


O Internacionalista n° 36 / NACIONAL / fevereiro de 2026
Auumento das passagens
Aumentam as passagens sem resistência e sem atos convocados nacionalmente, escancarando a capitulação e paralisia das direções dos movimentos
Como tem acontecido quase todos começos de ano nos últimos 10 anos, em janeiro deste ano a população assalariada que depende do transporte público se viu perante um novo aumento das passagens de ônibus, trem e metrô. Diferentemente de quase todos os começos de ano anteriores, desta vez não houve mobilização ou chamamento para organizar protestos unitários e nacionais para denunciar e tentar barrar nas ruas mais esse ataque às condições de vida das massas oprimidas.
Em São Paulo, o aumento em ônibus foi de R$ 0,30 (trem e metrô aumento foi de R$ 0,20), assim como no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte (Minas Gerais) e Fortaleza (Ceará) foi de R$ 50, e em Florianópolis (Santa Catarina) de R$ 0,80. Em 2013, o aumento de R$ 0,20 deflagrou massivas e radicalizadas manifestações que conseguiram barrar conjunturalmente o aumento. Neste ano, algumas organizações e partidos convocaram manifestações, mas esvaziadas e de caráter simbólico.
O aumento de tarifas recai como uma bomba sobre a maioria assalariada e sobre a juventude. O aumento é uma desgraça para quem depende do transporte para ir a trabalhar, procurar emprego ou estudar, e pegam duas ou mais conduções. Por sua vez, os capitalistas dos transportes aumentam seus lucros enquanto oferecem serviços piorados. As linhas do Metrô e CPTM privatizadas são as que mais dão problemas operacionais, mas continuam recebendo bilhões e bilhões a cada ano.
É um ataque que se combina ao avanço da contrarreforma Administrativa, das privatizações, do congelamento de salários, da terceirização, da redução das verbas para educação e saúde etc. Soma-se ao avanço na destruição das condições de vida, ao aumento dos preços dos produtos de consumo básico e ao constante retrocesso do poder aquisitivo do salário. Soma-se no Estado de São Paulo ao agravamento da precarização de professores Categoria O, as demissões e os efetivos adidos.
Contra essa realidade deveria se erguer um movimento unitário e radicalizado para impor, com a luta de classes, a imediata revogação dos aumentos, a estatização da rede de transporte e seu controle coletivo operário, combinado ao aumento automático dos salários de acordo com a inflação – tendo por base do salário-mínimo do DIEESE, hoje de mais R$ 7.500 para uma família se sustentar. É parte desse plano a defesa da efetivação com estabilidade a todos os professores categoria O, garantia dos 30% investidos na educação pelo Estado, garantia de funcionamento de escolas em que os estudantes trabalhadores possam trabalhar e estudar, redução do número de alunos a no máximo 25 por sala, redução da jornada dos professores, sem redução salarial, fim de todas as parcerias e privatismo etc.
O primeiro passo para unificar os assalariados e a juventude contra os ataques é romper com imobilismo das direções políticas, populares e sindicais governistas que afundaram no eleitoralismo e que rejeitam pôr de pé movimentos radicalizados para não indispor ao governo Lula, que avança no privatismo e entreguismo também (ver pág. 24). O MPL e as direções sindicais e dos movimentos estudantis que reuniam milhares e milhares em anos anteriores, estão hoje separadas das bases assalariadas e da juventude oprimida e completamente submetidos ao governismo.
É preciso um plano comum de reivindicações e assembleias democráticas para unificar as massas em um movimento para derrotar politicamente os aumentos e os ataques, com total independência de classe, conquistando as reais necessidades das massas por meio da luta de classes. A experiência já nos demonstrou que para isso será necessário passar por cima das direções que controlam sindicatos e movimentos, construindo uma direção classista e revolucionária. Se o governo ataca todos os oprimidos de forma centralizada, é preciso responder centralizadamente a esses ataques com um plano unificado de luta. O maior problema para avançar por esse caminho reside na conciliação de classe erguida pelas direções sindicais e populares que estão mais interessadas nas eleições que em defender os oprimidos.