O Internacionalista n° 31 / setembro de 2025

Editorial Nacional

Organizar oposições classistas e revolucionárias para recuperar os sindicatos e os reerguer como instrumentos de frente única para a luta de classes, sob o programa e estratégia proletárias.



Governo de frente ampla Lula/Alckmin mantém o ataque às massas para garantir ro pagamento da dívida pública

Ao contrário do que propagandeiam as direções sindicais e dos movimentos sociais, o governo Lula/Alckmin manteve e intensificou os ataques de Bolsonaro aos trabalhadores e demais oprimidos. No INSS, manteve a precarização das condições de trabalho e salários arrochados, reprimiu a greve e impôs uma reforma administrativa por meio de portaria ministerial Na Petrobrás, a terceirização continua a ser o principal vínculo de trabalho, manteve-se o PPI e continuam as privatizações. Nas universidades federais, o acordo da greve de 2024 (que foi duramente reprimida) não foi cumprido e o reajuste de 9% previsto para janeiro foi aplicado somente em maio, além da limitação de 61% do orçamento previsto. Os portuários permanecem sob a ameaça de privatização e perda dos empregos. O governo federal anunciou uma “economia” de R$ 25,9 bilhões em 2025 com processo de revisão de gastos, na prática dificultando acesso para benefícios do INSS e Bolsa Família, sob o lema “Revisar para repriorizar”.
A contenção de despesas, seja não reajustando o salário de servidores, seja retirando verba da saúde, educação e programas sociais, serve para realocação de bilhões de reais com o intuito de honrar o pagamento da dívida pública que hoje está acima dos R$ 7,9 trilhões.
Como se vê na prática, a eleição de governos que se reivindicam da esquerda não está desvinculada das leis gerais do capitalismo, portanto, não é possível aplicar reformas que melhorem as condições de vida das massas. Ao contrário, a tendência geral do capitalismo em sua fase de decomposição é de necessidade de ataque aos explorados para proteger o lucro da burguesia


Direções arrastam os sindicatos para as eleições burguesas e acumulam traições para com os explorados

As direções centristas, reformistas e estalinistas já têm se lançado em defesa de Lula 2026 no interior dos sindicatos e movimentos sociais. Para defenderem Lula, ocultam que este é o algoz de turno dos explorados, camuflando ou escondendo seus ataques e impedindo que as massas se choquem com o governo em defesa de suas condições de vida mais imediatas.
Os sindicatos da educação, por exemplo, não podem combater as políticas de arrocho salarial, escolas cívico-militares, terceirização, ensino integral, avaliações de desempenho etc., aplicado pelos governos de direita nos estados e municípios pois certamente um movimento consequente com essas bandeiras, naturalmente se chocaria com Lula e o PT, que nacionalmente aplicam as mesmas ou políticas similares. Assim, para proteger o governo que entendem como “seu”, são obrigados a trair os explorados, contendo a disposição de luta e canalizando as reivindicações para a disputa eleitoral burguesa ou medidas jurídicas e pressão sobre os parlamentos, criando e fortalecendo a ilusão de que essa disputa no campo da burguesia poderá trazer vitórias quando, como mostra a experiência, essas vias têm sido o cemitério das reivindicações e da luta de classes. Ao blindarem o governo de frente ampla, as esquerdas deixam o caminho livre e pavimentado para a retirada de direitos, novos ataques e mais retrocessos.
Este processo é denunciado nos movimentos e sindicatos em que o PPRI atua. Mas, onde uma tendência de oposição que reivindique dos métodos do proletariado para pôr abaixo os ataques patronais se manifesta, as direções traidoras intensificam o processo de burocratização, ou seja, limitam ainda mais a democracia sindical para que suas posições governistas e a canalização para as disputas burguesas sejam impostas, na tentativa de estancar parte da impopularidade do governo e impulsioná-lo face a pesquisas eleitorais que demonstram-se incertas.


Colaboração de classe e eleitoralismo

O que se viu no Grito dos Excluídos, que ocorre desde 1994, foi a capitulação das direções do movimento de abaixar as bandeiras históricas contra a falta de moradia, de saúde e de educação, a ausência de reforma agrária e urbana, a luta por serviços públicos de qualidade, dentre outras bandeiras, e fortalecer a “defesa da democracia”, “sem anistia aos golpistas!”, “prisão para os golpistas!” e o lema “soberania não se negocia”. Bandeiras que servem à campanha eleitoral. Assim, aprofundou-se a adaptação dos partidos e correntes reformistas e centristas às eleições burguesas, tentando criar condições de desgaste da imagem da direita com o processo no STF e de blindagem ao governo de frente ampla de Lula/Alckmin, que não apenas se mostrou impotente em aplicar reformas progressistas para atender as reivindicações dos oprimidos, como fundamentalmente seguiu a trilha de ataques e contra reformas de Temer e Bolsonaro
As bandeiras impulsionadas pelos centristas, reformistas e estalinistas são alheias aos interesses dos oprimidos, servindo apenas para a disputa interburguesa eleitoral.


Condenação de Bolsonaro ampliará a crise inter-burguesa

Fechamos este jornal quando o STF condenou Bolsonaro, por quatro votos contra um, a 27 anos e 3 meses de prisão por delitos relacionados com a tentativa de golpe de estado e atentado contra as instituições democráticas. Está ainda em aberto se sua detenção será imediata e qual o presídio onde cumprirá a pena. Importa agora assinalar, rapidamente, que essa medida agrava a crise política que vinha se processando ao interior da frente ampla burguesa que levou Lula à presidência em 2022. Setores da direita com cargos de ministérios e secretárias, vem tecendo com o bolsonarismo uma lei da anistia. É possível que em retaliação se veja uma saída de vários funcionários da base aliada da direita do governo, bem como uma ruptura no interior do Congresso, deixando um fim de mandato conturbado para Lula. Ainda que Bolsonaro seja anistiado pelo Congresso, o que abriria uma crise institucional sem precedentes, continua inelegível. De forma que a frente ampla da direita e ultradireita se utilize de sua figura e da anistia apenas como espantalho para uma legenda de unidade nacional para derrotar Lula. Os próximos meses serão, portanto, decisivos.


É necessário romper com o governismo e desenvolver a independência de classe e ação direta das massas