
O Internacionalista n° 31 / SINDICAL / setembro de 2025
SindiCaraguatatuba
Paralisação histórica em Caraguatatuba leva mais de 700 servidores às ruas!
No dia 05/08, houve um ato/assembleia em frente à Câmara Municipal de Caraguatatuba, onde se decidiu por uma paralisação para o dia 28/08. Nas semanas seguintes, o PPRI – que tem um militante na direção do sindicato – impulsionou uma série de comandos nas repartições públicas, conversando com os servidores, ouvindo suas pautas específicas e chamando à paralisação.
No dia da paralisação compareceram mais de 700 servidores em frente à Prefeitura. A gigantesca adesão se deu, por um lado, por conta do trabalho de base com os comandos e de conversar com os servidores no “corpo a corpo”, e não apenas depender de postagens nas redes sociais; e, por outro, em decorrência das terríveis condições de vida (salários arrochados, carestia do custo de vida etc.) e igualmente terríveis condições de trabalho. Mesmo em uma prefeitura com tradição sindical nula, ausência total de experiências com greves, piquetes, etc, as condições concretas que movimentam a luta dos assalariados, se impuseram.
A concentração se iniciou às 7h na prefeitura, houve uma longa caminhada pelo centro da cidade e ao fim da manhã, o movimento estava de volta ao Palácio Municipal. Mesmo diante da colossal adesão (dado o histórico da cidade), o prefeito não apenas se recusou a negociar as reivindicações tiradas em assembleia, como negou até mesmo receber uma comissão de negociação em seu gabinete.
Diante deste cenário, a direção da CSP-Conlutas tentou manobrar para enterrar ali a paralisação, visando a não radicalização do movimento e sua posterior judicialização. Propuseram fazer uma “paralisação de meio-dia”, portanto mandando os servidores a voltarem a trabalhar no período da tarde. Claríssima era a disposição dos servidores de continuarem ali o dia todo, afinal a indisposição total do prefeito em recebê-los revelou o desprezo que aquele nutre por estes, e projetou a radicalização da base. O PPRI, exigiu que a proposta de paralisação de todo dia fosse votada contra a outra de “meio-dia”. Mesmo após diversas tentativas de impedir que se votasse nossa proposta, inclusive com Conlutas fazendo votar essa proposta duas vezes, e tentando aterrorizar os servidores com as represálias do governo, a paralisação de todo dia ganhou com imensa maioria dos votos. Isso demonstrou que quando a categoria está decidida a defender suas reivindicações com a luta e tem uma posição clara para impulsioná-la, consegue passar por cima das manobras burocráticas e impor sua vontade coletiva.
Outra manobra veio em uma reunião extraordinária da direção no dia 31/08. Foi informado pela Conlutas que a prefeitura judicializou a próxima paralisação, que tinha sido chamada para o dia 02/08, com intuito de inviabilizá-la, tendo como base a Lei de (Anti)Greve. Propôs-se então o “adiamento” da paralisação aprovada em assembleia, e a “construção” de um ato, fora do horário de trabalho para o dia 09/08, em frente à Câmara Municipal. A democracia operária exercida em uma assembleia, que é soberana, está acima de qualquer determinação da justiça burguesa e é obrigatória para as direções, por isso, criticamos a decisão burocrática e nos opusemos. Como já se esperava, contudo, fomos a voto vencido (a maioria da direção foi cooptada pelo PSTU), e o novo calendário burocrático, definido pelas costas dos servidores e de sua decisão soberana, foi adotado.
A direção trilha um caminho rápido de burocratização e subordinação aos interesses aparlehistas da Conlutas, portanto, do PSTU, que pretende dirigir biônicamente o sindicato desde fora para dentro, impondo à categoria as decisões de uma cúpula burocrática de esquerda que, como assinalamos, é capaz inclusive de passar por cima da democracia operária para impor sua política democratizante e oportunista.
Apesar disso, atuaremos no dia 09/08, visando manter em alto as bandeiras, reivindicações e interesses da categoria, lutando para que a campanha salarial de 2025 siga viva e triunfe finalmente, sem apoiar desvios burocráticos e democratizantes – e denunciando toda vez que seja necessário à base sobre esses – e sem confiar em audiência de conciliação ou qualquer manobra institucional a ser realizada pelo Ministério Público no mesmo dia. Os assalariados e funcionários de Caraguatatuba só podem obter vitórias confiando em suas próprias forças e métodos (paralisação, greve, piquetes,etc)
Por um novo calendário de paralisações
Aumento real de 15% no salário já!
Aumento de 100% no VR já!
Aumento de 75% no VA já!
