
O Internacionalista n° 39 / SINDICAL / maio de 2026
SindiCaraguatatuba – 6° Congresso da CSP-Conlutas
SindCaraguatatuba participa de seu primeiro congresso sindical de Central Sindical e se coloca claramente na defesa da democracia operária, contra os desmandos burocráticos do bloco majoritário da CSP-Conlutas.
As propostas de alteração do estatuto aprovadas pelo PSTU comprovam o aceleramento da burocratização da central e de aproximação entre centristas e reformistas nos métodos e táticas
Desde janeiro de 2026 o PPRI, que compõe a direção minoritária do novo sindicato de servidores públicos municipais de Caraguatatuba-SP, engajou-se na tarefa de fazer com que o jovem sindicato – ainda em construção, com menos de dois anos de existência – participasse do 6º Congresso da CSP-Conlutas. Entendíamos a participação de um jovem sindicato, com uma diretoria inexperiente, e tendo como base servidores públicos que estão construindo agora um histórico de luta, como essencial para dar ao sindicato como um todo uma experiência que permitisse dar grande salto qualitativo. Passada a atividade, o prognóstico demonstrou-se correto.
Desde o início, o PPRI foi o principal responsável por disputar ao interior da da diretoria e da base acerca da importância da participação de uma atividade como essa e organizar a assembleia de eleição de delegados de base de forma virtual. Mesmo com todos os limites e dificuldades impostos, foram eleitos cinco delegados, sendo dois da base e três da direção, tendo o PPRI um dos delegados eleitos pela direção. Na assembleia do sindicato, foi aprovada a tese proposta pela CSM-GL e organizamos os delegados para debaterem-na e defenderem-na.
Durante o congresso, no momento de balanço no GT, o PPRI afirmou que o saldo dos últimos vinte anos, desde a criação da CSP-Conlutas, foi mais negativo do que positivo, pois esta nasceu já sob o signo do divisionismo e não logrou em trazer a grande massa dos trabalhadores organizados para sua órbita. Aliás, a cada novo congresso, o número de delegados caem e o número de sindicatos filiados, também. Propusemos, como resolução, que os sindicatos filiados e partidos ligados à Conlutas criassem frações revolucionárias dentro das centrais e sindicatos burocratizados, como forma de disputar estes trabalhadores para um programa político realmente revolucionário, e desse modo abrir caminho a unificação sobre a base da democracia operária e do programa classista. Obviamente, dado o avanço da burocratização da central e os interesses partidários do PSTU e aliados que controlam o aparato da Central e o usam para seus interesses, esta proposta foi prontamente derrotada.
Todavia, o momento mais elevado da participação do Sindcaraguatuba e do PPRI foi durante a plenária na discussão a respeito da alteração do estatuto da entidade. Havia apenas duas propostas: a do bloco majoritário (PSTU) e a do Sindcaraguatuba (CSM-GL). A primeira propunha a alteração da realização do congresso de dois em dois anos para três em três e (ainda mais grave) que a Executiva Nacional pudesse alterar resoluções e normas entre congressos, apenas com a orientação da coordenação nacional, ou seja, de cima para baixo e sem a participação das bases, passando por cima do máximo órgão deliberativo e executivo: o Congresso. A nossa, ao contrário, propunha que qualquer alteração de normas, resoluções e estatuto, necessitasse primeiro ser discutida entre as bases e que houvesse um congresso extraordinário após seis meses de discussão.
Denunciamos na plenária a manobra burocrática a qual terá como resultado apenas a corrosão da democracia operária no interior da central, alienando as bases dos debates mais importantes no fluxo da luta de classes. A respeito da mudança do calendário de congressos, o próprio bloco majoritário não teve nem o pudor de esconder que a razão era financeira porque a organização de Congressos é onerosa e se necessita do dinheiro para as campanhas eleitorais, isto é, a submissão da luta de classes ao eleitoralismo típico dos centristas. Há de se notar que todas as oposições (POR, MPR, CST, MRT, Unido pra Lutar, LSR, entre outras), se bem denunciaram a manobra da mudança do calendário e estatutos, calaram sobre a possibilidade de alterações entre congressos de cima para baixo. Na hora da votação, o PSTU votou em sua tese, e as oposições se abstiveram.
Fazemos nesta nota inicial, portanto, dois balanços rápidos do congresso. O primeiro é que a participação do SindCaraguatatuba foi totalmente acertada, afinal o pequeno e jovem sindicato, também graças à atuação do PPRI, denunciou o aprofundamento da burocratização da Conlutas e, ao mesmo tempo, escancarou o oportunismo das oposições ditas marxistas que nada fizeram na prática para evitá-lo. O segundo é que, no que concerne à Conlutas, a caracterização do seu percurso é evidente: no aniversário de vinte anos de central que nasceu de fraturar a unidade dos trabalhadores para criar um aparato ao serviço do PSTU, ela está menor, menos capaz de disputar a direção e a consciência da esmagadora maioria das massas assalariadas que ainda se organizam nas principais Centrais e, cada vez, está mais parecida em sua centralização burocrática e na erosão da democracia operária com essas centrais.
