


O Internacionalista n° 36 / fevereiro de 2026
Editorial Internacional
Socialismo ou Barbárie, é a síntese do programa que deve guiar a luta das massas na atual situação política
Após as reuniões indiretas entre os EUA e Irã, estabeleceu-se uma pausa nas negociações que, longe de significar um afastamento do perigo da guerra, significa tão somente uma mudança nos tempos de sua execução. O imperialismo norte-americano opera com intervenções, imposições colonialistas, atos de guerra, extorsão e pressão máxima da guerra econômica para impor mudanças de governos (Síria, Líbia, Iraque, Irã etc.), abrir campos lucrativos à exploração e controle monopolista (investimentos imobiliários na Palestina ocupada, exploração petrolífera da Venezuela, controle militarizado do Canal do Panamá, exercícios militares e bases militares no Equador e Argentina, ameaças sobre Groelândia etc.), ou estabelecer seu controle sobre rotas de abastecimento logístico da China e da Rússia.
Por baixo das óbvias e urgentes medidas de fortalecimento da enfraquecida e decadente economia norte-americana – não por meio do fortalecimento de sua base industrial e técnica e da extensão da composição orgânica e técnica de seus capitais nacionais, mas por uma operação econômico-financeira de pilhagem e deslocamento de maiores fatias da mais-valia produzida mundialmente a seus cofres – acha-se o movimento das chamadas placas tectônicas mundiais que resultam do choque de morte entre as forças produtivas desenvolvidas sobre a base das revoluções proletárias (cuja base material mais decisiva é a propriedade estatizada e nacionalizada) contra as forças produtivas desenvolvidas sobre a base da propriedade privada monopolista dos meios de produção, hoje em franca decadência.
Temos desenvolvido essa tese leninista há 3 anos, desde a primeira publicação de nosso jornal. Temos folhetos e nosso programa em que se desenvolve essa tese em sua relação com a base histórica e econômica ainda existente como realidade objetiva. Retomamos aqui de passagem apenas para demonstrar que no quadro da decadência da principal potência econômica perante uma China que já está à frente da produção e dos avanços técnicos, leva e empurra os EUA e aliados imperialistas em guerra contra os estados operários degenerados. Basta ver o “mapa” das guerras regionais e intervenções militares para que essa tendência se revele em toda sua força. Os EUA estão se preparando, junto dos aliados, para uma guerra em nível mundial que deve destruir seus inimigos, submetê-los ao controle imperialista e, assim, operar a derrubada das burocracias filo-estalinistas e proceder à total restauração capitalista.
As movimentações bélicas e intervenções já realizadas (ou em preparação) são prelúdios necessários dessa guerra em escala mundial. A derrubada de Al-Assad teve esse caráter e, agora, esse país serve aos EUA e Israel para avançar a seu expansionismo pela derrota do Irã. O “deslocamento” de militantes do ISIS presos na Síria para o Iraque é uma operação de guerra visando levar para um país fronteiriço do Irã uma “força tarefa” islâmica ao serviço dos EUA e de uma guerra interna para a derrubada do regime nacionalista-burguês de formas teocráticas e, desse modo, desmembrar o país. Assim como os acordos entre HTS e curdos na Síria devem servir contra a Rússia para expulsá-la do país e favorecer o cerco sobre o sul de suas fronteiras que está sendo erguido com Armênia e Azerbaijão. É também por isso que a guerra na Ucrânia continua seu curso. Por debaixo dos panos, os EUA continuam armando e ajudando com informação satelital ao governo nacionalista e fascistizante de Kiev. O objetivo segue sendo o enfraquecimento das bases de apoio e sustentação logística da China e Rússia para, chegada uma guerra, impedir esses estados operários de terem rotas de abastecimento que lhe permitam resistir.
A centralização autoritária e as tendências fascistas que se manifestam nos EUA por intermédio do fortalecimento do estado-policial (rasgando limites do direito) para a ação repressiva, são medidas complementares às movimentações externas da potência estadunidense. Um “Front” interno controlado e uma luta de classes nacional oprimida pela ação ditatorial do estado é necessária para centralizar e mobilizar, sob vigilância policial, as forças e recursos nacionais para uma futura guerra. Trata-se também da necessidade de controlar e deprimir pela força a luta de classes interna que tem por base objetiva a aceleração da crise econômica e destruição das condições de vida dos assalariados.
Uma guerra entre esses inimigos antagônicos não é, evidentemente, inevitável. Se os EUA conseguem impor seu domínio colonial e ingerência sobre as nações oprimidas e seus vassalos por meio de uma brutal opressão social e nacional, a guerra poderá se afastar conjunturalmente, mas isso alavancará a revolta e a luta de classes em todos os países sob seu domínio. E apenas adiará a necessidade da destruição e subjugação da Rússia e China. Como se vê, o curso da situação política mundial realça a importância da compreensão pela vanguarda com consciência de classe de preparar as massas exploradas e oprimidas para fazer a guerra civil contra a burguesia e trabalhar pela sua derrota.
A democracia formal burguesa, a procura por afastar o perigo por meio de instituições e do direito internacional etc. são cortinas de fumaça que preparam novas traições contra a classe operária mundial. A greve em mais de 20 portos europeus contra o envio de suprimentos para Israel é a ponta do iceberg que demonstra que só a luta de classe freará a barbárie e carnificina que estão na base da sobrevivência do capitalismo. Estender, ampliar e unificar mundialmente a revolta instintiva dos explorados e os preparar para a derrubada da burguesia, é a única via para abrir um caminho progressivo à humanidade.
A reconstrução de partidos revolucionários internacionalistas e de sua direção mundial, a IV Internacional, comparecem como a tarefa mais importante e urgente do momento. A guerra civil contra a burguesia nos países capitalistas e a derrubada das burocracias pela revolução política nos estados operários degenerados são táticas diferenciadas que servem ao objetivo da revolução social.