O Internacionalista n° 31 / NOTAS INTERNACIONAIS / setembro de 2025


Após Trump enviar 10 jatos F-35 ao Caribe e autorizar a derrubada de jatos venezuelanos que sobrevoem navios de guerra americanos, as tensões entre os dois países se acirraram ainda mais nesta semana. Na sexta-feira, dia 05/09, Maduro vem a público, vestido de farda, horas após Trump autorizar seu exército a abater caças venezuelanos que “coloquem em risco” navios de guerra americanos no Caribe. Em seu discurso, exigi que Trump desacelere as tensões que caminham para um conflito militar de grande impacto, denuncia o intervencionismo imperialista que busca uma mudança violenta no regime venezuelano e de outros países latino-americanos, mas já adota um tom conciliador ao proferir que respeita Trump:
“O governo dos EUA deve abandonar seu plano de mudança violenta de regime da Venezuela e de toda a América Latina e Caribe e respeitar a soberania, o direito a paz e a independência. Eu o respeito, tivemos diferenças e ainda temos, mas nenhuma das diferenças pode ser utilizada para levar a um conflito militar de grande impacto e violência na América do Sul, não há justificativa. E eu digo ao povo dos EUA, não era verdade que havia armas de destruição em massa no Iraque, assim como não é verdade o que estão dizendo sobre a Venezuela, é um beco sem saída que estão sem metendo. A Venezuela sempre esteve disposta a dialogar, assim como exigimos respeito ao nosso país e a nosso povo…”
EUA pousa de fazer combate ao narcotráfico, no entanto, o faz associando os narcotraficantes ao terrorismo, que é uma das formas de justificar o terror com algum fim político. Neste sentido, a guerra contra as drogas é utilizada para justificar ataques mais violentos bem como a intervenção sob outras nacionalidades, o que não é um elemento novo, pelo contrário é uma retórica bastante utilizada pelo imperialismo norte americano, inclusive já em outros governos. O que significa dizer que o suposto ataque a uma embarcação de drogas da Venezuela, divulgada pelo próprio presidente dos Estados Unidos, na última terça-feira (2), em que segundo Trump, “a operação deixou pelo menos 11 “terroristas” mortos, mas nenhuma tropa americana foi ferida”, serve como uma ameaça em relação ao que está disposto a fazer, contra qualquer governo de vertente nacionalista, que possa dificultar as ações políticos e econômicas dos EUA.
Neste cerco a Venezuela, EUA conta com o apoio de outros países latino-americanos, onde já conseguiu avançar em seu intervencionismo imperialista, como é o caso do Equador, em que Daniel Noboa recebeu 20 milhões de dólares dos EUA para ajudar a combater o tráfico de drogas e avalia reabrir a base norte-americana, fechada no primeiro governo de Rafael Correa. Reabrir essa base objetivaria utilizar o Equador para atacar ou ameaçar Venezuela, que tem fronteiras comuns com o Equador.
Trump, nesta semana também assinou nesta sexta-feira (5) uma ordem executiva para mudar o nome do Departamento de Defesa, também conhecido como Pentágono, para “Departamento de Guerra”, como era chamado durante as duas guerras mundiais, a medida é parte de suas ações bélicas em escalada no mundo. Na prática, a medida autoriza o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e outros integrantes da pasta a usarem títulos como “secretário de Guerra” e “subsecretário de Guerra” em comunicações oficiais e documentos públicos. Ao assinar a ordem, Trump afirmou que a mudança envia uma mensagem de vitória e força aos inimigos dos Estados Unidos. Durante a assinatura, Hegseth, já apresentado por Trump como secretário de Guerra, comemorou a mudança. O secretário disse que a alteração serve para “restaurar o espírito guerreiro” nas Forças Armadas. “Vamos passar para a ofensiva, não ficar apenas na defesa. Letalidade máxima, não legalidade tímida”, disse Hegseth. Essa declaração demonstra que a via traçada pelo governo Trump contra seus rivais e até seus aliados é: submissão aos ditames dos EUA ou enfrentarão intervenções e guerra.
Como analisamos no Manifesto nº81 de 02/09, que segue em anexo, a tendência é de intensificação dos conflitos bélicos, que tem como pano de fundo a guerra comercial com a China, já que a Venezuela comercializa grande parte das suas reservas de petróleo com a China, além de se sustentar como um governo bonapartista nacionalista burguês, se colocando como um obstáculo a expansão do intervencionismo norte americano na América Latina, portanto derrubar o governo chavista de Maduro, significa dar um passo importante na consolidação do seu poderio político sob todas as semicolônias latino-americanas, e tomar posse pela força de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, que são da Venezuela. Neste sentido, reafirmamos nossa defesa incondicional da Venezuela, nação oprimida, diante do intervencionismo imperialista.