
O Internacionalista n° 29 / SINDICAL / julho de 2025
Distrito Federal
Greve dos professores do Distrito Federal encerra com traição da CUT, direção do Sinpro-DF
Professores do Distrito Federal estiveram em uma greve de 23 dias, de 2 a 25 de junho. A greve contou com a presença massiva dos professores da rede pública do DF, mostrando forte disposição de luta da categoria, mas foi encerrada com a traição da direção do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF/ CUT), como temos visto nas greves que têm acontecido pelo país, com exceção da greve dos professores do Pará que ocorreu em janeiro deste ano.
Os professores reivindicavam 19,8% de reajuste salarial, mas o governo de Ibaneis Rocha não atendeu a reivindicação e, mesmo assim, a greve foi encerrada pela CUT, que manobrou para aprovar o encerramento da greve, mesmo com a aprovação da maioria dos professores pela continuidade da greve.
A direção do sindicato propagandeia uma lista de “avanços” e “vitória” da greve, com intuito de encobrir a traição ao movimento, como o não desconto dos dias de greve, promessa de realização de novo concurso público, nomeação de pelo menos 3 mil concursados, prorrogação do concurso que deve vencer até dezembro de 2025, nova tabela de progressão salarial horizontal e o estabelecimento de uma mesa permanente de negociações. Segundo a direção do Sinpro-DF, isto é um “Compromisso firmado com a mediação do TJDFT e homologado junto ao tribunal, tornando-se título judicial (com força de lei)”. Divulgam essa descarada submissão à lei burguesa e imposição à categoria do plano do governo, sabendo que esse não cumpre nem os mais básicos direitos, como reposição salarial (que era a principal reivindicação) quando não interessa à burguesia.
Alguns professores reclamam que foram usados e enganados, e que a “vitória” e “avanços” propagandeados pela direção do sindicato são traições à categoria, e por isso se manifestaram em revolta com a manobra da direção para acabar com a greve. O governo, por sua vez, criminalizou o movimento, como tem sido feito nas greves pelo país, usando a justiça burguesa para multar o sindicato e impondo suas decisões a uma categoria destituída de uma direção à altura das suas lutas e reivindicações. Dessa vez, Ibaneis Rocha conseguiu multa de 300 mil por cada dia de greve acionando o Poder Judiciário do estado.
O governo agiu junto à direção do sindicato para acabar com a greve. Eis porque a categoria foi derrotada, apesar de expressar forte disposição de luta para garantir suas reivindicações, mesmo diante das ofensivas governistas. Poucas vezes, como a greve dos professores do Pará, acontece da categoria se impor diante do governo e passa por cima da traição da direção sindical. Na maioria das vezes, os trabalhadores têm de lidar com o fracasso da greve cuja maior responsabilidade recai sobre a direção do sindicato.
Mais um exemplo dessa condição em que se encontram os sindicatos é a greve dos trabalhadores em educação de Belo Horizonte (MG) que durou 29 dias, encerrada no dia 04/07. A reivindicação era reajuste de 6,27%, com retroativo de 2025, mas o prefeito propunha apenas 2,49%. Acabou que a prefeitura conseguiu impor o reajuste de 2,4%, que será pago apenas a partir de fevereiro de 2026, mesmo que o índice de reajuste esteja abaixo do Piso Nacional do Magistério para 2025, de 6,27%.
Na assembleia do dia 03/07 a categoria, conforme o próprio sindicato SindRede- BH, aprovou por unanimidade a continuidade da greve não aceitando a proposta do prefeito que, após uma audiência de conciliação manteve a proposta dos 2,49%. Porém, no dia seguinte (04/07), a direção do sindicato informou que a maioria da categoria aceitou os 2,49% e aprovou o fim da greve. É difícil acreditar, no entanto, que de um dia para o outro os trabalhadores tenham desistido de enfrentar o governo e lutar pelas suas reivindicações, pois o próprio sindicato afirmou sobre a assembleia do dia anterior que “A categoria, no entanto, foi firme ao reiterar que não há condições de encerrar a greve sem a revisão do índice de reajuste de 2025. Com o objetivo de demonstrar sua disposição por negociação, o comando de greve propôs uma nova mediação, um índice de reajuste que englobe os 2,49% já oferecidos + 2,4%, referente a dívida já reconhecida pela prefeitura, correspondente às perdas inflacionárias acumuladas de 2017 para cá, pago ainda esse ano e sem abrir mão das demais propostas oferecidas anteriormente.”
O mais provável nesse cenário já conhecido pela traição das direções sindicais é que a direção do SindRede-Bh tenha conciliado com o governo pelas costas da categoria e manobrado pelo fim da greve. Até agora, a direção do sindicato não divulgou nenhuma nota oficial sobre o que ocorreu.
Ficou claro a disposição das bases para lutar pelas suas reivindicações imediatas e enfrentar os governos. Mas, ficou claro também que é preciso, porém, combater e expulsar as direções traidoras dos sindicatos para que estes sirvam à luta da categoria por suas reivindicações. É necessário constituir frações e direções revolucionárias que coloquem a luta pelo salário e condições de trabalho no campo da luta de classes, para que a revolta coletiva seja encarnada na ação direta, superando as direções pelegas que agem por interesses dos seus partidos eleitoralistas e para manterem seus privilégios dentro dos sindicatos.
