O Internacionalista n° 29 / MOVIMENTOS / julho de 2025


O ato do dia 15/06, em Boa Vista (RR), foi organizado pelo Comitê em Defesa da Palestina de Roraima, do qual fazemos parte. O ato se realizou como parte da Marcha Global pela Palestina, em que milhares de ativistas de quase 50 organizações de diversos países, se encaminhavam em direção à fronteira sul de Gaza (Rafah) para pressionar aos governos para a abertura total das fronteiras para ajuda humanitária e pelo fim do genocídio.
A atividade foi pequena, contou com cerca de 30 pessoas. Participaram, Levante, PCB, PPRI, SESDUF-RR, DCE, Correnteza/UP, o presidente da CUT, e independentes. Apesar de pequeno, representou um passo importante numa região em que não há tradição de manifestações e atos políticos, sobretudo, para manifestações políticas internacionalistas que excedem a realidade regional ou nacional. Sua importância reside em que serviu para denunciar o genocídio dos palestinos para os trabalhadores e juventude, chamando a atenção da sociedade para a matança de crianças e a limpeza étnica do povo palestino, executados por Israel e financiado pelo imperialismo estadunidense, e ainda para reforçar a exigência ao governo Lula/Alckmin a que rompa todas as relações entre Brasil e Israel.
Uma semana antes do ato, não havia pelas correntes, sindicatos e partidos qualquer manifestação favorável a nos unirmos aos atos internacionais e manifestações de revolta dos oprimidos pelo mundo todo. Nesse sentido, publicamos uma “Carta Aberta” dirigida às correntes e partidos assinalando que o Comitê devia tomar a iniciativa de realiza um ato na região, expressando assim a luta política que se manifesta nacionalmente pelo fim do genocídio. Foi um acerto realizar essa “ofensiva” porque pôs de relevo a importância de nossa região ser um também um canal de expressão dessa disposição de luta.
O PPRI esteve presente ativamente na organização e participação do ato. Interveio defendendo o direito de autodefesa do Irã e das nações oprimidas sob ataque do imperialismo e do sionismo. Denunciou o genocídio como uma manifestação da luta de classes mundial e defendeu combater o sionismo com ação direta, como luta de massas. Foi distribuído aos presentes o manifesto do partido em que se questiona as direções e correntes que boicotam a organização de uma luta nacional para que o governo rompa relações com Israel.
O PPRI denunciou ainda que esse governo compactua com o sionismo, assim como compactua com o capital financeiro quando preserva os lucros deles em detrimento da redução do orçamento para gastos sociais como saúde, educação, moradia e assistência social. E por isso a juventude é mutilada, está desempregada, com um sistema educacional extremamente precarizado e sem acesso à universidade pública. Esse é o governo que financia o sionismo, que financia o agro e financia o capital financeiro.
Afirmamos que a libertação da Palestina não virá dos governos burgueses, mas das lutas dos trabalhadores e oprimidos por meio da ação direta. Denunciamos a ausência das organizações e movimentos de luta que apenas puseram seus logos no card de chamado do ato, mas sequer aparecem ou enviaram representantes. Algumas organizações, como a das mulheres feministas, ligadas ao PT, sequer responderam. O secretário do MST também não respondeu, apesar de outros representantes afirmarem que estariam na atividade. Defendemos que o genocídio palestino não deve ser usado para cálculos eleitorais, como apresentamos no nosso manifesto, nem para garantir ou não a governabilidade de governos, mas ser combatido com luta de classes, com ação direta.