


O Internacionalista n° 29 / MOVIMENTOS / julho de 2025
Dia de Ação Global pela Palestina – SP
Massivo e unitário ato em SP reflete a ascensão da mobilização mundial das massas pela Palestina
É hora de convocar as assembleias e que os assalariados se organizem para fazer greves, ocupações e bloqueios para estrangular o sionismo em nosso país e impor ao governo Lula que rompa todas as relações com o estado genocida de Israel!
No domingo 15/06, aconteceu em São Paulo a maior manifestação de rua pelo fim do genocídio em Gaza desde que iniciada a nova etapa do genocídio e limpeza étnica do povo palestino com a criação do estado artificial de Israel como enclave colonialista e militar do imperialismo, em 1948. A bandeira central do ato foi: “Lula, rompa já todas as relações com Israel!”. Centrais sindicais, movimentos camponeses, movimentos sem-teto, e dezenas de milhares foram às ruas empunhando essa bandeira, exigindo do governo que passe das palavras à ação e medidas concretas. A massividade e unidade do ato destacou de todos os atos anteriores por reunir sob essa reivindicação comum às distintas e divergentes correntes e partidos. O mesmo aconteceu em inúmeras capitais do mundo todo. Ficou claro que importante parcela da população oprimida mundial está do lado dos palestinos. Tudo depende agora de que essa disposição e solidariedade se manifestem em organização e ações diretas coletivas desde as fábricas, portos, bairros etc. para que se imponha aos governos a ruptura total com Israel.
As direções sindicais e populares da base eleitoral do governo Lula foram obrigadas não apenas a participar – ainda que com delegações e não com todo a força coletiva de seus sindicatos e movimentos – como estiveram presentes na reunião de organização do ato, que aconteceu no Armazém do Campo (MST) uma semana antes. Não fizeram isto porque exista uma mudança na sua política, mas porque há uma tendência profunda de revolta da maioria dos oprimidos no mundo todo, assim como no Brasil, e que tendem a se chocar com os governos pela sua cumplicidade com o genocídio. É o que se observa na Europa, nos EUA ou no Oriente Médio. Foi essa tendência e pressão das massas que se refletiu nas falas de representantes dos sindicatos e dos parlamentares da situação governista. Enquanto durante um ano e meio ficaram escondidos, e sem se pronunciar para não espantar votantes e seus aliados da direita no Congresso, agora posam de radicalizados. Mesmo Boulos radicalizou o tom de sua fala no ato, enquanto calou a boca como candidato a prefeito para tentar ganhar votos de setores da direita.
Certamente, não custava nada a esses figurões da política burguesa radicalizar sua retórica quando nunca vão além das palavras e menos vão se colocar para organizar suas bases para impor a Lula a ruptura de todas as relações com Israel com a ação direta de massas. O objetivo desses cínicos é desviar a forte tendência de apoio aos palestinos para as campanhas eleitorais de 2026. Sabem que se não se colocarem à cabeça do movimento, ou pelo menos manobrar com esse, a radicalização das massas pela ruptura das relações poderá levá-las a se chocar violentamente com o governo, reduzindo sua capacidade de arrastar demagogicamente votos da esquerda e das massas oprimidas.
Não se deve cair na falácia de atrair mais “likes” pela presença de deputados que não se traduzem em organização e participação sistemática na luta. Pôr de relevo esse “espelhismo virtual” por cima do trabalho sistemático e paciente para mobilizar as massas e radicalizar os movimentos é, fatalmente, permitir que o jogo democratizante dos governistas se imponha. Deve-se, sim, denunciar que enquanto Lula e deputados denunciam o genocídio, seus senadores aprovaram o dia de “amizade” entre o estado genocida e o Brasil e, sobretudo, se continua exportando petróleo e aço que permitem encher os tanques de combustível de aviões e tanques e construir as armas que massacram palestinos todos os meses; bem como permanecem os acordos acadêmicos que permitem Israel se apropriar de conhecimentos científicos que alimentam a produção de tecnologia para assassinatos em massa.
Está aí porque é um desserviço à luta que as correntes e partidos ditos socialistas (como PSTU, PCBR, PSOL e seus satélites) subordinem os atos e priorizem as falas dos deputados e dos “futuros” candidatos governistas. Thiago Ávila e Breno Altman conquistaram esse direito por sua coerência e seu combate intransigente ao sionismo. Mas, aos figurões que aparecem de vez em quando (e nunca fizeram qualquer esforço, ou fizeram bem pouco para impulsionar os atos) passem a condicionar o movimento pelo fim do genocídio que deve ser construído sobre a mobilização de massas e não sobre a retórica vazia.
O ato mostrou que existe uma profunda disposição das massas para que se imponha o fim ao genocídio e que se reflete por todo o mundo. Mas, esse ódio não se expressa em um combate unitário e mundial dos oprimidos sob um plano comum visando derrotar os governos, e dessa forma criar condições para a vitória dos palestinos paralisando as fábricas de armamentos, paralisando os portos etc.) porque assim como acontece no Brasil, as direções política e sindicais impedem que a classe operária e os assalariados se organizem democraticamente em suas assembleias, discutam e aprovem as ações práticas e coletivas que podem efetivamente ajudar a derrotar o sionismo. No Brasil, parece ser mais importante a governabilidade de Lula que dezenas milhares de vida ceifadas pelo holocausto.
Está aí porque, como afirmamos nosso Manifesto ao ato do dia 15/06 (página 9), “Assim como a Palestina será definitivamente livre com a derrota e destruição do estado sionista e enclave estadunidense de Israel, erguendo sobre suas ruinas um estado Palestino uno e socialista, finalmente livre de toda forma de opressão social e nacional, como parte da luta pelos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio, o Brasil será um farol para a luta internacionalista e a solidariedade ativa em defesa dos palestinos e de todos os povos e nações oprimidas quando derrubar os governos e destruir o estado burguês, expropriando a burguesia e transformando os grandes meios de produção em propriedade nacionalizada, constituindo o governo operário e camponês, fruto da revolução e ditadura proletárias”.
Por isso, se deve ajudar à vanguarda e oprimidos em geral a romper com os governos burgueses e avançar na luta de classes. Um passo será dado por esse caminho quando se rompa com o imobilismo das direções sindicais e políticas governistas, e os explorados brasileiros avancem à ação direta coletiva paralisando e destruindo os interesses do sionismo e imperialismo em nosso país. É isso que temem como a peste os governistas, e por isso fazem de tudo para encabeçar os movimentos para depois subordiná-los a seus interesses eleitorais. Romper esse ciclo de cretinismo e cinismo é uma tarefa da vanguarda com consciência de classe empunhando a estratégia da revolução e ditadura proletárias.
O PPRI falou no final do ato, tendo reduzido sua fala em 2 minutos, após os deputados falarem por cinco minutos, o que demonstrou que os coordenadores da Frente palestina priorizam o “engajamento” nas redes antes que as posições classistas e revolucionárias. Focamos nossa intervenção em assinalar que existe uma guerra entre opressores e oprimidos. Que o imperialismo se utiliza de seu vassalo sionista para tentar controlar todo o Oriente Médio. Que à guerra dos opressores se deve declarar a guerra dos oprimidos para derrotar o sionismo e imperialismo. Nesse sentido, os oprimidos no Brasil constituem um batalhão dessa guerra e isso significava combater o sionismo em nosso país, atacando seus interesses. Para isso, era necessário não confiar nem no governo e nem nas instituições burguesas, que estava na hora de paralisar as fábricas que produzem aço para Israel e bloquear o envio do petróleo. E que será com a luta de classes é que iremos ajudar para a vitória dos palestinos.