


O Internacionalista n° 37 / NACIONAL / março de 2026
Crítica
A LIT-QI renega a realidade e recorre à falsificação para justificar sua posição pró-imperialista para o Irã
A crítica abaixo foi escrita em janeiro, um mês antes da guerra lançada pelos EUA-Israel contra o Irã. Não publicamos no jornal OI n° 36 por falta de espaço. A essencia da crítica visa a mostrar que a posição da LIT beira contornos criminosos quando a tática leninista da defesa incondicional de uma nação oprimida (OI 36, “Sobre os princípios, métodos e tática marxista-leninista-trotskista da defesa incondicional das nações oprimidas”, páginas 20 a 23) é deturpada pela posição de combater à nação opressora e, ao mesmo tempo, ao governo da nação oprimida. Desde junho do ano passado, a LIT defende combater o regime teocrático sob cerco e ataque dos EUA-Israel, confluindo politicamente com os objetivos do imperialismo, agora que EUA-Israel estão atacando o Irã, essa posição é diluída. Trata-se de uma mudança tática entre diferentes momentos? Não, trata-se apenas de uma manobra oportunista
Em 23 de fevereiro, a LIT-QI publicou uma nota (“Viva os trabalhadores do Irã! Avante com a revolução iraniana!”) em que defendem a derrubada da “ditadura” iraniana. Os clérigos, diz a LIT-QI, ao invés de ser “defensores corajosos do Irã contra o imperialismo, são os primeiros a fazer compromissos”. A situação atual demonstrou todo o contrário, mas serviu cinco dias antes do ataque dos EUA-Israel para explicar porque se devia derrubar “quanto antes” o “regime clerical-burguês”. Na Declaração “Em defesa do Irã frente ao ataque genocida do imperialismo norte americano e de Israel!” (28/02/2026) a derrubada do regime “desaparece” e defende-se que “é o povo iraniano e não o imperialismo norte americano e o sionismo genocida de Netanyahu quem deve decidir o futuro do país.”
Saudamos à LIT-QI por “assumir uma posição correta, mas não esperamos desses centristas se disporem a combater junto do governo e das forças armadas iranianas contra o imperialismo. Quando acabar a guerra, se o regime dos aiatolás ainda permanecer em pé, voltarão a erguer a bandeira de sua derrubada o acusando das trágicas consequências da guerra. Passado o perigo, voltarão a mostrar sua real face, mostrando que a “mudança de tática” era para iludir a crítica de serem pró-imperialistas.
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Em seu texto do dia 18/01/2026, a LIT-QI afirma que o regime iraniano “promoveu massacres contra manifestantes em todo o país”, se guiando pelas informações da mídia imperialista. Segundo a LIT-QI, “Os massacres foram efetuados pelas forças de repressão, com destaque para a odiada Guarda Revolucionária” foi dirigida contra os protestos que uniu “a classe trabalhadora, a juventude, desde os setores mais pauperizados até as classes médias, as elites intelectuais e os pequenos comerciantes”. Na sequência, destaca que “a miséria contra a qual as massas protestam são frutos das políticas do regime” que se combinaram às consequências das sanções do imperialismo. Segundo explica mais à frente, a derrota da “Revolução Verde” de 2009 “contra a fraude eleitoral eliminou da consciência das massas a perspectiva de uma reforma democrática por dentro do regime”. De forma que “às reivindicações econômicas contra os efeitos da hiperinflação … se uniram aos chamados pela derrubada do regime”.
A LIT-QI não descarta possíveis ataques militares dos EUA visando a queda do regime iraniano. Assinala que Trump não tem “nenhum compromisso com direitos humanos ou com liberdades democráticas”, e que a intervenção visaria enfraquecer “os protestos e fortaleceria o regime ditatorial, seria, na verdade, contra a luta das massas”. Ou seja: impedir “que uma revolução operária e popular derrube o regime”. Diz ainda que o regime iraniano “se limitou a declarações contra o genocídio em Gaza iniciado em outubro de 2023 e uma ajuda muito limitada ao Hamas”, utilizando “a causa palestina como um instrumento para legitimar a repressão sobre seus povos”. Conclui: “Não é de interesse da causa palestina apoiar regimes que assassinam a população”, e só a revolução proletária “pode colocar o Irã na linha de uma verdadeira solidariedade com o povo palestino e ser o início de novas revoluções”.
Finalmente, critica as correntes de esquerda que “substituíram a luta de classes pela disputa entre os blocos imperialistas, na qual a classe trabalhadora deve se colocar acriticamente ao lado do imperialismo chinês e russo e dos regimes que lhe são subordinados tal qual o iraniano”. Eis porque defende a “autodefesa contra a repressão e conselhos operários e populares”. O que exigiria construir uma “liderança alternativa” e lutar pelo triunfo dos protestos a exemplo da “revolução operária e popular de 1979”, e se garanta a “liberdade e condições dignas de vida”, o que, diz, “não é possível sem uma revolução que leve ao poder a classe operária”. Conclui a Declaração afirmando que não se trata de nem apoiar a ditadura teocrática e nem um governo imposto pelos EUA, Israel, China etc., erguendo as bandeiras de “Chega de massacre! Abaixo a ditadura! Não à qualquer intervenção imperialista! Pelo fim imediato das sanções! Nenhuma bandeira estadunidense ou israelense nas manifestações! Fora Trump e Israel! Todo apoio ao povo palestino! Pela greve geral insurrecional! Pela autodefesa operária e popular! Por um governo operário e popular baseado em conselhos nas fábricas e nos bairros!”
Primeira falsificação: que os massacres são de responsabilidade exclusiva do regime iraniano
A LIT-QI faz uma avaliação das manifestações em grande parte distorcida da realidade. A mais desavergonhada dessas distorções é a de outorgar um conteúdo “revolucionário” à ação de organizações e milícias a serviço do imperialismo, que estiveram à frente de assassinato de civis e policiais, queimando hospitais e comércios, atacando mesquitas e instituições públicas, procurando com sua ação forçar uma intervenção dos EUA e Israel. Pode-se argumentar que não se deve confiar cegamente na “ditadura teocrática” e que o regime reprimiu e matou manifestantes (não duvidamos disso), mas, na medida em que passaram os dias, mais e mais fica em evidência que os ataques dessas organizações e milícias tiveram o apoio direto (e ajuda na sua organização e coordenação) da CIA e do Mossad. Milícias e agrupamentos que assassinaram civis e policiais procurando a intervenção imperialista, portanto, ações de traição à pátria. Basta isso para mostrar o conteúdo de classe das posições dos morenistas, que escolheram acreditar na mídia imperialista e nas operações psicológicas do imperialismo, ao invés de avaliar crítica e objetivamente os fatos e observar criticamente os fatos.
Ocorre que os morenistas partem de um pressuposto: a ditadura iraniana “assassina a população”, dando a entender que nunca se deve “confiar em assassinos”. O trágico é que confiam nos verdadeiros organizadores de assassinatos em massa de um setor da população (imperialistas e sionistas). Deixar de lado esse dado comprovado factualmente por diversas mídias e entrevistas é ocultar o conteúdo dessas ações e parcializar a realidade. Quanto muito, poderá se culpar ao regime teocrático de assassinar manifestantes (e deve ser denunciado por isso) e membros de grupos armados que agiram em nome do imperialismo e, nesse caso, negar ao regime o direito de tomar uma medida elementar de defesa contra sabotadores pró-imperialistas). A ausência de qualquer caracterização desses grupos e suas relações com os verdadeiros genocidas dos povos demonstra o oportunismo criminoso dos morenistas de falsificar a realidade para que sirva a suas posições que deturpam a realidade. Nada dizem ainda do fato do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmar publicamente que a estratégia de “máxima pressão” econômica (sanções) teve por objetivo “provocar o colapso econômico” e desencadear os protestos. E que se jactou junto de Israel de instrumentalizar a ação de grupos para inseri-los nas manifestações para desestabilizar o regime e que queimaram hospitais, carros e instituições civis. Ou que a embaixada palestina em Teerã foi atacada pelos mesmos grupos para ajudar os EUA a intervirem militarmente.
Foram contabilizados 2.427 civis e centenas de membros das forças de segurança assassinados durante a “radicalização” dos protestos de um total de 3.117. O restante dos mortos foram de agrupamentos e milícias com laços estreitos com o imperialismo-sionismo nos combates contra as polícias e Guarda Revolucionária. Assim, a maioria dos mortos tombaram após a intervenção dos grupos e milícias que agiram ao serviço dessas forças genocidas. E isso ocorria quando França, Inglaterra e Alemanha, junto dos EUA, aumentaram as sanções visando jogar combustível nos protestos para justificar sua intervenção armada. Fica claro que a LIT-QI faz o jogo do imperialismo ao fazer único responsável ao regime pela crise e massacres, e tentar ocultar o papel das milícias que servem aos interesses contrários à nação oprimida sob ataque imperialista. Eis a única forma discursiva e retórica em que pode funcionar – no campo da distorção deliberada da realidade, da parcialização das informações e da subordinação à grande mídia imperialista – a política do “nem, nem” morenista.
Segunda falsificação: que o regime é o principal responsável pela crise econômica e social
Ainda que surgida como expressão genuína do descontentamento contra o agravamento da crise, não se pode desconhecer que “essa crise foi criada pelo brutal (e genocida) bloqueio econômico que os EUA e aliados impuseram … há mais de quatro décadas”. É parcial (e falsa) a ideia que a crise se deve exclusivamente à política interna do regime iraniano, deixando de lado a maior responsabilidade que cabe à ação externa por mais de 40 anos de brutal bloqueio. São medidas de guerra econômica travadas pelos EUA que impedem o país de usufruir livremente das rendas nacionais pelas exportações de petróleo. A escassez de dólares (moeda nas transações energéticas mundiais) são uma arma de guerra que cria artificialmente uma oferta deprimida de dólares que eleva a inflação e os preços internos.
Sem dúvida, há um setor da burguesia iraniana que se enriqueceu manejando importações e exportações, centralizando parte das divisas pelas exportações não petrolíferas. Foram US$ 117 milhões de US$ 335 bilhões das exportações não petrolíferas que foram depositados no exterior. Nas condições de crise e pelo seu acesso ao mercado de dólares se enriqueceram enquanto a população afundava. O regime faz pouco (ou nada) para atingir esse setor do qual depende para sua governabilidade. Foram as movimentações financeiras desse setor parasitário que atingiu o Banco Central e agravou a crise. São responsáveis junto do imperialismo pela situação que foi utilizada por esse, visando à derrubada do regime. As massas deveriam se mobilizar para impor ao governo que sejam expropriados. Dando passos nesse sentido, se fortaleceriam para travar a luta de classes contra a burguesia e o regime. Diferentemente, trabalhar pela queda do governo pelas forças pró-imperialistas fortalecerá o imperialismo e o sionismo, não o proletariado e os oprimidos. Essa distinção é decisiva aos marxistas!
Terceira falsificação: as manifestações “radicalizadas” foram expressão das massas em luta
Os protestos de dezembro de 2025 foram resultado, sobretudo, da violenta guerra econômica travada pelo imperialismo contra a nação oprimida. A queda da moeda do Irã, o Rial, e aumento em 60% da inflação e a queda salarial levaram setores das massas a protestarem contra o governo. Entretanto, a passagem das greves operárias nas refinarias de South Pars para a “insurreição” dos pequenos e médios comerciantes e setores populares contra a crise e, finalmente, a violência terrorista de agrupamentos ao serviço do imperialismo no momento em que refluem as manifestações reivindicativas econômicas, demonstram uma mudança no conteúdo e objetivos dos protestos
A mudança no conteúdo das manifestações pode ser constatada pelo fato das mobilizações em Teerã recuarem enquanto cresceram no leste do país e nos estados em que separatistas e grupos de oposição pró-imperialistas têm maior inserção. O método dessas organizações se assemelha ao usado em Maidan, na Ucrânia, em 2014, quando grupos nazistas orientados e financiados pelos EUA e aliados mataram civis para desestabilizar Yanukovich, o que levou ao golpe de estado pró-imperialista.
Os morenistas olham para o lado desses fatos e se negam os avaliar de forma científica e precisa, porque iria desmontar sua farsa da “intervenção revolucionária das massas” da qual precisam para se defender retoricamente das críticas pela sua posição reacionária contra a nação oprimida sob ataque do imperialismo. Por isso, tampouco se vai encontrar em seus textos qualquer avaliação dos milhões de iranianos que após os protestos violentos da oposição armada pró-imperialista refluir, saíram às ruas a apoiar seu governo e reforçar seu comprometimento com a defesa da nação. Seria difícil aos morenistas explicarem como um regime odiado pode ter essa capacidade de mobilização que ultrapassou aos protestos de novembro-dezembro, e inclui setores operários e dos oprimidos (para desgosto da LIT-QI).
Quarta falsificação: que a luta das massas se orientou à mudança (ou derrubada) do regime
A luta econômica iniciada pelos comerciantes e seguida por operários e assalariados não ergueram a bandeira de “abaixo o regime” e sim a imediata solução de seus problemas econômicos. A “derrubada do regime” surge como bandeira dos monarquistas e dos grupos separatistas e milícias pró-imperialistas que intervém de fora para dentro do movimento real para se servir desse para legitimar a intervenção imperialista que, supostamente, levaria o regime à queda. Como na Líbia, a LIT-QI defende a queda do governo nacionalista-burguês que é um entrave ao imperialismo pelas armas desse, e não pela ação revolucionária das massas dirigidas por seu partido revolucionário. Assim, se subordina às palavras de ordem dos grupos favoráveis à intervenção imperialista e à agenda “democrática” dos EUA.
Até a nota que aqui criticamos tinha sido postada no site com a bandeira monarquista da dinastia Xá. Recentemente, foi trocada por outra foto. Essa manipulação típica do stalinismo (apagar a “história” da própria organização) serve ao ocultamento de seu servilismo que ficou exposto. O que importa ressaltar, porém, é que essa bandeira foi erguida nos protestos no Irã e no mundo todo – como no Brasil – cada vez que se “festeja” protestos e os ataques do imperialismo contra o Irã. A LIT-QI segue a cartilha da mídia imperialista, ergue (e apaga) as bandeiras monarquistas em capa de notas e chama isso de “luta de classes”. Foi contra o regime que se expressou simbolicamente nessa bandeira que os operários, os assalariados, a pequena burguesia e camponeses fizeram a revolução que resolveu um conjunto de tarefas democráticas e teve um conteúdo anti-imperialista, ainda que acobertada pela retórica islâmica.
Quinta falsificação: que a revolução “proletária e popular” de 1979 foi expropriada pelos Aiatolás
A critica as correntes de esquerda que “substituíram a luta de classes pela disputa entre os blocos imperialistas, na qual a classe trabalhadora deve se colocar acriticamente ao lado do imperialismo chinês e russo e dos regimes que lhe são subordinados tal qual o iraniano” é colocada de forma artificiosa para defender a continuidade da “revolução operária e popular de 1979”. Na nota “Sobre o Irã”, publicada no OI n° 30 (agosto de 2025), que redigimos nos apoiando na base documental histórica do livro “Irã – um elo fraco do equilíbrio mundial” (Século XXI Editores, primeira edição em espanhol de 1979), alertamos que conhecer a realidade iraniana e suas contradições “é decisivo a hora de elaborar a linha da defesa da nação oprimida (…) “desprovida de todo preconceito democratizante burguês, não desprezando e sim compreendendo dialeticamente as particularidades da cultura e das relações sociais que não cabem no receituário de intelectuais educados nos preconceitos democrático-burgueses”.
Houve a combinação de lutas operárias e do avanço da política marxista – embora deturpada pelo stalinismo – com a luta das massas nacionais que tinham como elemento unificador o xiismo por sua raiz histórica como veículo da luta de setores das massas camponesas, da pequena burguesia e também de frações da burguesia em choque contra o imperialismo. Com a brutal repressão contra as tendências “marxistas”, houve crescimento das “organizações que recorriam à roupagem religiosa do xiismo para canalizar o ódio de classe e nacional das massas contra seus opressores”.
Ora, a massiva e nacional influência dos clérigos xiitas como “cobertura nacional” da luta das massas nacionais contra a dominação estrangeira deu seu conteúdo mais “nacional” à unidade frentista que derrubou a monarquia. Tratar-se-ia a revolução de “Um movimento nacional reunindo clérigos, estudantes, operários, intelectuais, comerciantes, minorias étnicas e organizações marxistas e jihadistas constituíram as bases de uma frente única para a destruição do regime imposto pelos EUA”.
Essa é a particularidade da revolução islâmica que, no curso histórico, sustentará o regime nacionalista-burguês de formas teocráticas. A tal de “revolução operária e popular de 1979” não existiu por estar ausente o partido revolucionário no seio do proletariado. Seu conteúdo nacionalista e a ausência de um verdadeiro partido marxista-leninista-trotskista impediu à revolução democrática nacional se transformar em operária, em socialista. A falsificação histórica dos morenistas serve hipocritamente a estes para defender a bandeira reacionária de “Abaixo o regime!” nacionalista-burguês no momento no momento em que esse é o objetivo principal do imperialismo.
A LIT-QI deforma o apoio do Irã à causa palestina para “reforçar” sua posição criminosa
Em fins de 2024 foi derrubado o governo nacionalista (que favorecia a ação de grupos plaestinos em suas terras) de Al-Assad, na Síria, após o imperialismo usar a guerra econômica (bloqueios) para afundar o país e, como no Irã, apoiar uma guerra civil se apoiando em movimentos e miliciais serviçais de seus interesses. Agora, assim como fez na Síria, a LIT-QI se une ao imperialismo para defender agrupamentos pró-imperialistas que visam criar um caos deliberado para facilitar o intervencionismo dos EUA e Israel. E como fizeram com Al-Assad, usam a bandeira palestina para justificar a derrubada do regime iraniano por “não defender” os palestinos.
O Irã é defensor da luta palestina e apoiador da resistência armada ao expansionismo sionista-imperialista na região.. Os houthis apoiados e armados pelo Irã combatem contra o sionismo. Indiretamente, o Irã continua ajudando à resistência palestina e libanesa. Esse apoio enfraqueceu e não atingiu mais o nível de anos anteriores. Mas, esqueceram, por acaso, que a principal liderança palestina foi assassinada no Irã? Os morenistas são especialistas em parcializar e deformar a realidade para defender suas posições reacionárias. A queda do regime iraniano acabaria com a última barricada em que se apoia Hezbollah, Hamas e Ansar Allah (Houthis) para combater militarmente o sionismo. Diferentemente, o movimento Mojahedin-e-Khalq (MEK) que agiu com métodos terroristas contra a população iraniana visando à queda do regime teocrático serve aos interesses do sionismo e dos EUA. A LIT-QI rejeita aos verdadeiros aliados da luta do povo palestino, iemenita e libanês contra a opressão e colonização, para apoiar aos movimentos e milicias (como na Síria) que servem aos carniceiros dos palestinos e libaneses.
A estratégia e tática revolucionária na defesa da nação oprimida
A LIT-QI combate o governo iraniano “com os mesmos argumentos dos imperialistas”. E “convocam a uma luta das massas separada e oposta à unidade frentista imediata em defesa da nação oprimida, ainda seja sob direção das forças políticas religiosas e obscurantistas, em nome de valores democráticos criados nas entranhas decompostas do capitalismo e que nada mais é, em última instância, que negar o direito democrático progressivo à autodeterminação” (nota citada acima). Os morenistas abstraem as massas do processos histórico-políticos que deram à revolução iraniana um conteúdo definido, tirando de suas cabeças o que não corresponde à realidade objetiva e, por meio de falsificações, defendem bandeiras, métodos e estratégias que servem ao imperialismo e ao sionismo.
A tática leninista de defesa incondicional da nação oprimida não separa as massas de sua organização social, econômica e política que, no caso iraniano, são o produto da ruptura com o imperialismo. As massas que fizeram a revolução ergueram no poder os Aiatolás. A constituição de um regime teocrático combinado a instituições formais burguesas selou a unidade da burguesia à hierarquia religiosa para parasitar as nacionalizações sobre a base da exploração assalariada. Contra essa “unidade” de classe e política devem combater os operários e demais oprimidos com sua estratégia e programa próprios.
Mas, a estratégia proletária se instrumentaliza em táticas que, em sua combinação e desenvolvimento, devem levar o proletariado a conquistar sua independência de classe, se erguer em direção política da nação oprimida, constituir seus organismos próprios de poder e, combatendo e derrotando o imperialismo, ajustar as contas com o regime, abrindo caminho à revolução proletária. Por isso, se é correto afirmar de forma geral que “Está colocada historicamente a luta do operariado pela estratégia da revolução e ditadura proletárias”, é mais correto ainda dizer que NUNCA se deve favorecer as movimentações imperialistas contra a nação oprimida. Como assinalamos na nota “Após a Venezuela, Irã é alvo das ameaças dos EUA”, publicada no OI n° 35 – (janeiro de 2026), “Se bem sabemos perfeitamente que a revolução proletária é que libertará definitivamente o país da opressão nacional e da exploração de classe elevando o proletariado ao poder aliado dos camponeses, colocando ainda a religião como assunto da vida privada dos indivíduos, como marxistas também sabemos que não é possível desenvolver essa estratégia desconhecendo as contradições e particularidades do processo histórico iraniano, sem qual não há como elaborar uma posição clara em defesa da nação oprimida”.
Está aí porque os marxistas devem apoiar incondicionalmente à luta da nação oprimida e, nesse estrito sentido, estar conjunturalmente ao lado do regime contra o imperialismo sem compactuar com sua política, programa e medidas. Mas, cientes de que “É derrotando do imperialismo e defendendo o direito da população iraniana a decidir por si mesmos sobre seu país e seu governo que um partido verdadeiramente revolucionário criará as condições para a estratégia proletária ganhar a confiança das massas, e seu direito de conquistar sua direção na luta contra a burguesia nacional e os clérigos xiitas que as oprimem e empobrecem”. Essa tática é a única que dá conta do processo histórico, de suas contradições, das leis da revolução proletária e é adequada à estratégia dos Estados Unidos Socialistas de Oriente Médio, que exigem a luta das massas árabes sob uma Frente Única Anti-imperialista dirigida pelo proletariado e seu partido marxista-leninista-trotskista para consumar as revoluções sociais.