O Internacionalista n° 35 / NOTAS OPERÁRIAS / janeiro de 2026


Os trabalhadores da Construtora Porto, que presta serviços ao governo de Roraima, iniciaram uma greve no dia 11 de dezembro do ano passado reivindicando o pagamento imediato do salário de novembro/2025 que estava em atraso, a primeira parcela do décimo-terceiro, o pagamento do vale-refeição, férias e cesta básica. A greve se encerrou após 15 dias (em 29 de dezembro) de luta por melhores condições de trabalho e aumento salarial.
A Construtora, conforme a CSP – Conlutas em que o SINTRACOMO (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Roraima) é filiado, vem demitindo funcionários e atrasando pagamentos. Ainda conforme o sindicato, a empresa vem demitindo operários, passando de 800 funcionários para apenas 300.
A greve obteve adesão de cerca de um terço dos trabalhadores que são, em sua maioria, imigrantes venezuelanos. Esses trabalhadores lutam para sustentar suas famílias no Brasil e parte destas que permanece na Venezuela enfrentando terríveis condições de vida sob o genocida bloqueio econômico imperialista.
Em 17 de dezembro, o PPRI esteve no acampamento da greve em frente à Construtora Porto, defendendo o movimento e se colocando ao lado dos trabalhadores diante dos ataques dos governos e dos patrões. Lembramos a eles a greve dos trabalhadores da Petrobrás, e que os movimentos grevistas devem se apoiar na independência de classe, na organização política dos trabalhadores, que têm interesses antagônicos aos seus patrões, estes querem o lucro enquanto os trabalhadores querem que seu trabalho seja pago, e que esse salário mal serve para pagar as contas, por isso devemos lutar pelo salário mínimo vital de R$7.106,83, medido pelo DIEESE, que seria suficiente para sustentar uma família de 4 pessoas.
Os trabalhadores reclamaram que o salário que recebem mal dá para pagar as contas básicas, e está muito longe de cobrir suas necessidades mais elementares. Essa é a realidade de classe dos que constroem e são responsáveis pela manutenção das escolas e hospitais no estado de Roraima, são trabalhadores terceirizados em condições precárias de trabalho, muitas vezes sequer recebem o equipamento necessário para desenvolver seu trabalho com segurança.
É por isso que defendemos a importância da ação direta, da greve, como instrumento histórico da luta de classes e real defesa dos trabalhadores diante dos ataques aos salários e direitos. Segundo a CSP-Conlutas, a greve se encerrou com os pagamentos de décimo terceiro salário, pagamento do vale-refeição, transporte, férias e salários atrasados.
Está colocada a necessidade das próximas greves conseguir mobilizar a maioria dos operários, impedindo que aqueles que não se mobilizam possam ajudar a furar a greve ou serem utilizados pelo patronato para enfraquecer a greve. Para isso, é necessário trabalhar para erguer um programa comum de reivindicações e elevar a consciência de classe dos operários.


Viva a greve dos operários da Construtora Porto!