O Internacionalista n° 30 / MOVIMENTO ESTUDANTIL / agosto de 2025


O 60º Congresso da UNE ocorreu em julho, e teve como resultado a manutenção do controle da maior organização estudantil pelas forças petistas e seus aliados. A tese vencedora fala em “defender a democracia” e conter a “extrema direita”. Mantém-se, portanto, a subordinação da política estudantil aos interesses eleitoreiros dos partidos acaudilhados por Lula.
A vitória dos governistas é o resultado do controle burocrático e da política do imobilismo imposta ao movimento estudantil. Não foram feitos debates pré congressuais nas bases, não se abriram urnas de forma sistemática e democrática, limpa e transparente, com presença de fiscais de todas as correntes e da base estudantil; não houve ampla divulgação do edital para inscrição de delegados; não se discutiram coletivamente nas entidades de base as condições da participação de estudantes independentes interessados em participar do Congresso etc.. Está aí porque os aparatos do PT – UJS se organizaram de portas fechadas, e levaram comitivas estudantis conforme o seu poderio econômico, e não conforme a força de suas ideias. O que houve, dessa forma, foi um aprofundamento da estatização da UNE e da burocratização de sua direção, que se antecipam às eleições de 2026 e pregam a “unidade” sem princípios para vencer o pleito eleitoral burguês.
Um episódio do congresso revela ainda o grau de compromisso dessa direção da UNE com as forças reacionárias: a presença da bandeira do estado sionista no plenário, que entrou empunhada pelo braço estudantil do partido dos banqueiros, Partido Novo, um dos mais acalorados defensores das privatizações no ensino público, bandeira essa que teve que ser escoltada para dentro, com o uso do aparato da UJS. Somente por conta da atuação da direção da UNE é que essa fração pró burguesa e sionista não foi rechaçada pela militância estudantil e pelo Congresso para assim defender o ensino público e os interesses dos estudantes.
A questão é que se o Congresso tivesse sido organizado para atender as pautas urgentes e reais dos estudantes brasileiros – orçamento de acordo às necessidades reais do estudo e ensino, comida e moradia garantida a todos os estudantes, transporte gratuito, bolsas estudantis no valor de um salário que garanta todas as necessidades etc.– não haveria espaço para movimentos reacionários desse tipo, não faria sentido para eles estarem ali e haveria a expulsão dessas correntes inimiga do movimento dos Congressos. Porém, como o Congresso foi organizado para servir de instrumento de propaganda do governo burguês de Lula / Alckmin, então fazia sentido outras facções da burguesia aparecerem para imprimir sua política e disputar as ideias do Congresso.
As bandeiras “agitativas” são as provas de que a UJS e a direção da UNE como um todo estão servindo como massa de manobra para a propaganda do governo. A organização de um “plebiscito popular” pelo fim da escala 6×1 serve para abortar a luta nas ruas e as desviar para o Parlamento, é ainda uma distração para o fato que o PT foi cúmplice da aprovação da reforma trabalhista, do avanço da terceirização, da precarização dos direitos trabalhistas, o arrocho salarial, bem como da proliferação da jornada intermitente sem nenhum direito trabalhista. Da mesma forma, a bandeira da “soberania nacional” acoberta que o governo Lula estabeleceu relações diplomáticas e comerciais cada vez mais profundas do governo com o imperialismo e o sionismo. Nenhuma bandeira erguida contra o congelamento dos gastos nas universidades, contra o arcabouço fiscal, enfim, nenhuma crítica a um governo que avançou na destruição das condições de vida dos estudantes!
A oposição à direção da UNE buscou formar um bloco, mas não teve forças para ganhar a direção da entidade. O movimento estudantil da UP, chamado Correnteza, que dirige o DCE do IFSP, entre outros importantes organismos estudantis, é também base de apoio do governismo, tem a mesma política geral defendida pela UJS e constituiu-se em uma burocracia de esquerda que reproduz os métodos de conciliação e subordinação do movimento ao Parlamento e à burocracia universitária. Busca de forma oportunista diferenciar-se da UJS e do PT, mas sua crítica expressa em sua tese se concentra apenas em atacar a política imobilista da direção da UNE, enquanto coaduna com todas as bandeiras reformistas e prática o mesmo imobilismo nas entidades que dirige.
No campo das correntes centristas destaca-se o conflito entre MRT e PSTU, inclusive com o uso de spray de pimenta dentro do plenário, reconhecidamente por parte de um militante do PSTU, em uma escaramuça por assentos durante o intervalo, o que revela o grau de decomposição político programática desses partidos, e a violenta disputa aparelhista, um reflexo da crise de direção revolucionária.
O PPRI, denuncia o Congresso burocrático e luta por constituir um movimento estudantil independente dos governos e da burguesia, e que sirva aos estudantes para defender suas reivindicações e o direito ao ensino e educação públicas. Lutamos pela democracia estudantil na UNE e em todas as entidades de base, e contra o uso do aparato para fins eleitoreiros e corporativos das correntes. O PPRI se propõe, portanto, a tarefa de organizar os estudantes, e conscientizá-los de que devem contar apenas com as suas próprias forças e defender o programa proletário para a educação, para assim combater a privatização do ensino público, os cortes de investimentos e a piora nas condições de vida em geral da juventude brasileira. O PPRI ergue bem alto a bandeira do método da ação direta de massas e da democracia operária como a única maneira capaz de alcançar os objetivos dos estudantes. Por isso, reivindicamos as assembleias gerais e a democracia estudantil para a construção de um poderoso movimento, que irá ser capaz de passar por cima dos interesses eleitoreiros e burgueses de algumas frações de burocratas e oportunistas da atual direção da UNE.