
O Internacionalista n° 30 / NOTAS INTERNACIONAIS / agosto de 2025
Ásia
Azerbaijão segue a trilha da submissão da Armênia ao imperialismo
No 3º Fórum Global de Mídia, o presidente Ilham Aliyev destacou que Azerbaijão como fornecedor de energia e “parceiro de confiança” do ocidente ao assinalar a importância do corredor de gás do sul (SGC) para a “estabilidade regional”. Assim inaugura mais de 3,5 mil quilômetros de tubulação que unem o SGC ao gasoduto trans-anatólico (TANAP) e o oleoduto trans adriático (TAP), que servirá para entregar gás natural do Shah Deniz no mar caspiano para os mercados europeus, visando cortar a dependência do continente europeu do gás russo. Quando os preços de petróleo e gás dispararam, o Azerbaijão aumentou suas exportações até 11 bilhões de metros cúbicos de gás para a Europa apenas em 2023, além de utilizar o oleoduto para enviar combustível do Azerbaijão para Israel via Turquia.
O acordo entre Yerevan (capital da Armênia) e Baku (Azerbaijão) para instalar um “corredor” abraçando a fronteira iraniana – o corredor de Zangezur – em oposição ao projeto de Rússia (apresentado na assinatura dos acordos de paz de 2020) de reabrir a ferrovia do Cáucaso, estrutura que já existe, é barato quanto custos dos fretes etc. O problema é que as ferrovias armênias são operadas pela South Cáucaso Railway (Yukjd), uma concessão realizada desde 2008 pela Russian Railways (RZD), sob um contrato de 30 anos. Usar a rota seria reforçar o controle russo e sua influência, o que Armênia e Azerbaijão não querem após assinar acordos com EUA, Turquia e Israel. A eleição de Zangezur teve por objetivo facilitar ao imperialismo um acesso ao Irã pelo norte, impedir a Rússia ou a China de utilizar vias de transporte e, sobretudo, avançar ao objetivo de cercar esses dois estados operários.
Foi revelado um acordo assinado entre a Armênia e os EUA (“Memorando de Entendimento sobre a Criação do Corredor de Transporte da Ponte Trump “) que o corredor terrestre Zangezur será gerido por uma empresa norte-americana – que deterá seu controle por 99 anos – e protegido por uma empresa de segurança privada dos EUA. Esse país ficará com 30% dos lucros, Turquia com 40% e 30% para Armênia. Trata-se do controle de uma porção de território nacional por uma potência estrangeira, uma entrega da soberania nacional e vassalagem da Armênia. Ao mesmo tempo que permitirá à empresa privada (composta de militares norte-americanos) servir de instrumento para futuros ataques ao Irã, ajudando no deslocamento de forças da OTAN estacionadas na Turquia. Nikol Pashinyan, presidente do país, está servindo de peão ao imperialismo estadunidense para cercar e isolar Rússia e Irã, além de deslocar Europa de anteriores acordos que visavam ao mesmo objetivo.
O acordo inclui o Azerbaijão. Foi noticiada pela Rússia que setores da diáspora de Azerbaijão, donos de armazéns e transportes de caminhões na Rússia, que apoiaram os ataques contra aeródromos russos e aviação nuclear, em junho passado. Foram detidos centenas de azeris que estavam servindo à Ucrânia. O levou a retaliação de Azerbaijão aprisionando jornalistas e cidadãos russos nesse país. O governo de Aliyev seguiu conscientemente uma política de ajuda à Ucrânia e de provocação contra Rússia sob ordens de seus amos desde fora do país. Aliado da Turquia, Aliyev acedeu ao poder graças ao apoio deste país e no ataque de Israel contra o Irã deixou seu espaço aéreo livre a seus aviões e drones. Para isso, contou com o apoio de Erdogan, que apesar de sua retórica anti-israelense procura facilitar sua ação contra o Irã e mantêm envios de mercadorias para Israel (via terceirização de empresas na Grécia). Enquanto Pashinyan se elevou ao poder do estado em 2018, após uma “revolução” orquestrada pelos EUA e Europa contra o anterior governo pró-russo. Agora, se aproximando mais ostensivamente dos EUA, precisa extinguir a oposição com fortes laços com a Rússia. O mesmo percurso realiza agora Aliyev.
Armênia e Azerbaijão são países cobiçados por suas riquezas e, especialmente, pela sua localização geográfica para cercar Rússia e China. Sua subordinação aos EUA, a Israel e Turquia os colocam “no percurso das tendências bélicas mundiais, e um território aberto a futuros conflitos bélicos internos”. Vão pagar um alto preço pela sua subordinação ao imperialismo. Como a Armênia, Azerbaijão também foi uma república soviética da integrada à órbita da URSS. Após sua dissolução, lhe foi determinado pelo imperialismo o papel de peão contra a Rússia, assim como foi para Ucrânia após o golpe reacionário e pró-imperialista de Maidan, em 2014. E une-se, junto da Armênia, ao cerco imperialista que visa à derrota e destruição da Rússia e da China. Com a dissolução da URSS, Azerbaijão seguiu os passos das ex-repúblicas soviéticas do Báltico. Seu processo de aproximação ao imperialismo nada tem a ver com uma decisão soberana. A soberania nacional de países semicoloniais são moeda de troca nas movimentações imperialistas que se orientam a destruir a propriedade nacionaliza e os estados operários (ainda que profundamente degenerados) erguidos como vitórias revolucionárias do proletariado, além de plataforma territorial para destruir o Irã e o colonizar.
No choque entre o imperialismo contra Rússia (ou China) e Irã, o proletariado não estará pela defesa da falsificação da soberania imposta pelo imperialismo e seus aliados. Não defenderá em abstrato a soberania desconhecendo seu conteúdo de classe, econômico e político. A vanguarda com consciência de classe estará sempre pela defesa da soberania e autodeterminação nacional de um país oprimido sob ataque do imperialismo (Irã), e nesse sentido conjunturalmente junto do regime teocrático ditatorial e obscurantista combatendo as democracias “ocidentais”. Sobretudo, estará na trincheira da defesa da propriedade nacionalizada e, nesse sentido conjunturalmente junto da burocracia, contra o imperialismo. Portanto, apoiará a derrota de nações que agem como peões da burguesia monopolista.
A autonomia nacional e o direito à autodeterminação serão reconquistados no Azerbaijão, como na Armênia, retomando a luta de classes sob a estratégia da ditadura e revolução proletárias. Assim é que se romperá com a subordinação ao imperialismo e se reabrirá a transição ao socialismo abortada pela dissolução da URSS, o reacionarismo das burocracias herdeiras do stalinismo, a restauração capitalista e, sobretudo, pelo profundo retrocesso do proletariado a sua organização como classe revolucionária produto da crise de sua direção política, mundial e nacional.
