O Internacionalista n° 34 / SINDICAL / dezembro de 2025


A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC), conduzida por Renato Feder, anunciou a chamada “reorganização escolar”. Segundo o governo, cerca de 300 escolas com mais de 1200 alunos foram consultadas. Dessas, cerca de 100 aceitaram a proposta de “divisão” e serão fragmentadas num mesmo prédio com duas gestões. Segundo o discurso do governo, a medida é para fracionar as modalidades de ensino para “melhor focar na aprendizagem das crianças e adolescentes”, separando o ensino médio do fundamental, por exemplo.
A medida passa longe da construção de novos prédios, e do aumento do número de funcionários. Ela disfarça a continuação do fechamento das salas e turnos, dando curso ao projeto de privatização das escolas, ampliando o desemprego e subemprego entre os trabalhadores da educação.
Não há muita informação sobre a “reorganização”. Parece que o governo visa impedir a participação dos professores, alunos, funcionários e pais. A falta de transparência por si só é uma denuncia no sentido de que essa, será com certeza mais um ataque à escola pública.


É fundamental e urgente a necessidade de se organizar a resistência por meio da luta de classes.

Além da chamada reorganização, o secretário de educação soltou um vídeo no dia 30 de novembro, anunciando o que chamou de “melhora da frequência e do nível de aprendizado dos estudantes”. Sobretudo, o vídeo serviu também para falar da avaliação de desempenho. Afirma que os diretores terão “autonomia” para manter nas escolas os professores mal avaliados por eles e pelos alunos. Que os diretores também poderão escolher seus professores, podendo mandar para outras escolas os professores com avaliação insatisfatória.
Por existirem muitos que são professores escolhidos pelas Diretorias de Ensino (DE), a esmagadora maioria dos diretores de escolas são seguidistas da política reacionária e autoritária da secretaria de educação, deixando muitos professores à mercê dessa política, pautada em critérios subjetivos. Essa medida terá impacto no número de desemprego e subemprego de uma parcela dos professores. Podendo inviabilizar o acúmulo de uma parte dos professores, devido ao deslocamento de uma escola para outra.
A ideia de autonomia para os gestores é completamente falsa. Na verdade, a fala é para disfarçar o autoritarismo pautado na avaliação de desempenho que colocou uma parcela dos estudantes e gestores contra os professores.
Assim como no ano passado, a secretaria tem lançado uma enxurrada de novas resoluções. Está claro que o objetivo não é de fazer mudanças para melhorias, mas sim de provocar confusão numa parcela dos gestores e professores, além é claro, de aprofundar a destruição da escola pública.


Diante dos ataques, a direção majoritária da Apeoesp (PT/PCdoB e PSOL) se recusa a organizar os professores para responderem com a luta de classes.

Há 10 anos, o governo Alckmin tentou impor uma “reorganização escolar” que previa o fechamento de quase 100 escolas, a medida veio logo depois de uma das maiores greves do magistério paulista que durou mais de três meses. A medida estava ligada aos ajustes fiscais do governo Dilma Rousseff, através do Ministro da economia Joaquim Levy. Foi derrotada pela revolta dos estudantes e um movimento nacional de ocupação de escolas contra a “reorganização”. Perante os novos ataques, a via da luta, das ocupações, das greves e manifestações deveria ser o caminho a ser tomado para derrotar mais esse ataque.
Os ataques contra os professores do estado são parte dos ataques contra os serviços públicos que todos os governos põem em prática. O marco desses é o Arcabouço Fiscal que suga os recursos dos orçamentos públicos para os parasitas da dívida, além das Privatizações de escolas e a aplicação da Reforma Administrativa
Como se vê, os ataques são constantes. É fundamental e urgente organizar não só os professores, mas os demais funcionários, alunos e pais para uma resposta coletiva e radicalizada.
No último congresso sindical , a CSM-GL (Corrente Sindical Marxista – Guillermo Lora) defendeu um calendário com assembleias e comando junto às bases para organizar a categoria para responder aos ataques, iniciando o próximo ano em luta na defesa dos empregos e salários. A direção se recusou e votou um calendário pautado nas ações jurídico-parlamentares. A experiência nos demonstrou muitas vezes que, a justiça e o parlamento agem contra os trabalhadores e a favor dos governos e patrões.
Ao se recusar a mobilizar a categoria com o método da luta de classes com os comandos e assembleias, a direção deixa o caminho livre para os ataques, colaborando objetivamente com o governo.
A direção da Apeoesp colabora com o governo Tarcísio ao não organizar a luta. Faz isso porque se nega a organizar a luta coletiva porque suas bases teriam de se chocar com a política do Arcabouço Fiscal e a Reforma Administrativa do governo Lula. A luta consequente e com independência de classe em defesa da categoria somente pode ser feita por uma oposição revolucionária ao governo burguês. A luta pela defesa da categoria leva implicitamente a combater à burocracia e à colaboração de classe.