O Internacionalista n° 36 / SINDICAL / fevereiro de 2026


Passaram-se poucas semanas do fim da greve dos Correios, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu (26/01/2026) grande parte da Sentença Normativa (Acórdão) do Dissídio Coletivo de Greve do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de 30/12/2025, que passaria a “substituir” o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2024/2025 até 31 de julho de 2026. O “Acordão” mantinha as cláusulas do ACT de 2024/2025 e o reajuste de 5,10% dos salários e do vale-refeição. Com a decisão do STF, se impunha uma vitória da diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ao suspender o “Acordão”, aprovando-se: a) retirada dos retroativos de Ticket Extra (chamado de “Vale Peru”), b) a reforma do plano de saúde (obrigando os trabalhadores a pagarem um “plus” pela atenção), c) anular o pagamento de 200% para trabalho em dias de repouso e feriados, d) rejeitar a gratificação de 70% de pagamento do salário durante as férias etc. Trata-se de uma imposição autoritária contra a decisão das assembleias e uma interferência nas negociações com o patronato surgidas da força da greve.
O SINTECT (CUT) e a FINDECT (CTB) ao invés de retomar a greve e impor ao STF suas reivindicações, decidiram apresentar “recursos de amparo” contestando a decisão que “prioriza argumentos econômicos da empresa” e repete a prática de “judicializar os conflitos” (SINTECT). A greve encerrou com a direção festejando uma “vitória política” no TST que era provisória. Assim, ela mesma preparou o terreno para o ataque do STF depois de desmontada a greve sim uma conquista definitiva. A burocracia não é burra, mas sim traiçoeira. Sabe perfeitamente que a justiça sempre viabilizará um caminho (jurídico e legal) para favorecer as empresas e os patrões impondo mais retrocessos aos assalariados. Por isso é hipócrita criticar a “judicialização” dos conflitos quando ela mesma recorre a essa via para desviar, desmontar e trair greves que entram em choque com o governo que elas defendem.
Está claro que as direções petistas e stalinistas estão submetidas eleitoralmente ao governo burguês que avança na privatização e nos ataques aos assalariados. Sabe-se que Lula impulsiona abertamente a privatização dos Correios e a “reestruturação” da empresa em benefício dos capitalistas estrangeiros e nacionais. Não há diferença entre o governo Bolsonaro e o de Lula quanto a esse objetivo. De fato, o governo retoma como base legal e política da privatização o PL 7488/2017 do deputado Eduardo Bolsonaro. A burocracia sindical se faz de vítima do que ela mesmo possibilitou ao defender o governo. É o máximo da canalhice se arvorar de defensores da ECT quando estão “solicitando” participar dos debates e decisões para a “reestruturação” da empresa. Fica assim em evidência a farsa da “vitória política” do dirigente da FENTEC, Geraldo Rodrigues, para desmontar a greve após a decisão do TST. A greve estava forte e podia ser ampliada e estendida desde que sua direção não estivesse curvada perante o governo entreguista e privatizante de Lula e desenvolvesse a luta de classes até o final.
Reforma do plano de saúde (fazendo pagar mais aos assalariados via um “auxílio-saúde mensal” individual), fechamento de unidades de atendimento que “não deem lucros” (60% das 10 mil existentes por todo país), plataformização do atendimento, terceirização, demissões de até 15 mil funcionários de carteira assinada, venda de imóveis, dentre outras medidas de “reestruturação”, são impulsionadas pelo governo burguês e privatista de Lula. A greve, portanto, se chocava diretamente com o governo e o derrotar para defender a empresa estatal, direitos, salários e empregos. A greve foi imposta à burocracia que, desde outubro do ano passado, anunciada a “reestruturação” da ECT, evitava convocar assembleias porque sabia da existência de uma tendência de revolta e favorável à greve. E isto porque “As direções da CUT (PT) e da CTB (PCdoB) estão de mãos dadas em reeleger Lula, que promove a privatização dos Correios e a destruição de direitos” (OI n° 32, “Correios à venda”, outubro de 2026), trocando direitos e conquistas por votos para a reeleição desse agente político da burguesia neste ano. O mesmo fizera as direções sindicais petistas e estalinistas para desmontar e trair a greve dos petroleiros (ver nota do OI n° 35 “Com traição da direção da FUP e poucas “conquistas” efetivas, a maior greve dos petroleiros nos últimos 30 anos é enterrada”, de janeiro de 2026).
Essa conclusão demonstra-se mais justa do que nunca, sobretudo, quando a greve dos Correios e da Petrobrás criaram as condições objetivas para uma greve nacional unificada das estatais sob um plano comum de reivindicações. Essa unidade poderia ter curvado o governo e impor uma derrota às diretorias das empresas que vão de mãos dadas com Lula e os monopólios e bancos na privatização. Mas, suas direções governistas as encaminharam à via morta da “Judicialização” e das eleições burguesas. Está colocada a tarefa de varrer essas direções! E somente uma direção classista baseada nos métodos e estratégia da luta de classes poderá derrotar os petistas e stalinistas os varrendo dos sindicatos, rompendo com a estatização desses ao estado e qualquer governo burguês de plantão.