
O Internacionalista n° 38 / SINDICAL / abril de 2026
Funcionalismo SP
O CALENDÁRIO ELEITORAL IMPÕE A DIVISÃO TOTAL DA LUTA DO FUNCIONALISMO EM SÃO PAULO
As burocracias sindicais dos principais sindicatos do funcionalismo em São Paulo (APEOESP, SINPEEM, SINESP, SINDSEP e outros), todos dirigidos pelo PT e/ou PCdoB, ampliam as manobras divisionistas para blindar a candidatura de Lula/PT a reeleição. A primeira estratégia utilizada pela burocracia do SINPEEM foi a fragmentação da categoria em reuniões setoriais (readaptados, aposentados, quadro de apoio e docentes/gestores), com a alegação da necessidade de tratar de pautas específicas, quando na verdade a intenção era de utilizar essas “plenárias” para alimentar as ilusões nas saídas individuais por meio da justiça burguesa e da pressão parlamentar, conforme já exposto no OI 37. A segunda estratégia, repetida ano após ano, é uma completa submissão aos calendários do governo com reuniões a portas fechadas, sem que as bases tenham discutido e aprovado um plano de reivindicações. A burocracia impõe, em última instância, as propostas consensuadas entre governo e direção às costas das categorias. Deixando claro que o governo e os burocratas agem sob o objetivo de impedir as lutas pelas reivindicações e os métodos coletivos (greve, bloqueios, manifestações de rua etc.) para os conquistar.
Após estas “plenárias”, de completa enrolação, a burocracia do SINPEEM impôs a data do dia 09/04/26 para início da campanha salarial da educação municipal, passando por cima de todas as indicações das instâncias do sindicato (Congresso, plenárias e Reunião de Representantes) e inclusive das instâncias dos seus aliados da COEDUC (SINESP e SEDIN). Essa imposição foi consolidada na reunião do Conselho Geral do SINPEEM em 09/03, instância que a burocracia tem a maioria de conselheiros e por isso aprova o que quer. Nesta ocasião, se utilizaram da defesa farsesca da unidade com a APEOESP, que havia imposto no dia 06/03 uma greve de 2 dias (09 e 10/04). A imposição da burocracia do SINPEEM expôs a completa submissão dos demais sindicatos da COEDUC, que já tinham acordado iniciar a campanha em 18/03, mas também foi surpreendida com a nova data.
Essa data foi imposta para postergar mais uma vez a luta da categoria por suas reivindicações mais sentidas, como tem ocorrido todos os anos, a fim de reduzir a campanha salarial apenas a pauta econômica em torno da tramitação de um PL de reajuste que costuma tramitar na câmara municipal, encaminhado pelo executivo neste período.
Na contramão desta política divisionista mais explícita da COEDUC, o Fórum das entidades representativas do funcionalismo municipal, que reúne neste momento cerca de 19 entidades sindicais de diversos setores (saúde, assistência social, médicos, engenheiros, vigilância, entre outros), construiu uma narrativa de defesa da unidade, enviando inclusive carta aberta de apelo à COEDUC para a construção de um calendário unificado, que foi completamente rechaçada pelos três sindicatos da educação. O Fórum seguiu na defesa da unidade e realizou duas assembleias, dia 16 e 30 de março, convocadas para os dias que coincidiam com as mesas de negociação com o governo, justificando que o que fosse apresentado pelo governo seria submetido imediatamente a apreciação das categorias do funcionalismo.
No entanto, na assembleia do dia 30/03 o discurso da unidade caiu por terra, quando as direções do Fórum decidiram convocar a próxima assembleia para o dia 08/04, um dia antes da paralisação/assembleia convocada pela COEDUC, com a justificativa de que o governo fará nova reunião para devolutiva da pauta de reivindicações nesta data. A defesa da proposta explicitou a total contradição deste setor, uma vez que renunciou à possibilidade concreta da unidade com os demais sindicatos da educação em função da promessa de mais uma mesa de negociação com o governo, que até agora só nos enrolou. A Unidade Independente Classista e Combativa distribuiu nesta assembleia um boletim (em anexo) e proferiu fala no carro de som durante o ato, defendendo a mais ampla unidade na luta grevista, assentada em um plano comum de reivindicações a ser deliberado em assembleia conjunta no dia 09/04, porém não conseguimos fazer a mesma defesa durante a assembleia, já que foi concedida a fala primeiramente para militante do MRT, que defendeu em contraposição a direção do Fórum paralisação de 3 dias (8, 9 e 10/4) e venceu a proposta do Fórum.
Por fim, a campanha salarial do funcionalismo será completamente dividida, com assembleia do funcionalismo municipal no dia 08/04, assembleia da COEDUC (educação municipal) no dia 09/04 e assembleia dos professores estaduais (APEOESP) no dia 10/04.
Tudo indica que há uma intervenção direta da CUT, central sindical que todos estes sindicatos do funcionalismo municipal e estadual são filiados, a fim de preservar a campanha eleitoral de Lula/PT, uma vez que uma greve unitária pode se potencializar e se consolidar como uma ameaça ao governo federal, que vem aplicando as mesmas políticas de arrocho salarial e de retirada de direitos que os governos municipais e estaduais, sustentadas pelo arcabouço fiscal.
Cada vez fica mais difícil defender as reais necessidades das categorias enquanto essas direções seguirem à frente dos sindicatos. Para recuperar nossas organizações de frente única de luta e impor nossas reivindicações, é necessário começar, desde já, a construir uma real oposição classista e revolucionária para expulsar as direções burocratizadas e conquistar os sindicatos para a luta de classes sobre a base da democracia operária, dos métodos de ação direta e da unidade das categorias sob um mesmo plano de lutas. A esse objetivo se dedica a Unidade Independente Classista e Combativa (UICC). Chamamos os militantes de base a se organizarem junto à UICC!
