
O Internacionalista n° 20 / outubro de 2024
Editorial Internacional
O imperialismo e seus estados vassalos estendem a guerra e o intervencionismo bélico para impor seus interesses
As massas devem declarar a guerra total aos opressores e avançar na luta de classes por toda parte!
Fechamos este jornal quando Israel iniciava uma invasão terrestre no Líbano e atacava alvos na Síria, e o Irã retaliava os sionistas, atacando Israel com centenas de mísseis balísticos, pelo assassinato do chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, do Hezbollah, de Hassan Nasrallah, e de um brigadeiro-general da Guarda Republicana reunido com aquele, no quartel geral da milícia xiita, na capital do Líbano, Beirute. Os ataques iranianos atingiram bases áreas da Forças de Defesa do Israel (FDI).
Sob a farsa de criar uma “zona tampão” na fronteira norte de Israel, para garantir o retorno dos colonos sionistas aos territórios ocupados no norte da Palestina, os sionistas estendem sua guerra pela expansão e colonização da Palestina para o Líbano e também para a Síria. A mídia isralense vem promovendo e publicizando o objetivo de constituir um “grande Israel”, que estenderia suas fronteiras para toda a Palestina, Líbano e maior parte da Síria, Iraque e Egito (até o rio Nilo). Já se realizam leilões e promoções de novos assentamentos para colonos sionistas na Palestina e no sul do Líbano.
Esse expansionismo militarista não será possível sem destruir o Hamas e derrotar o Hezbollah, e sem massacrar e expulsar milhões de suas terras e nações. O Hezbollah é parte do governo libanês, e o Hamas é o governo eleito pelos palestinos em Gaza, e são uma genuína expressão da luta das massas pela sua autodeterminação. Sua destruição pelo sionismo é parte do objetivo da limpeza étnica e expulsão dos palestinos e libaneses de suas terras, para que o sionismo e o imperialismo tomem posse de seus territórios e recursos, em benefício dos lucros da burguesia monopolista. Além do Hamas, Hezbollah, milícias iraquianas e dos houthis, apenas o Irã oferece uma limitada resistência militar a esses planos colonialistas, que têm por trás os EUA. O sionismo é um braço armado e enclave territorial imperialista para expandir seu controle militar e político sobre riquezas, territórios e povos oprimidos. O agravamento da opressão nacional e a destruição maciça de forças produtivas, estendendo as guerras por toda parte, é a política traçada pelo imperialismo para sobreviver à sua decomposição.
As eleições nos EUA e na Europa mostram que todos os governos e partidos, da esquerda e direita, defendem os interesses imperialistas, e adotam medidas reacionárias de ataques às massas e de restrição das liberdades democráticas, para assim continuar as guerras e intervenções que concedem elevados lucros ao capital financeiro, em meio ao retrocesso geral da indústria imperialista, e avanço das economias nacionalizadas sob controle das burocracias contrarrevolucionárias da
China e Rússia. As guerras servem também para forçar a passagem à reconquista de mercados perdidos pelo imperialismo para a China e a Rússia, assim como sobre as nações oprimidas que ainda resistem a seus ditames, como Síria e Irã.
Isto se observa também no Leste Europeu na guerra travada entre o imperialismo – por meio da Ucrânia – contra a Rússia, objetivando a sua derrota e a expansão do cerco militar sobre suas fronteiras nacionais, para, finalmente, destruir a economia nacionalizada pela revolução proletária, repartir o país, e abrir uma via à retomada de forças produtivas sob seu completo domínio. Para isso, deve destruir o Estado Operário, derrubar a burocracia herdeira do estalinismo e estilhaçar Rússia em inúmeros estados étnicos e semicoloniais, opondo-os uns aos outros para controlá-los, aplicando ali o mesmo método e estratégia com o qual procedeu à divisão de Oriente Médio, para impor seus interesses mais gerais. Esse objetivo se entende, de todo modo, ao estado operário chinês, que tem ganhado força econômica mundial, e se expande deslocando o imperialismo do controle de mercados e fontes de matérias-primas.
O imperialismo impõe seus objetivos à esmagadora maioria dos países e governos burgueses. Nenhum governo burguês está pela paz, nem na Palestina/Líbano, nem na Ucrânia, além de servir de apoio à ofensiva bélica sobre a China – com exceção de um punhado de nações oprimidas. Entretanto, o ataque iraniano contra Israel e a obstinada e heroica resistência libanesa, palestina, houthi, iraquiana etc. mostram que existem condições para a derrota militar do sionismo e imperialismo. Porém, as burocracias russa e chinesa tudo fazem para que se negocie um cessar-fogo no Oriente Médio, se chegue a um consenso sobre a Ucrânia, e se retirem as forças militares que cercam a China e a Rússia na Ásia. Por isso sua rejeição a prestar toda a ajuda necessária para que as massas oprimidas palestinas, libanesas e árabes em geral derrotem o sionismo e o imperialismo e conquistem sua autodeterminação nacional. As burocracias herdeiras do estalinismo se transformaram em cúmplices do genocídio, e co-responsáveis pelo derramamento contínuo do sangue nas nações e povos oprimidos.
As massas exploradas e oprimidas do mundo todo se colocaram em defesa dos palestinos, e agora tomam a frente pela defesa dos libaneses. Na Europa, realizam-se greves, ocupações, manifestações e até a destruição de equipamentos bélicos, para impedir ou dificultar o funcionamento da maquinaria militar sionista e imperialista. Essas ações são realizadas por organizações de base e sindicatos solidários com a luta dos palestinos, e engajados na derrota do sionismo, que confluem sob reivindicações comuns por cima das fronteiras nacionais. Mas, não avançam em sua unificação e coordenação internacional, porque lhes falta sua direção revolucionária, o que favorece seu bloqueio pelas direções sindicais e políticas traidoras, ou que mergulham no eleitoralismo, obstaculizando a radicalização das lutas das massas, e visando a garantir a governabilidade burguesa. Isso fortalece e favorece os governos reacionários e direitistas, que financiam o genocídio e as guerras imperialistas.
No dia 7 de outubro, completou-se um ano da nova fase do genocídio e limpeza étnica da Palestina que começou há 76 anos, quando da criação do estado de Israel como enclave do imperialismo para controlar as fontes de matérias-primas, manter as nações árabes no atraso e divididas, e abortar qualquer iniciativa independente e soberana de movimentos e governos contra os interesses monopolistas. Para os revolucionários, esse dia deve ser lembrado e celebrado pelas massas como um ato de resistência, e um indicador da determinação dos palestinos na luta pela sua libertação, que será conquistada com a destruição do estado de Israel e a construção de uma Palestina una, socialista, livre do rio ao mar.
Está declarada a guerra dos opressores e carniceiros do mundo contra os explorados, as nações oprimidas e as conquistas revolucionárias do proletariado mundial em sua luta contra a burguesia (a propriedade nacionalizada). É hora de as massas declararem a guerra total contra os opressores e carniceiros, para destruir seus exércitos e estados, e abrir caminho às revoluções com a derrota militar do sionismo e do imperialismo, e acabar com todos os governos e movimentos que são seus cúmplices.
A derrota do sionismo e do imperialismo, no Oriente Médio, mas também na Ucrânia, abrirá uma via à derrubada revolucionária das burguesias dos países imperialistas e das burocracias contrarrevolucionárias nos Estados Operários degenerados. O programa da revolução política adquire na situação política uma importância decisiva para preservar as conquistas revolucionárias ameaçadas de destruição pelo imperialismo, e permitir a retomada do controle operário sobre a economia e o estado, que porá à disposição das nações e povos oprimidos tudo o que for necessário para sua vitória.
As massas e o proletariado mundiais devem cavar sua trincheira junto à dos explorados e nações oprimidas, e fazerem de tudo para ajudar na derrota do sionismo e imperialismo, atacando e estrangulando as bases financeiras, econômicas e industriais que alimentam o genocídio e as guerras imperialistas, impedindo-as de arrastar a humanidade para a barbárie. As tendências instintivamente revolucionárias do proletariado e sua luta devem estar combinadas e coordenadas com a luta das massas oprimidas árabes pela sua autodeterminação nacional. Por cima das diferenças nacionais, étnicas e religiosas, coloca-se a unidade anti-imperialista e anticapitalista das massas mundiais para derrotar seus inimigos comuns.
A unidade dos explorados e oprimidos se transformará em uma poderosa força social mundial, que impulsionará as massas para sua emancipação, e a luta de classes para conquistar suas reivindicações e, assim, derrotar os governos e os capitalistas. Mas, esse caminho depende de que se erga e defenda o programa e métodos proletários, se construa o partido revolucionário ligado à luta das massas, e que conquiste sua direção política sob a estratégia revolucionária.
