) depois de muito gritar pedindo a fala, só conseguimos falar após as votações da assembleia. Aproveitamos para denunciar a truculência da direção que impediu o debate, mostramos que ficou claro que a greve havia sido aprovada pela maioria dos presentes, mas que a direção mais uma vez manobrou colocando que foi aprovado seu calendário (contrário à greve). Deixamos claro que a traição está ligada à subordinação da direção ao governo burguês de frente ampla nacional que mais uma vez golpeia os trabalhadores, que também se expressou na não votação da greve em unidade com os trabalhadores do funcionalismo municipal que enfrentam o governo Nunes com as mesmas medidas do estado: arrocho salarial, retirada de direitos, privatização da gestão das escolas públicas, destruição dos serviços públicos, etc.
No dia 9 de maio, data da próxima assembleia, estaremos novamente denunciando as traições da direção que tem feito acordos com o governo pelas costas da categoria. Conseguir negociar a reposição da paralisação do dia 25 de abril, antes que ela ocorresse, é uma prova concreta dessa situação.
