
O Internacionalista n° 38 / abril de 2026
Editorial Internacional
Um mês de guerra do imperialismo-sionismo contra o Irã
Cumpriram-se 40 dias da guerra declarada pelos EUA e Israel contra o Irã. No momento em que fechamos o Editorial Internacional, Trump anunciou que não realizará ataques por duas semanas contra o Irã visando alcançar um acordo. O Irã disse estar disposto a iniciar conversações, mas é evidente que não confia nos EUA. Levará à mesa de negociações que sejam aprovadas garantias que não haverá mais ataques e se estabelecerá um mecanismo de reparações de guerra, incluindo no acordo o Líbano, o Iêmen e a Palestina Ocupada nas decisões. Sabemos que a trégua será temporária e servirá para o rearme e preparação de novos choques. Os EUA não têm como frearem seu declínio e retrocesso mundial sem reorganizar o mundo à força de acordo aos interesses monopolistas que ditam sua política exterior. Tampouco Israel tem como impor a “Grande Israel” sem cumprir seu objetivo de destruir o Irã. Os 10 pontos propostos pelo Irã foram aceitos como base nas negociações pelos EUA. Trata-se de uma batalha em que o Irã sai vitorioso. A gangue imperialista-sionista não convencerá ninguém de que seu recuo seja uma “vitória”. As massas vão festejar este desfecho conjuntural, mas devem estar atentas porque a palavra dos genocidas não vale nada, e se prepararem para intervirem em defesa do Irã.
No editorial de O Internacionalista de mês passado (OI n° 37, março de 2026) avaliávamos quais as condições para o Irã resistir os ataques da gangue imperialista-sionista. Passado um mês de ataques e bombardeios, o regime iraniano não deu sinais de qualquer desejo de negociar um cessar-fogo nos termos e condições impostos pelos seus inimigos. Certamente, não se deve menosprezar os graves danos causados à infraestrutura civil iraniana e ao país. Mas, já ficou claro que resiste aos ataques e revida com constantes golpes aos territórios da Palestina ocupada, às bases norte-americanas e aos países do Golfo que se mostraram cães serviçais do imperialismo. A medida mais efetiva do Irã para resistir à ofensiva e impor um recuo (derrota parcial) aos EUA foi o fechamento do Estreito de Hormuz e os ataques à infraestrutura de extração de petróleo e gás natural nas monarquias rentistas pró-imperialistas do Golfo, atingindo 20% do comércio de petróleo. Ficou demostrado que o imperialismo norte-americano, ao subestimar as capacidades bélicas e políticas que o Irã tem de estar em uma guerra totalmente assimétrica, não seria capaz de alcançar seus objetivos estratégicos de continuar sobre a mesma lógica militar, quais sejam, derrubar o regime nacionalista-burguês de formas teocráticas e, desse modo, impor no país um governo títere dos Estados Unidos e, desse modo, destruir a última barreira para o controle do Oriente Médio, com o objetivo estratégico de cercar a China.
Surpreendeu aos analistas que com as táticas militares adequadas, mais eficazes e baratas, a exemplo da produção em larga escala de drones e mísseis baratos, além do já citado bloqueio marítimo, o Irã está deixando esta guerra muito cara para os Estados Unidos (cerca de 1 bilhão de dólares por dia), afetando as condições de vida das massas do mundo todo e, especialmente, atingindo os interesses das massas norte-americanas. O objetivo era criar um caos econômico que golpeie a mesma base social de apoio do governo de Trump e aprofunde sua crise política. Quanto a Israel, apesar da censura, sabe-se que está sendo demolida parte de suas cidades, indústrias e estruturas críticas. Passado um mês de guerra, nada indica que há uma saída que preserve o imperialismo e o sionismo de uma derrota estratégica. O que agravará as tendências de tentar resolver o impasse recorrendo a uma destruição maciça do Irã.
Cada vez mais fica claro que a fração da burguesia norte-americana está diretamente associada à estrutura política e burocrática do estado norte-americano (pág. 19) embarcou nesta aventura visando tomar posse de enormes recursos naturais e impor, como é planejado por mais de cinco décadas, uma reorganização do Oriente Médio acorde aos interesses imperialistas. A destruição do Irã seria mais um elo no processo de destruição de forças produtivas e reorganização das fronteiras nacionais que está na base do expansionismo imperialista esgotada a divisão do mundo herdada do pós-Segunda Guerra Mundial. Todavia, o Irã é uma peça chave no objetivo de cercar China e Rússia, criando as condições econômicas, geográficas e militares para um desenvolvimento de um conflito bélico contra os dois Estados Operários degenerados que são a última etapa paraa a ser conquistada a “pax imperialista” que nada mais significaria que afundar na barbárie social, na miséria e na desagregação ao mundo inteiro em função dos interesses e lucros monopolistas. Por isso, é necessário interpretar o que se passa neste momento como um prólogo de uma mais ampla e decisiva conflagração mundial.
É necessário ainda compreender que o projeto da “Grande Israel”, que impulsiona o colonialismo e genocídio desfechado pelo sionismo no Oriente Médio é parte dos objetivos imperialistas. Israel é um porta-aviões dos EUA na região, mas isso não significa desconhecer que a burguesia sionista sediada em Israel e as classes e camadas de classe que adotaram o sionismo, não tem interesses próprios que não poucas vezes colidem com os objetivos de seu amo. Os sionistas precisam manter a guerra à qualquer custo. Os ataques ao Líbano, ocupando boa parte do sul do país e expulsando os habitantes de 800 mil casas e destruindo-as, impedindo que seus moradores voltem, são métodos de genocídio e colonialismo que estão na base dos objetivos imperialistas ao criar o estado artificial de Israel. Os ataques de colonos na Cisjordânia ocupada se recrudesceram ainda mais contra os palestinos. Ora, se bem Israel sem os EUA não conseguiria sequer existir, a fração da burguesia sionista que compõe parte essencial da burguesia imperialista atrelou a existência de Israel a seus lucros e objetivos econômicos. Por isso, sem importar qual seja a linha de ação e decisões militares de Israel, os EUA os apoiam sem se importar com qualquer direito internacional e nem limites morais das “leis da guerra” burguesas.
O que importa aos explorados do Oriente Médio não é somente traçar o objetivo de destruir Israel e expulsar o imperialismo, como compreender que foi destroçado o mito da invencibilidade de Israel. Hezbollah e o Irã dmonstraram que é possível combater e frear Israel (e até o imperialismo) desde que a resistência e as massas se unifiquem para cumprir o objetivo comum de derrotar a gangue imperialista-sionista. O que importa à vanguarda com consciência de classe é entender a lei mais geral que determina o curso da guerra no Irã e que se projeta, inevitavelmente, contra os Estados Operários degenerados: a impossibilidade do capitalismo em sua fase monopolista e final, a imperialista, sobreviver a si mesmo sem ampliar e agravar a opressão social e nacional. A guerra tornou-se meio econômico do imperialismo quando sua economia decompõe e as forças produtivas desenvolvidas sob o envoltório da propriedade privada monopolista se chocam com as fronteiras nacionais que albergam as forças produtivas desenvolvidas sobre a base da propriedade nacionalizada pelas revoluções proletárias. Ao mesmo tempo que essas contradições capitalistas exigem passar por cima e derrubar qualquer fronteira ou qualquer nação oprimida que entrave o expansionismo monopolista. Eis como a luta das nações oprimidas pela sua autodeterminação se ligam indissoluvelmente à luta do proletariado pela defesa de suas conquistas históricas, unindo a luta anti-imperialista à anticapitalista.
O inimigo principal do proletariado e demais oprimidos é a burguesia imperialista e seus lacaios, a exemplo de Israel. Mas, também são as burguesias nacionais que se subordinam ao imperialismo e arrastam as massas em cada país à barbárie social da guerra em escala mundial, à destruição das condições de vida das massas e a violenta opressão nacional sobre as semicolônias e as nações oprimidas. Justamente por isso não se trata de defender a democracia burguesa e suas instituições – essas mesmas que nos trouxeram ao estágio onde estamos hoje – mas de combater a barbárie imperialista e burguesa, mostrando às massas que a única saída é através da luta de classes.
A experiência da guerra da OTAN e o imperialismo contra Rússia, usando a Ucrânia de bucha de canhão, ensina que o imperialismo não se importa com acordos e nem com normas do direito. Sobretudo, quando seu objetivo é tomar posse do controle do Oriente Médio e varrer com qualquer governo ou não que entrave seus objetivos e interesses econômicos. Ainda havendo cessar-fogo, não passará de uma trégua até um novo conflito bélico. A verdadeira paz no Oriente Médio depende da destruição de Israel, da expulsão do imperialismo e de que a luta revolucionária das massas se projete para a revolução social.
