


O Internacionalista n° 35 / NOTAS INTERNACIONAIS / janeiro 2026
Irã – O imperialismo prepara uma nova intervenção
Após a Venezuela, Irã é alvo das ameaças dos EUA
Após o ataque contra a Venezuela, o imperialismo se prepara para justificar mais um ataque contra o Irã. Se o objetivo na Venezuela foi tentar decapitar o governo nacionalista-burguês, procurando obrigá-lo a negociar em termos desvantajosos para a nação oprimida, e, sobretudo, atingir a China (principal consumidora do petróleo pesado barato venezuelano). Se o ataque contra a Venezuela visa o enfraquecimento logístico do estado operário degenerado chinês, um possível novo ataque contra o Irã tem o mesmo objetivo estratégico, uma vez que se trata de outra nação provedora de petróleo para a China.
Após a guerra dos doze dias do sionismo-imperialismo de junho do ano passado contra o Irã, vem se preparando uma nova ação militar contra o regime iraniano. Desta vez, a justificativa seria a da defesa dos manifestantes que tomaram as ruas do país por conta da crise econômica e contra a depreciação da moeda, que elevou rapidamente os preços dos produtos de consumo básico. Trump alertou ao governo iraniano que em caso de mortes entre os manifestantes, atacaria militarmente o país. Se na Venezuela a justificativa era acabar com a inexistente organização narcotraficante “Cartel dos Soles”, da qual Maduro supostamente fazia parte, no Irã se trataria da defesa da liberdade de expressão dos manifestantes. Se bem os protestos tem por base material objetiva uma crise econômica profunda, que afeta as condições de vida das massas, essa crise foi criada pelo brutal (e genocida) bloqueio econômico que os EUA e aliados impuseram ao regime nacionalista-burguês há mais de quatro décadas. Mas, o que ficou ainda mais evidente é que a “radicalização” dos protestos (grupos armados assassinaram dezenas de membros das forças de segurança e da polícia iraniana) se ligam aos grupos separatistas apoiados por células de agentes do Mossad israelense e da CIA. A agitação e radicalização dos protestos genuínos das massas por suas condições de vida não correspondem ao avanço da luta de classes sob um programa de reivindicações, e sim à ação de desestabilização do imperialismo e aliados. Esse roteiro se repete em todas as geografias: desde a Europa (Georgia, Sérvia e Ucrânia em 2014 etc.) até a Ásia (Síria).
Entre a ofensiva imperialista e o agravamento da crise econômica, o regime teocrático ensaia uma limitada resposta, garantindo limitados direitos civis, a exemplo da retirada da obrigação das mulheres se cobrirem o pelo e o rosto. Mas, pela natureza burguesa e reacionária do regime nacionalista-burguês de formas teocráticas, não poderá além de medidas cosméticas e pontuais. Com a grave crise econômica e a nova conjuntura mundial marcada pela ofensiva belicista dos EUA, o regime iraniano terá de resistir pela sua sobrevivência. Se de um lado, o ataque sionista-imperialista que revelou ao regime a necessidade de outorgar mínimas concessões às massas e “abrandar” as rédeas autoritárias e religiosas (sob ameaça de sua destruição pela intervenção externa combinada à revolta das massas); de outro, não há como a burguesia e a casta teocrática-militar sobreviver sem centralizar autoritariamente o país.
As massas que se levantam impulsionadas pelo descenso rápido de suas condições de vida estão sendo utilizadas de base de manobra por agrupamentos sectários e agentes externos, visando a derrubada do regime e, portanto, destruição da limitada soberania nacional conquistada com a revolução de 1979. A democracia e os direitos que erguem as potências imperialistas e seus vassalos é a cobertura ideológica farsesca da qual se provêm os monopólios e a burguesia financeira para agitar a revolta objetiva das massas contra a crise para fins contrários a seus interesses de classe e à nação oprimida. São os mesmos “democratas” que lucram com o sangue, o genocídio e a limpeza étnica da Palestina. A defesa das “liberdades democráticas”, dos direitos civis e à livre expressão e manifestação servem a esses agentes e agrupamentos para abrir caminho ao saque das riquezas naturais e dos recursos do país e criar uma nova base militar imperialista na Ásia contra a China.
Isso não significa dar às costas às necessidades das massas ou se negar a organizá-las de forma independente por trás de um programa comum de reivindicações. Mas, obriga à vanguarda com consciência de classe a alertá-las que sem sua direção e estratégia revolucionária, poderão acabar servindo aos genocidas e carniceiros imperialistas. É dever dos marxistas aprender das lições trazidas pelo golpe imperialista de Maidan na Ucrânia em 2014 e da derrubada contrarrevolucionária de Gaddafi, na Líbia, e de Al-Assad, na Síria. Qualquer apoio objetivo à ofensiva medidas imperialista-sionista, é um crime contra a nação e as massas oprimidas. O que não significa apoiar a política e os métodos do nacionalismo-burguês teocrático islâmico. Está aí porque se se realiza uma nova ação intervencionista do imperialismo e do sionismo contra o Irã, o dever dos revolucionários é (imediatamente) defender a nação oprimida ao lado conjunturalmente do governo pela sua derrota. E caso os agrupamentos e agentes continem sua ação de desestabilização, organizar a autodefesa das massas para reprimi-los.
Essa explicação nos é necessária para colocar a importância que tem a tática leninista do princípio irrenunciável dos marxistas-leninistas-trotskistas de estar sempre ao lado da nação oprimida e, nesse estrito sentido, do governo que se deram as massas em sua luta revolucionária contra a opressão imperialista. É combatendo junto das massas contra seu principal inimigo que a vanguarda marxista se ganhará o direito a dirigir o proletariado e demais oprimidos erguendo a Frente Única Anti-imperialista que, conjunturalmente, poderá ser conformada com os elementos do regime ou do governo. Essa possibilidade que o PPRI expressou em seu Programa, demonstra-se completamente justa na atual situação política mundial, sobretudo, após o ataque de 3 de janeiro contra a Venezuela.
O essencial à tática e estratégia proletária na atual situação reside em compreender que a mudança do regime teocrático no Irã – assim como a subordinação do chavismo por meio de um golpe de estado e intervenção militar – é mais um elo no objetivo do imperialismo de controlar a produção e refino de petróleo, manter o dólar como instrumento de coerção financeira (se as maiores reservas mundiais são controladas pelos EUA, o dólar frearia seu declínio) e, especialmente, impedir que a China se fortaleça ao enfraquecer ou cortar suas rotas logísticas de abastecimento. Está mais do que claro que o imperialismo nunca abandonou seu objetivo de destruir a propriedade nacionalizada pela revolução proletária e derrubar a burocracia filo-stalinista, transformando a China (e Rússia) em semicolônia.
Ao apresentar e defender a Frente Única Anti-imperialista – baseada no armamento geral das massas sob controle de seus organismos próprios – nos colocamos não apenas na trincheira da nação oprimida como, ao mesmo tempo, na defesa da principal conquista revolucionária do proletariado chinês (e russo): a propriedade nacionalizada pela revolução contra a ameaça de sua destruição pelo imperialismo. Fazemos isto inclusive contra a própria burocracia restauracionista e o regime teocrático que são incapazes de desenvolver a luta anti-imperialista e anticapitalista até sua conclusão revolucionária.
A tática e política marxista-leninista-trotskista são condicionadas pelos métodos e a estratégia da revolução e ditadura proletárias que tem por fundamento o programa da revolução social nos países capitalistas e da revolução política nos estados operários degenerados na atual conjuntura em que o capitalismo apodrece, ameaçando afundar a humanidade na barbárie de uma nova guerra mundial.