
O Internacionalista n° 29 / SINDICAL / julho de 2025
60° Congresso da UNE
60º CONGRESSO DA UNE ACONTECERÁ SOB A CONSIGNA DO IMOBILISMO E DA DEFESA DO GOVERNO BURGUÊS DE LULA/ALCKIMIN
Entre os dias 16 e 20 de julho acontecerá em Goiás o 60º Congresso da UNE. O processo de construção do Congresso já deu mostras do que será o evento: burocratizado, distracionista, despolitizado, subordinado aos interesses do PT e sua Frente Ampla, portanto, imobilista e governista. Existem vários documentos assinados por diferentes correntes de oposição denunciando como a atual direção da UNE conduz o processo: impugnando chapas da oposição e perseguindo politicamente seus membros mais destacados, calando as vozes dissonantes e as críticas de forma autoritária e gangsteril, difamando estudantes que ousam erguer críticas à direção da UNE ou ao governo Lula etc.
Chama a atenção a atuação da principal corrente da direção, a União da Juventude Socialista (UJS). Largamente cooptada pelas reitorias governistas, a UJS lançou no Estado de São Paulo o movimento “O IF Faz Tudo!”, arrogando ser um movimento não apenas de estudantes, mas também de funcionários e professores. Na verdade, o movimento é de cooptação das pessoas para a máquina eleitoral e de propaganda do governo petista, servindo de base de apoio para as bandeiras rebaixadas que o governo levanta: defesa eleitoral do fim da escala 6×1, isenção de imposto de renda para quem ganha até R$5.000 etc. Esse cooptação se dá no IFSP, por exemplo, principalmente com a concessão discricionária de bolsas de estudos, que levam os estudantes a se tornarem dependentes do aparelho da UJS e servirem como instrumentos de “legitimação” das ações da reitoria. A UJS está largamente estatizada, nesse sentido, e age como um freio à luta e ao movimento das bases e das correntes de oposição classista, para atender aos interesses do governo do governo e do PT.
O 60º Congresso da UNE será, mais uma vez, burocratizado e uma fachada democratizante para esconder o caráter oportunista e imobilista da UJS e seus asseclas. Na proposta de tese da direção majoritária fala-se em lutar pelos direitos dos estudantes, mas a prática é que a UJS não tem compromisso com os estudantes porque serve de instrumento para impor aos estudantes a política de arrocho e destruição da educação pública. Além disso, procura perpetuar-se na direção da UNE à UJS e aliados, e obter migalhas e benesses para o grupinho dirigente, enquanto todo o conjunto dos estudantes sofre com a precarização e ajustes nas condições de estudo e ensino, ausência de moradia universitária, ausência de refeitório, poucas bolsas etc. Um exemplo disso é a não luta pela recomposição imediata do orçamento das universidades de acordo às necessidades reais, mais uma vez mutilado por Lula, e que ameaça inclusive o funcionamento de instituições como a UERJ.
No IFSP – Caraguá, o Diretório Acadêmico independente que se formou, dirigido pela Chapa Maré Cheia, tem enfrentado o autoritarismo da Direção do IFSP e o descaso da burocracia universitária. Sem comida para os estudantes do ensino superior, a juventude passa fome de manhã até a noite para conseguir estudar e se formar. O DA reuniu centenas de assinaturas para entregar um abaixo assinado à direção, cobrando pela comida e repudiando os cartazes que prometem sanções aos estudantes que entrarem na fila da merenda, servida somente aos estudantes do ensino básico, causando inúmeros casos de constrangimento, em que a direção da unidade manda tirar da fila aqueles que ousam pedir por comida.
A direção do IFSP – Caraguatatuba vem atuando no sentido de cercear o funcionamento do DA, desde que a organização dos estudantes resolveu quebrar o silêncio sobre a fome no IF e se organizar para conquistar esse direito essencial com luta, campanhas de denúncia etc. Interveio inclusive negando o acesso ao campus de um convidado do DA, um professor de Geografia do município, convocado para dar uma formação política de forma voluntária aos estudantes, uma negação absurda e autoritária, típica de coronéis e burocratas sindicais que acham que os espaços e as instituições públicas estão ao serviço de seus interesses particulares e privados. Interveio também suspendendo o acesso à própria sala do DA pelos seus membros eleitos, a fim de obrigar o DA a se reunir com a Direção da unidade. Esse tipo de autoritarismo e práticas ditatoriais precisam ser combatidos com todas as forças pelos estudantes conscientes da importância da democracia estudantil e da independência dos organismos que expressam a legítima soberania estudantil. Sobretudo, deve ser combatida por meio da organização, com a ação coletiva e com um programa de luta próprio de reivindicações
O PPRI vem atuando desde o começo da reconstrução do DA do IFSP – Caraguatatuba, que havia sido abandonado pela UJS, e que agora se reergueu graças à luta coletiva de estudantes organizados sob as bandeiras da democracia direta, da luta e organização independente perante a burocracia universitária. Os revolucionários defendem a independência política do governo, para garantir que os estudantes lutem pelos seus próprios direitos e reivindicações. Defendemos o livre acesso ao ensino superior de todos que querem estudar, assim como defendemos que se garanta comida e moradia a todos os estudantes como condições básicas para acabar com a altíssima evasão dos Institutos Federais e garantir o direito democrático ao estudo.
