O Internacionalista n° 26 / abril de 2025

Editorial

Organizar as frações revolucionárias nos sindicatos e nos movimentos para impulsionar as tendências instintivas de luta dos assalariados!


A situação política nacional, nos últimos meses, foi marcada, de um lado, pela disposição das massas em se organizarem contra os ataques sofridos pelos distintos governos burgueses e patrões, com assembleias, mobilizações, paralisações e greves. De outro, como resposta burocrática, as direções governistas não pouparam esforços para conter e desviar este ímpeto.
Os petroleiros do sistema Petrobrás, que tinham esperanças nas promessas eleitorais do Governo Lula e de suas burocracias sindicais, de verem devolvidos os direitos retirados pelos governos Temer e Bolsonaro, amargam a dura realidade do fechamento das mesas de negociações e de mais ataques (determinação unilateral de retorno ao trabalho presencial dos trabalhadores administrativos, corte de aproximadamente 30% no PLR, etc.). O descontentamento foi tão forte que até mesmo a FUP, conhecida por seu governismo e conciliação extremos, teve de aprovar um indicativo de greve de 24h, ocorrida no dia 26 de março (ver matérias na página 13), embora o tenha feito com a bandeira central de “reabertura das mesas de negociações”, não apostando na força da categoria organizada e em movimento para arrancar do governo as reivindicações.
Os ferroviários da CPTM, diante do leilão para privatização das linhas 11, 12 e 13 da CPTM, e das consequentes demissões (direta ou via PDV), terceirização e perdas de direitos, construíram uma assembleia histórica da categoria, que aprovou a greve por tempo indeterminado para o dia 26 de março. A burocracia do Sindicato dos Ferroviários de SP teve de manobrar um acordo rebaixado no TRT2 e organizar uma assembleia mobilizando os pelegos e chefes para enterrar a greve (ver matéria na página 12).
Entre os professores estaduais de São Paulo, o quadro é o mesmo, o Governo de Tarcísio impõe um ataque atrás do outro, com arrocho salarial, fechamento de salas e turnos, jornadas estafantes, aumento da plataformização – com seu controle e opressão –, avanço das escolas cívico-militares, etc. A assembleia do dia 21 de março, que poderia ter aprovado a greve para lutar contras estes ataques à educação pública e à carreira do professor, foi desviada pela burocracia sindical da APEOESP, com a posição falaciosa de “construção da greve”, contando com o apoio de parte da “oposição” (ver matéria na página 16).
Os professores e funcionários do município de São Paulo também se encontram sob duros ataques, como arrocho salarial, redução dos salários dos readaptados, cerceamento às licenças médicas, perda de gratificações em caso de falta, privatização das gestões escolares, etc. A Assembleia do dia 18 de março, onde havia disposição de luta dos profissionais da educação, foi tratorada pela burocracia sindical do SINPEEM e da COEDUC, que impôs, contra a decisão da maioria da assembleia (que votou por nova assembleia e indicativo de greve para o dia 27/03), a data de 30/04, visando a desviar a categoria do caminho da greve para o das paralisações regionais, também com a vacilação e apoio de setores da dita oposição (ver matérias na página 15).