


O Internacionalista n° 33 / novembro de 2025
Editorial Nacional
Governo burguês de Lula/Alckmin cada vez mais mostra seu comprometimento com a política pró-imperialista e sua submissão ao capital financeiro internacional
Diante do “tarifaço” de Trump, que atingiu as exportações do Brasil para os EUA com a sobretaxa de 50%, o governo de Frente Ampla burguesa de Lula/Alckmin adotou como saída as negociações para garantir o lucro de uma fração da burguesia nacional afetada pelas tarifas e, ao mesmo tempo, recorreu à retórica de “soberania nacional” e esbravejou contra Trump, mesmo sem aplicar nenhuma medida concreta, como forma de tentar melhorar sua popularidade, um ano antes do pleito eleitoral.
Lula conquistou seu objetivo de se sentar à mesa de negociações com Trump (em 26 de outubro), que colocou mais alvos na infraestrutura e indústria nacional: uma das exigências dos norte-americanos é que o Brasil reduza a taxa de importação de 18% do etanol em troca da redução da sobretarifa do café e carne brasileira. O primeiro, de uma série de encontros entre os presidentes, foi infrutífero em retirar ou amenizar o dito “tarifaço” e a retirada das sanções da Lei Magnitsky aos ministros do Supremo Tribunal Federal, mas sinalizou alguns acordos, sobretudo, em áreas de interesse do imperialismo. O certo é que o bilateralismo almejado por Lula está esgotado, pois o imperialismo impõe unilateralmente o terreno em que se negociará e que interesses devem ser atendidos. Enquanto isso, continua erguendo barreiras comerciais para tentar frear sua desindustrialização, utilizar as transações extorsivas para aumentar o fluxo de capitais para sua economia e aumentar o cerco aos Estados Operários Degenerados, e às semicolônias (como o Brasil) são forçadas a se alinharem ainda mais.
Certamente, um dos principais pontos de pauta das reuniões será a exploração das chamadas terras raras existentes no solo brasileiro. Estima-se que o Brasil tenha a segunda jazida mundial deste tipo de minerais, ficando atrás apenas da China, compostos por 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs de alta tecnologia, motores elétricos, turbinas eólicas, baterias, equipamentos médicos, equipamentos bélicos, entre outros produtos de alta tecnologia. Destaca-se que a China, que detém mais de 90% do mercado desse segmento, confirmou a limitação da exportação de minerais dessas terras em outubro, retirando parcialmente as restrições após o encontro entre Trump e Xi-Jinpig. Entretanto, o monopólio estabelecido pela China obrigará os EUA e demais países imperialistas a buscar alternativas em explorar e refinar estes elementos em outros locais e países. Esse é o fundamento da ofensiva contra o Brasil.
Em solo nacional, Lula segue com as privatizações, ainda que em menor ritmo que seu antecessor, Bolsonaro, ao mesmo tempo em que as reestatizações prometidas no pleito de 2022 pelos Deputados Federais Alencar Santana (PT-SP), Erika Kokay (PT-DF), a atual Ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT) e o então candidato à Presidência, Lula (PT), se mostraram uma falácia, promessas de campanha. A criada “Frente Parlamentar Mista Pela Reestatização da Eletrobras” mostrou seu limite frente ao capital financeiro e não conseguiu dar um passo à frente.
A continuidade das privatizações, as políticas de contenção de despesas por meio do Arcabouço Fiscal para pagamento de juros da dívida pública, a manutenção das contrarreformas Trabalhista e Previdenciária, o avanço da contrarreforma Administrativa, entre outros, reforçam o alinhamento do Partido dos Trabalhadores e seus aliados mais próximos (PSOL, PCdoB, PCB) aos ditames da burguesia nacional e imperialista – ainda que ensaiem protestos e se manifestem contrários aos aspetos mais regressivos se dispondo a negociá-los – que cada vez mais se apropria dos serviços para a manutenção de seus lucros, impondo aos assalariados e demais explorados as mazelas do capitalismo. A capitulação dos partidos que falsamente reivindicam “socialistas” em apoiar a candidatura à reeleição de Lula, evidenciam seu oportunismo eleitoral e os coloca como cúmplices dos ataques aos oprimidos. Esse é o real conteúdo de classe expresso na incorporação de Guilherme Boulos ao governo burguês, no momento em que este acirra os ataques contra as massas e negocia no Congresso leis regressivas. A democracia burguesa mostrou seu esgotamento histórico há mais de um século, contudo, “as massas estão iludidas pela propaganda burguesa e pelas direções sindicais quanto ao governo Lula/Alckmin”.
É preciso combater os ataques do governo burguês pró-imperialista Lula/Alckmin com a força da ação direta e a unidade nacional das massas!
Nenhuma ilusão na democracia burguesa, forma que se expressa a ditadura de classe da burguesia!
Organizar oposições revolucionárias nos sindicatos, contrapondo à política de alinhamento ao governo burguês!