
O Internacionalista n° 28 / NOTAS OPERÁRIAS / junho de 2025
Operários petroleiros contra o genocídio palestino
FUP e FNP substituem método de luta da classe operária e cobram Lula por carta
No dia 28 de maio, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) publicaram uma carta assinada em conjunto, endereçada ao presidente Lula, na qual cobram “embargo energético a Israel contra o genocídio em Gaza” e “paralisação imediata de projetos com empresas de energia israelenses”.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de 2.7 milhões de barris de petróleo bruto, o equivalente a quase US$216 milhões (mais de R$1.2 bilhão), do qual parte abasteceu e abastece os veículos militares de Israel usados no holocausto dos palestinos. Lula, por diversas vezes, declarou que se trata de um genocídio, mas não adotou nenhuma medida para conter o avanço militar de Israel, como romper as relações comerciais. Ao contrário, mantém a crescente venda de matérias primas utilizadas para massacrar os palestinos, como aço, petróleo bruto e refinado, enquanto importa inseticidas, fertilizantes, aeronaves da IAI (Israel Aerospace Industries), armas e munições.
A venda de óleos combustíveis de petróleo e de minerais betuminosos do Brasil para Israel, em 2024, teve um aumento de 12.380% em valores em comparação com 2023. E, até abril de 2025, teve um aumento de 256% em relação a 2024, chegando a cerca de R$900 mil. O valor exportado em 2025 é 44.300% maior que aquele de 2023. Também é 790% maior do que em todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, um dos maiores defensores de Israel.
Para se posicionar verdadeiramente contra o genocídio do povo palestino, é necessário parar a compra e venda com Israel. A carta da FUP e FNP não irá “tocar a consciência” de Lula para efetivar o fim das relações comerciais, já que ele está à frente de um governo alinhado ao imperialismo ianque.
As direções de ambas as federações e dos diversos SindiPetros devem organizar suas bases a partir de assembleias, para iniciar uma mobilização, culminando com greves e ocupações, que paralise a extração, refino e transporte de petróleo destinado à Israel, portanto, aplicando os métodos de luta dos operários – a ação direta.
Retomar os métodos de luta da classe operária: boicotar a exportação de petróleo, com greves e ocupações de refinarias, unidades de tratamento e etc., que abastece o exército genocida de Israel.
