


O Internacionalista n° 34 / SINDICAL / dezembro de 2025
Fórum dos Sindicatos e Movimentos Sociais do Litoral Norte (SP)
Balanço de 10 anos da criação do Fórum
Após a ocupação das escolas em 2015, militantes sindicais que apoiaram os estudantes na E.E. Colônia dos Pescadores compreenderam a necessidade de criação de um organismo frentista para atuação unitária na região. Assim, foi fundado o Fórum dos Sindicatos e Movimentos Sociais do Litoral Norte de São Paulo, com apoio do SindiPetro – Litoral Paulista, SindServ de São Sebastião e partidos políticos, além de um policial penal e um professor da rede municipal.
O também conhecido como Fórum Sindical do Litoral Norte é marcado por seu “efeito sanfona”, pois algumas entidades se aproximam e se afastam, fazendo com que a quantidade de organizações em seu interior seja variável ao longo dos meses e anos. Geralmente, percebe-se a maior aproximação de sindicatos e movimentos sociais quando há mobilização ou nacional, contra os ataques do governo de turno, ou regional, em campanhas salariais e afins. Após o qual refluem e abandonam as reuniões.
A região é predominantemente marcada pelo atraso político, pela falta tradições classistas e pela presença de classes e camadas de classe reacionárias da burguesia e pequena burguesia, seja pela ausência de ações de forma sistemática dos sindicatos e movimentos que favorecem a despolitização, seja pelo controle político e ideológico das oligarquias regionais. Contudo, a existência do Fórum permitiu ao longo destes anos ecoar reivindicações dos explorados e movimentos nacionais, a exemplo das mobilizações de 2017 para tentar barrar a contrarreforma Trabalhista, e de 2019, para tentar barrar a contrarreforma Previdenciária. Até 2025, essas foram as maiores mobilizações na região, perdendo apenas das paralisações dos servidores de Caraguatatuba e São Sebastião. Também o Fórum é responsável pelo primeiro ato do 1º de maio unificado na região, por trazer ao Litoral Norte debate e ato contra o genocídio na Palestina e o Grito dos Excluídos, e pela ajuda aos movimentos que existiram, como o Coletivo de Educação de Caraguatatuba – COEDUCA.
Nos anos eleitorais, a plenária do Fórum Sindical por consenso de seus membros sempre rejeitou os oportunistas que apareciam apenas para pedir votos e apoio à candidatura, mas nunca se dispunham a organizar as lutas, colocando-se contra essa política aparelhista em defesa da independência de classe e do método da ação direta na defesa dos explorados.
Apesar de, historicamente, o Fórum Sindical servir para impulsionar a luta de classes na região, em 2025 têm se deparado com questões organizativas que enfraquecem esse organismo de frente única e podem comprometer tanto sua função histórica quanto sua independência de classe. A modo de exemplo, assinalamos dois fatos:
1) A direção do SindServ de São Sebastião, vinculada à Revolução Socialista-PSOL/Unidos Pra Lutar, rompeu com o Fórum em 2024, diante da pressão do setor mais reacionário de servidores que apoiaram a repressão contra militantes do Fórum no Grito dos Excluídos. A direção do SindiServ, assim, tomou o lado da repressão do estado contra o Fórum.
2) A CP-LN/POR, que também faz parte da direção sindical, se manteve no Fórum mas declarou que, diante da ruptura do que chamam de “direção majoritária” , não tratariam dos assuntos do SindServ nas reuniões. É correto não tomar decisões pela direção quando se é “minoria”. Mas, precisamente como “minoria”, podem muito bem colocar os problemas gerais do sindicato e das categorias filiadas e avaliar como defender no Sindserv a unidade para impulsionar as lutas.
3) Em algumas reuniões em que a membro da direção do SindServ estava ausente, o POR rejeitou que a Frente Combativa (oposição interna à direção RS/POR) apresentasse informes sobre o sindicato. Em outra reunião, impediram informes da Frente Combativa, que reivindicava direito de fala por apenas 5 minutos, o que foi negado pelo PCB e POR.
4) O PCB tem tido perante o Fórum uma atitude oportunista e autoritária contra a oposição à direção do SindServ. São, hoje, o braço da política governista no interior do Fórum, por exemplo quando tentam amenizar os impactos da Contrarreforma Administrativa, dizendo que esta estará limitada aos servidores federais e causará pouco impacto, pois retirará direitos que já foram retirados por leis anteriores. Nos últimos meses, tem se mostrado um defensor do governo burguês de Lula que ataca os servidores e trabalhadores. Por isso, precisam agir autoritariamente e silenciar a oposição classista.
5) Nas mobilizações, os militantes do PCB trouxeram setores da igreja para impor como seria o 2º Grito dos Excluídos na região, se servindo dessa manobra para esvaziar os atos de bandeiras contra o governo Lula, com uma política oposta à independência de classe.
6) O PCB tenta, ainda, limitar o ingresso de novas entidades, no Fórum com diversos filtros, com destaque para o movimento negro da região, justificando que tinham pedido verba para impulsionar suas ações. Porém, o PCB já havia pedido dinheiro ao Fórum, não para impulsionar lutas e movimentos, mas para a campanha eleitoral, o que foi negado.
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O oportunismo e aparelhismo trazem ao interior do Fórum um método e uma política que se opõe a seu caráter frentista e à independência de classe. A unidade frentista se deve forjar com todas as correntes, oposições e partidos que querem de fato impulsionar a luta pelas reivindicações próprias dos oprimidos em meio às divergências, a liberdade de crítica. Por isso, a tarefa colocada para o próximo período é de superar as tendências reformistas, centristas e estalinistas, retomando o rumo de lutas sob a unidade frentista por meio de um programa mínimo e de princípios claramente estabelecidos. Assim é que iremos transitar o verdadeiro objetivo do Fórum Sindical do LN, que deve ser impulsionar as lutas locais e criar condições para as lutas nacionais se expressarem na região com independência de patrões e dos governos burgueses.