O Internacionalista n° 32 / NOTAS OPERÁRIAS / outubro de 2025

A classe operária deve se unir ao movimento mundial em defesa dos palestinos e ajudar a estrangular as indústrias que alimentam a máquina assassina de Israel


Nos dias 22 e 29 de setembro, mais de 80 cidades da Itália foram tomadas massivamente por manifestantes, no marco das greves de 24 horas convocadas contra o genocídio palestino. Chamadas por organismos de base das centrais e dos sindicatos, por organizações políticas e populares, as greves paralisaram setores chaves da produção, dos transportes rodoviários e portuários, educação e saúde, além dos serviços públicos.
Os operários portuários italianos estão na vanguarda do proletariado italiano na luta contra o genocídio. Paralisaram 90% dos portos de Gênova, Marghera, Livorno e Salerno na greve. Mas, já bloquearam também os envios de armas e mercadorias para Israel. Adotaram o lema de “bloqueemos tudo” (“blocchiamo tutto”) caso Israel ataque a Global Sumud Flotilha que se dirige a romper o cerco em Gaza (militantes de base de seus sindicatos participam com um veleiro na flotilha). Esse movimento deve ser estendido às fábricas de armamento e mercadorias que se exportam para Israel, e ser estendido para toda a Europa. A manifestação de 04/10 demostrará se essa tendência poderá vingar.
Existe entre o proletariado europeu uma tendência em lutar pelo fim do genocídio. No ano passado, em 18 de fevereiro, os portuários da Grécia bloquearam a saída da fragata “Hydra” que se somaria à “força tarefa naval” sob direção dos EUA para atacar o Iêmen. No mesmo ano, no dia 27/09, na Espanha 200 sindicatos e organizações da Espanha realizaram uma greve de 24 horas “contra o genocídio e ocupação na Palestina” exigindo que o governo espanhol rompa as relações diplomáticas, comerciais e militares com Israel. Houve ainda protestos e paralisação parcial em fábricas que produzem equipamentos militares na Inglaterra, pela Action for Palestine, perseguida pelo governo britânico.
A classe operária mundial está manifestando todo o seu instinto internacionalista e de solidariedade de classe e cavam uma trincheira ao lado dos oprimidos contra os opressores e genocidas. Entretanto, os governos continuam financiando, armando e alimentando a economia e a população israelense que, em sua esmagadora maioria, revelou-se cúmplice do genocídio. Se bem a esmagadora maioria dos governos europeus reconheceram recentemente “formalmente” ao Estado Palestino, seguem enviando armas, mercadorias e bens para Isael. Paralisar essa rede de cumplicidades somente pode ser feito pelo proletariado organizado como classe independente e combatendo seus governos com a luta de classes.
As direções sindicais e políticas impedem aos trabalhadores impor aos governos cúmplices a ruptura total e incondicional de todos os acordos existentes com Israel. Para que os operários se coloquem à cabeça do movimento mundial em defesa dos palestinos, e organizem os boicotes, as greves e as ocupações das empresas ligadas ao Estado e à burguesia israelense, é preciso construir uma direção proletária revolucionária mundial capaz de unir as lutas por cima das fronteiras nacionais sob o objetivo da derrota e destruição do estado genocida de Israel, e da estratégia da revolução socialista.