O Internacionalista n° 33 / MOVIMENTOS / novembro de 2025


Após a chacina realizada no Complexo da Penha e do Alemão, foram convocados por todo o país atos em repudio à guerra às drogas que tem por conteúdo os métodos de terrorismo de estado e a “política de extermínio” dos pobres e negros promovida pelo governador de Rio de janeiro, Claudio Castro.
Em São Paulo-SP, a mobilização reuniu cerca de 10 mil manifestantes de movimentos de negras e negros, de direitos humanos, de vítimas da repressão do estado, centrais sindicais, sindicatos, correntes e partidos. Em São Sebastião-SP, o chamado feito pelo movimento negro contou com o apoio do Fórum dos Sindicatos e Movimentos Sociais, e reuniu 35 manifestantes (uma quantidade razoável para a região). Em ambos, uma das principais reivindicações foi o fim da PM, julgamento dos responsáveis da Polícia Civil e da PM, prisão de Castro e da cúpula da polícia e da Secretaria de Segurança do Estado. Houve ainda a denúncia de que há uma estreita relação entre grupos organizados do crime, como as milícias, com o poder político, demonstrando a hipocrisia do combate ao crime que justificaria a carnificina.
Assim, defenderam-se principalmente políticas de inclusão, de moradia, educação e cultura nas favelas para todos, sobretudo, de inclusão das massas negras oprimidas e empurradas ao crime como uma via para acabar com a guerra entre forças repressivas e facções criminosas. E que era necessária uma política de unidade dos movimentos para se defender dos ataques e chacinas sem, contudo, indicar a via da organização independente e sob uma política e estratégia próprias. Assim, o enfrentamento contra a violência policial e estatal estaria marcada pela ação institucional e a punição legal dos crimes.
A política erguida pelas maiores e mais importantes organizações e movimentos em defesa dos oprimidos favelados e da população negra, a principal vítima e alvo dos massacres, fica restrita às respostas e processos que podem ser realizados ao interior do regime burguês. Ainda que se possa unir ou processar este ou aquele responsável, a estrutura do estado policial que se constitui em um instrumento do estado e da burguesia para reprimir e apagar as manifestações da barbárie capitalista, permanecerão intocadas e, assim, novas chacinas serão cometidas enquanto existir o capitalismo.
Esse é o conteúdo do manifesto do PPRI n° 87, de 31 de outubro, distribuído no ato (ver pag. 13). Não há como erradicar as condições econômicas, sociais e políticas que afundam um setor da juventude oprimida, fundamentalmente negra, na miséria e desemprego a empurrando a tentar sobreviver e garantir mínimas condições de vida se integrando à estrutura do crime organizado, sem avançar na luta revolucionária pelo fim do capitalismo. Enquanto essas massas continuarem a ouvir e lhes ser prometido que lhes é possível superar essa degradação física e intelectual recorrendo às mesmas instituições que os marginalizam e os rotulam de dispensáveis, portanto, para serem mortos quando o estado policial assim decretar, não haverá saída a barbárie social que tem nas chacinas sua face mais brutal.