O Internacionalista n° 34 / MOVIMENTOS / dezembro de 2025


O dia 29 de novembro foi convocado mundialmente, pelas organizações palestinas e movimentos de todo o mundo, como um dia mundial de manifestação contra o genocídio. Com antecipação de uma semana, foi realizada uma reunião da Frente Palestina São Paulo (FPSP) para transformar a data em um dia nacional de protestos massivos nas ruas. Participaram partidos, acorrentes estudantis, organizações populares, MST e a Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB, do PCdoB). Além de definir o local e o caráter da manifestação, foi decidido fazer panfletagens, uma ampla convocatória mediática e se propôs por militantes às centrais presentes (CTB e Conlutas) realizar assembleias e plenárias, além de informar em sues boletins sindicais, para organizar a participação das bases operárias e dos assalariados.
O dia do ato ficou claro que nem foi feita a ampla divulgação. Não houve quaisquer sindicatos que se prontificaram a imprimir os panfletos, impedindo assim realizar a panfletagem em estações como fora decidido. Não houve (que saibamos) qualquer organização de plenárias, assembleias ou notificação do ato pela CTB ou Conlutas. Tampouco o MST mobilizou suas bases, enquanto a ausência do MTST não apenas transformou-se em um selo distintivo da paralisia de sua direção, como da via de subordinação de Boulos ao governo burguês de Lula que, repitamos, continua sendo cumplice do genocídio. Assim, a mobilização e, portanto, os palestinos, só contaram com a militância partidária de algumas correntes políticas, estando ausente o PT e o PSOL como partidos majoritários dos reformistas nas manifestações.
Fazer um balanço deste ano das manifestações, exceptuando 15 de maio e as duas marchas em setembro, fica cada vez mais claro que os partidos, organizações e sindicatos da base aliada da frente ampla burguesa de Lula/Alckmin abandonaram a luta nas ruas e organizar suas bases para ajudar em nosso país a estrangular os interesses do sionismo, que seria de inestimável ajuda para a vitória dos palestinos. Pelo contrário, a paralisia dos sindicatos, a ausência da CTB do ato (que supostamente devia ajudar a organizar) e do PT e do PSOL (com excepção de umas poucas correntes internas, reduzido a poucos militantes), priorizando a campanha eleitoral de 2026 e protegendo Lula que mantém as relações comerciais e políticas com Israel, deixa às claras a hipocrisia dos defensores dos direitos humanos e da vida dos oprimidos. Suas direções trocaram o sangue e direito dos palestinos pela governabilidade de Lula. Como esse, pela sua ação e inação demostram-se cumplices necessários do genocídio.
Esse é o balanço que mais importa aos militantes que honestamente querem lutar, e inclusive avançar na luta e sua radicalização, pela vitória dos palestinos e a destruição do sionismo e seu estado. Além disso, se deve responder que é falso que não existe disposição das bases. Veja-se na Europa: quando a direção que está minimamente comprometida com a causa Palestina, pode mobilizar milhões e paralisar a economia, como na Itália. Estamos falando de direções classistas, ainda que não revolucionárias, mas em oposição à política da colaboração de classes dos pelegos e burocratas da CUT, da CTB, da Força etc. A burocracia de esquerda que controla a Conlutas, por sua vez, é arrastada a conciliar com essa hipocrisia sob a bandeira justa da “unidade de ação em meio às divergências”. Essa deve servir para mobilizar massivamente, preservando o direito à livre exposição das posições; mas, está sendo usada para acobertar essa traição das direções governistas contra as massas e, especialmente, contra os palestinos. Sem essa conclusão, não será possível reagrupar sob bandeiras sem manchas a todas e todos o que sincera e honestamente estejam derrota de Israel, por todos os meios necessários.
Por isso, o PPRI na fala e em seu manifesto, priorizou demostrar – de forma prática e histórica – que, no momento em que a ONU rasgou definitivamente as normas do direito internacional burguês, permitindo EUA e aliados a impor a colonização da Palestina sobre a base da limpeza étnica e do holocausto, nada mais há que defender ou se utilizar dessas instituições e normas. Trata-se, diferentemente, de desenvolver estratégia e os métodos da luta de classes. E isso exige passar por cima dos pelegos sindicais, combater o governo burguês e abrir caminho uma política proletária, que se demostrará mais efetiva e mais rápida para impor pela força da luta de classes, que se rompam todos os acordos entre o Brasil e o estado terrorista e genocida de Israel. Lula já deixou claro que nunca romperá com Israel. É hora de as massas romper com esse governo e impor suas reivindicações e a dos palestinos com a luta de classes, atacando e derrubando a burguesia por meio da revolução social.