


O Internacionalista n° 34 / dezembro de 2025
Editorial Internacional
Mais do que nunca, a estratégia da ditadura e revolução proletárias são o farol que deve iluminar a luta de classes
Não há como ocultar a completa decomposição capitalista. Não é com a democracia e as instituições burguesas que se freará a barbárie social.
As ameaças e imposições econômicas e diplomáticas se endurecem na mesma medida em que se endurece a retórica militarista do imperialismo. Cada entendimento para frear a guerra comercial entre os EUA com a China e a maioria dos países cai imediatamente no lixo. China continua se expandido em suas capacidades tecnológicas e industriais, e conquista mercados deslocando os EUA. Cada roteiro ou plano para a “paz”, seja na Palestina, seja na Ucrânia, são estruturados para justificar a capitulação completa dos povos e nações oprimidas, bem como das burocracias herdeiras do estalinismo na Rússia e China. A “paz” de Trump se resume em: aceitem as condições monopolistas e seu expansionismo colonialista e aceitem sua colonização; ou sua submissão virá pelos golpes de estado, pelo cerco econômico, pela intervenção militar, pelo genocídio, pela limpeza étnica e da guerra.
Em meio a esse percurso militarista do imperialismo ganha projeção a decomposição dos métodos democrático formais e as tendências de maior centralização autoritária exercida pelos governos para impor os ditames, receitas e medidas econômicas decididas pelos monopólios e o capital financeiro. Ali onde ainda persistem governos que entram em choque com o imperialismo, este procura impor candidatos e presidentes que se subordinem completamente a seus interesses, seja pelas eleições e golpes institucionais, e cada vez mais pela ameaça do intervencionismo e dos golpes de estado.
Na Venezuela, o governo nacionalista-burguês chavista resistiu graças a seu ainda amplo apoio popular e das Forças Armadas, os golpes, a desestabilização e os pleitos eleitorais fraudados organizados pela direita pró-imperialista, os EUA e governos europeus para tirar chavismo do controle do estado. Na medida que a sombra de uma nova guerra mundial ganha projeção internacional, a posse da maior jazida comprovada de petróleo é decisiva para aos EUA realizar um esforço de guerra continuo. Esse é o principal objetivo dos “planos alternativos” de Trump para retirar Maduro por meio de uma limitada intervenção militar. No caso de governos como os de Peru, Argentina, Equador, Costa Rica ou Panamá, a democracia formal em decomposição anda serviu para submeter o país e atacar às condições de vida das massas em benefício do imperialismo. A tentativa fracassada no Equador de impor a perda de soberania e promover maior opressão dos EUA sobre o país, assim como as ameaças contra a Colômbia, indicam que para os EUA, o continente americano será de sua propriedade e um campo exclusivo para a extração por meio do saque de suas riquezas. Quando um governo eleito entrava esse objetivo, assim como foi com Biden, e é agora com Trump, a polítcia imperialista estadunidense (mas também europeia) é o de planificar sua remoção à força, colocando um titeré em seu lugar.
Na Europa, da democracia burguesa só ficou as sombras e os costumes dos procedimentos formais. A centralização da burguesia imperialista europeia se orienta a exaurir às massas e aos estados para manter o parasitismo financeiro e a produção de armas para a guerra na Ucrânia. E empurra às nações oprimidas e vassalas a retirar até o último direito social, trabalhista e previdenciário para que cada tostão vá às mãos dos parasitas burgueses. As massas, porém, resistem como podem e sua força coletiva começa assombrar a burguesia e seus governos. No quadro de desagregação econômica e de tendências de luta de classes se projetando, os governos abandonam sua retórica democrática para abraçar com força as tendências fascitizantes para continuar enriquecendo à costa de guerras, crises, opressão nacional e das violentas contrarreformas. Isso que explica a aprovação de leis repressivas mais duras, o aparelhamento de estados policiais, a proscrição da liberdade de opinião e organização etc.
Os planos de guerra da Europa-OTAN contra Rússia; a decisão de Ucrânia e da OTAN de rejeitar qualquer paz que exclua uma “derrota estratégica” da Rússia; o cerco militar visando derrubar o governo de Maduro e tomar posse dos recursos nacionais da Venezuela; o cerco militar cada vez mais ostensivo e ameaçador sobre a China e o curso de um possível confronto ao redor de Taiwan; o objetivo de recorrer à remoção dos governos que entravam o expansionismo monopolista; os preparativos para uma segunda guerra contra Irã por meio de mentiras e fraudes diplomáticos; o avanço à colonização da Palestina, do Líbano e da Síria visando garantir os lucros monopolistas; enfim, o avanço à opressão nacional e social são um sintoma de que não há outra via para o imperialismo que redividir o mundo e seus mercados pela força, o que o leva em rota de colisão direta contra os estados operários degenerados da Rússia e China. E deve servir de alerta ao proletariado de que o que lhe aguarda a barbárie, as guerras e um violenta ofensiva contrarrevolucionária – via destruição das condições de vida das massas oprimidas – caso não se reorganize no campo de sua independência de classe, dê passos mãos ofensivos na luta de classes contra suas burguesias e, reconstruindo sua direção revolucionária mundial, caminhe para enterrar o capitalismo com a revolução proletária.
Durante quase todo o ano, nosso Editoriais Internacionais se dedicaram a demonstrar porquê a troca de Biden por Trump no comando da principal potência imperialista trazia em seu bojo a ameaça de uma guerra em escala mundial, visando dar uma sobrevida ao capitalismo em sua fase terminal de decomposição, a imperialista. Passado um ano da ascensão de Trump ao comando dos EUA, revela-se em toda sua importância a tarefa estratégica colocada ao proletariado e sua vanguarda nesta fase de continuas crises, guerras, genocídios e contrarrevoluções. E não é outra que se organizar no campo de sua independência de classe, combater a burguesia e seus governos de plantão para, com toda sua força social, paralisar a economia e as guerras imperialistas, para apoiar incondicionalmente os povos e nações oprimidas em luta contra o colonialismo e opressão imperialistas, o que inclui a defesa de suas conquistas revolucionárias, sobretudo, da propriedade nacionalizada pelas revoluções russa e chinesa.
Depois de ter fracassado toda tentativa reformista e toda alternativa não proletária para a resolução da violenta crise mundial, é hora de por em prática e levantar bem alto o único programa que se comprovou no laboratório da história. A revolução social nos países capitalistas e a revolução polítcia nos estados operários degenerados (Rússia, China, Coreia do Norte, Cuba etc.) são os dois pares dialéticos que condicionam e estruturam o programa sobre o qual se reconstruirá o partido mundial e se forjarão e provarão os partidos proletários revolucionários como suas seções nacionais.