O Internacionalista n° 35 / MOVIMENTOS / janeiro de 2026


Após a escalada bélica dos Estados Unidos contra a Venezuela no último dia 03 de janeiro, e do ataque que deixou mais de 100 pessoas mortas e sequestrou Nicolás Maduro e Cilia Flores, movimentos sociais e partidos iniciaram a movimentação de suas bases para articular ações em defesa da Venezuela, América Latina e Caribe perante a ofensiva intervencionista dos EUA. A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – ALBA convocou todas as forças políticas, entidades e militantes para uma reunião no dia 04 de janeiro com o objetivo de organizar ações massivas e unitárias em defesa da República Bolivariana da Venezuela e pelo fim imediato das agressões e bloqueios que afligem o povo Venezuelano. O PPRI esteve presente na reunião da ALBA e nos atos realizados. Porém, denunciamos que a reunião foi burocratizada para impedir que posições de fato revolucionárias pudessem interferir nas bandeiras e organização dos atos. Apesar disso, entendemos que era nosso dever participar dos atos em defesa da autodeterminação da Venezuela e contra o imperialismo.


Litoral Norte de São Paulo

Atos foram marcados para os dias 08 e 10 de janeiro, em Ubatuba e Caraguatatuba respectivamente. No dia 05 de janeiro o Fórum dos Sindicatos e Movimentos Sociais do Litoral Norte em unidade com a Casa da Democracia em Caraguatatuba, realizaram uma plenária visando a construção de atos unitários regionais. Compareceram à reunião independentes, militantes do PT, PSOL, UP, PCdoB, PCB, PCBR, POR e PPRI. Aprovaram-se os eixos retirados na reunião da ALBA como pautas em comum para constarem nos materiais e propaganda do ato. A pauta do dia 08 de janeiro e a defesa da democracia burguesa também permeou o debate.
Durante a construção do ato foi necessário encaminhar que as correntes e partidos ali presentes tivessem a liberdade de atuar com material próprio de suas organizações, sem cerceamento, encaminhamento combatido pela direção petista presente. Dado o acirramento das posições e a irredutibilidade das organizações presentes, o PT retirou sua crítica e a livre manifestação das organizações ficou mantida.


Ato em Ubatuba – 08 de janeiro

Sob as pautas de: “Sem anistia para golpista” e “Toda solidariedade à Venezuela”, o ato unificado construído pelo PCBR, PSOL, PT, REDE e coletivos Tansarte e Aymbere contou com falas que iam de um extremo a outro dentro das conjunturas nacional e internacional. Havia uma tendência a radicalidade nas falas dos integrantes do PCBR e PSOL, que conclamavam a ocupação das ruas em defesa da América Latina e na construção da frente anti-imperialista, entretanto a ilusão nas eleições burguesas não deixou de aparecer, principalmente nas falas relacionadas ao PL da dosimetria, recentemente vetado pelo presidente Lula, e na franca campanha petista para as eleições de 2026. O PT, além da propaganda eleitoral pela reeleição de Lula, trouxe em suas falas a “defesa da paz” na América Latina, dizendo que aqui nós somos “alegres, receptivos e gostamos de festa” e que uma guerra “acabaria com nossa alegria”, com o “clima de felicidade” estampado na praça da cidade litorânea que sobrevive do turismo, que “não teríamos carnaval”. Essas declarações esvaziadas de ideias políticas objetiva proteger o governo Lula que procura negociar com o imperialismo e não pretende, de fato, combatê-lo e, desse modo, fazer a campanha eleitoral que não incomode esse governo burguês pró-imperialista e impotente para defender na prática a soberania nacional.
Em nossa intervenção, apontamos que a defesa da democracia, de modo abstrato e subjetivo, serve apenas para acobertar a defesa da democracia burguesa. A democracia que os marxistas devem almejar e defender é a democracia operária baseada na organização das massas com independência de classe, em luta contra a burguesia e seu regime político, bem como seus métodos de ação direta e de autodefesa. Tratamos ainda da questão da soberania da Venezuela e que, apesar de não apoiamos incondicionalmente o governo burguês de Nicolás Maduro, defendemos o povo venezuelano oprimido pelo imperialismo e, nesse sentido, estamos ao lado desse pela derrota dos EUA. Destacamos que essa ofensiva se deu porque, esse governo nacionalista burguês de Maduro se recusou a ceder às investidas dos EUA, enfrentando-o e se transformando em um entrave a seus interesses na América Latina.


Ato em Caraguatatuba – 10/01

Realizado na praça central da cidade, o ato contou com a participação dos partidos e movimentos que participaram de sua construção, bem como de militantes e pessoas independentes que compareceram devido à propaganda realizada.
Diferente do ato realizado em Ubatuba, as organizações presentes conseguiram imprimir ao ato seu real caráter prestando solidariedade à Venezuela e a defesa da América Latina sob as bandeiras da luta anti-imperialista. Entretanto, como estavam presentes militantes do PT e do PCdoB, algumas intervenções foram feitas propagandeando Lula como o salvador da América Latina e única solução contra o avanço do imperialismo sobre nossas terras. Foi necessário combater essa falsificação e apontar que as massas exploradas possuem um só caminho dentro da luta de classes: que é o da autodeterminação dos povos e nações oprimidas pelo imperialismo, visando a construção de uma frente única anti-imperialista, organizadas sobre sua própria estratégia de poder. Assim como na intervenção realizada em Ubatuba, relembramos que devemos estar ao lado das nações oprimidas e conjunturalmente de seus governos sob ataque do imperialismo, contra seus opressores e pela derrota do imperialismo, para que o proletariado possa se organizar de forma independente, estruturando seu partido que impulsionará a luta de classes, expropriando a burguesia e nacionalizando todos os meios de produção sob o controle operário, terras, minérios, petróleo, abrindo caminho para a revolução proletária.
Apesar da polarização entre as falas reformistas e revolucionárias, conseguimos atuar levando nossa política nas falas e na distribuição no nosso manifesto.