O Internacionalista n° 36 / MOVIMENTOS / fevereiro de 2026


O ato em defesa da soberania da Venezuela, organizado pelo movimento ALBA (dirigido por organizações, partidos e direções políticas e sindicais reformistas e estalinistas), reuniu não mais de 350 pessoas na frente do Teatro Municipal de São Paulo. Havia um acordo com a polícia de realizar um ato de duas horas. O ato combinou “atividades culturais” com falas de partidos, sindicatos e movimentos. Depois das falas de dois minutos de lideranças dos movimentos, partidos e correntes governistas (PT, PCdoB, PCB, PSOL, UNE, UPES etc. e aliados (UP), foi a vez dos centristas (MRT), dos stalinistas (PCBR) e do PPRI. O ato encerrou como exigido pela polícia às 19h. Estiveram ausentes a Conlutas e seus partidos.
A atividade esteve aquém do movimento massivo e radicalizado que se deve pôr de pé para mobilizar os trabalhadores como uma só força para ajudar à Venezuela a resistir ao ataque dos EUA. As direções do PT, PCdoB, PCB, UP e PSOL sujeitaram-se às decisões da polícia e rejeitaram realizar uma grande manifestação de rua. Isso deveu-se, em grande parte, ao caráter burocrático da “plenária” que organizou o ato, que nem permitiu a inúmeros partidos decidir sobre as bandeiras e o caráter do ato. Foi “cedida” a fala aos partidos silenciados na plenária porque só falaríamos apenas à militância.
A ausência dos morenistas e dos partidos revisionistas que orbitam ao redor da CSP-Conlutas (POR, SoB, COI etc.) será justificada por esses, logo mais, pelo fato de não se “submeter” à defesa do governo chavista, pela plenária ser burocratizada, porque pretende construir movimentos “socialistas” etc. Na verdade, farão “atos alternativos” onde possam defender a queda do chavismo (uma posição pró-imperialista na situação) e fazer sua própria campanha eleitoral para as eleições de 2026.
No momento em que o imperialismo está em uma ofensiva brutal contra as nações oprimidas, o divisionismo isola a vanguarda perante um amplo setor das massas, que ainda que sob direção dos governistas, defendem a Venezuela e estão dispostas a fazer algo para derrotar e expulsar o imperialismo do continente. E significa fugir do combate firme contra os reformistas e stalinistas para que suas bases rompam com a política burguesa e democratizante ao serviço da ditadura da burguesia.
O objetivo defendido pelos governistas na “defesa da paz” e da “democracia” na América Latina tem um claro conteúdo eleitoral. Daí as palavras de ordem de “derrotar a direita” aliada do imperialismo e dos EUA defendendo a democracia no Brasil; ou seja, votando em Lula para 2026. O problema para os governistas de defender o governo chavista, sobretudo, a bandeira de liberdade a Maduro e Flores (sua principal bandeira) é o próprio Lula. Recentemente, afirmou em entrevista (UOL) que deseja “que a democracia seja efetivamente respeitada”, e que “o povo possa participar ativamente” da vida institucional. Lula se posicionou assim, indiretamente, por legitimar o sequestro de Maduro. Posição pró-imperialista consequente com sua rejeição a não reconhecer a “legitimidade” das últimas eleições que deram a vitória para Maduro. Tomou partido assim junto do imperialismo, que justificou sua ação armada, dentre outras mentiras, pela “ilegitimidade” de Maduro. Eis porque Lula não defende que o presidente eleito pelas massas retorne a seu país, por não ser sua “preocupação principal”.
Lula cravou um prego no caixão que enterrará a luta dos governistas pela autodeterminação das massas venezuelanas, porque só elas têm direito a decidir o destino do governo que elegeram. As direções sindicais governistas e seus satélites serão “obrigadas” a pôr por baixo do tapete a cumplicidade política de Lula com o imperialismo sobre a Venezuela. Como irão esconder debaixo do tapete a cumplicidade de Lula com o genocidio palestino ao exigirem que os atos em defesa da Palestina não ergam a bandeira de que o governo rompa imediatam e incondicionalmente as relações com Israel.
A defesa da estratégia, dos métodos e das táticas revolucionárias do proletariado em luta pelo socialismo é uma tarefa colocada à vanguarda com consciência de classe, que deve defendê-la no interior dos movimentos de massas que começam a se mobilizar contra a ofensiva imperialista e que continuarão defendendo o fim do genocídio em Gaza. Não é com paz e nem como democracia burguesa que se freará a reação e opressão imperialista, e sim com a luta de classes! Esse programa e estratégia devem ser erguidos contra as capitulações dos governistas que arrastam as massas a votar em Lula, acobertando sua política pró-imperialista na Venezuela e suas medidas de financiamento de Israel.
O PPRI acha um dever participar das atividades que se convocam em defesa da nação oprimida e defender a estratégia revolucionária perante a ofensiva imperialista, fazendo ainda uma clara defesa do direito das massas venezuelanas a se autodeterminar e decidir sobre todos seus assuntos internos de seu país, dentre eles, as formas políticas institucionais e seu governo. A fala do PPRI se orientou a colocar esses dois problemas fundamentais da tática leninista para impulsionar a luta de classes.